É muito comum que investimentos no Tesouro Direto, em especial no Tesouro Selic, seja o primeiro passo para quem está buscando conhecimento e, enfim, saindo da Caderneta de Poupança.
A partir do momento que se entende que o Tesouro Selic é o título mais conservador do mercado financeiro e que ainda assim rende mais que a Caderneta de Poupança, fica fácil de compreendermos o motivo dessa preferência para a grande maioria dos novos investidores.
Mas, a partir disso, é extremamente natural que exista uma busca por opções ainda mais rentáveis. Para que se tenha ideia, um pequeno aumento de 1% de rentabilidade anual pode trazer um resultado muito mais interessante no longo prazo.
A critério de exemplo, digamos que você invista R$ 500 mensais, ao final de 30 anos, seu patrimônio investido corrigido pela taxa de rentabilidade seria:
| Taxa anual | Valor final |
|---|---|
| 5,75% | R$ 465.830,64 |
| 6,75% | R$ 558.467,25 |
| 7,75% | R$ 672.054,92 |
| 10,00% | R$ 1.031.421,66 |
Portanto, hoje quero trazer outras opções que podem lhe proporcionar uma rentabilidade superior, e, mais do que isso, o que você precisa levar em consideração em cada uma delas.
Oportunidade e cuidado com o Tesouro Direto
Abrindo um parêntese, antes de falarmos de alternativas ao Tesouro Direto, sinto-me obrigado de alertar sobre alguns perigos — e oportunidades — dos títulos que o compõem.
Muito se fala que os títulos do Tesouro são os mais seguros do mercado uma vez que o Governo é soberano e pode muito bem se utilizar de diversas estratégias para rolar sua dívida. Como gosto de comentar, um governo pode salvar um banco, mas um banco não pode salvar um governo.
Entretanto, muita gente costuma acreditar que Tesouro Direto é uma coisa só, e não é. Temos de maneira geral, 3 títulos disponíveis no Tesouro Direto:
- Tesouro Selic;
- Tesouro Prefixado;
- Tesouro IPCA+.
O primeiro dessa lista é o mais conservador dentre as opções. Motivo esse que, não raramente, muitos o utilizam como opção para compor sua reserva de emergência, por exemplo.
O perigo está no fato que, assim como é o mais conservador dentre as outras opções, o Tesouro Selic também é o que menos promete rentabilidade se comparado aos tesouros Prefixado e IPCA+. Fato esse que, muita gente, na grande maioria das vezes, por desinformação, acaba optando pelos dois mais rentáveis.
Acontece que, tanto o Tesouro Prefixado quanto IPCA+ são indicados para projetos de médio e longo prazo, e por um simples motivo — ou nem tanto —: o efeito da marcação a mercado.
Sem me alongar muito nesse tema — uma vez que já fiz diversos artigos falando sobre —, mas a marcação a mercado faz com que o preço do título oscile diariamente de acordo com a taxas de juros praticadas no mercado.
Em resumo, se você investir no Tesouro Prefixado, ou IPCA+, olhando somente para a taxa prometida, terá essa taxa respeitada no vencimento do título. Mas, no curto prazo, pode ter esse título valorizado ou desvalorizado em demasia. Muita gente não sabe e não entende isso.
Por isso é muito importante ter ciência qual a necessidade do capital investido. Em outras palavras, qual o horizonte de tempo disponível?
- Se, quer opções para curtíssimo prazo, é preciso que comparemos outras opções ao Tesouro Selic;
- Senão, se tem condições de manter seu capital investido por bons anos, podemos comparar outras opções ao Tesouro Prefixado ou IPCA+;
Como base, hoje, 24 de agosto de 2021, temos as seguintes rentabilidades dos títulos do Tesouro:
| Título | Rentabilidade | Objetivo |
|---|---|---|
| Tesouro Selic | 5,25% | Curto prazo |
| Tesouro Prefixado 2026 | 10,68% | Médio prazo |
| Tesouro IPCA+ 2045 | IPCA + 4,75% | Longo prazo |
Agora sim! Fechando esse grande parêntese, podemos falar de outras opções.
Certificado de depósito bancário – CDB
Uma opção bastante citada e disponível em corretoras são os certificados de deposito bancários, ou CDBs.
CDBs são títulos emitidos por instituições financeiras, ou seja, bancos. Algumas considerações devem ser levadas em conta; você poderá encontrar diversos tipos de oferta, variando desde sua liquidez e vencimento, até sua maneira de rentabilidade.
No que toca sua liquidez, você poderá encontrar desde os de liquidez diária — semelhante ao Tesouro Selic —, até opções de liquidez para daqui 10 anos — o que se assemelha com o Tesouro Prefixado, por exemplo, por serem opções de mais longo prazo.
No que toca sua rentabilidade, você poderá encontrar desde os prefixados — definidos por uma taxa fixa, como por exemplo 10% ao ano —, até os pós-fixados.
Falando dos pós-fixados, uma maneira de balizar a rentabilidade do CDB contra a rentabilidade do Tesouro Selic é considerar que, CDBs que oferecem 100% do CDI terão a mesma rentabilidade do Tesouro Selic — já considerando imposto de renda.
Isso ocorre porque o Tesouro Selic rentabiliza 100% da Taxa Selic Over, que é exatamente a mesma taxa do CDI.
Portanto, se encontrar um CDB oferecendo mais do que 100% do CDI, saberá que ele está oferecendo uma rentabilidade superior ao do título mais seguro do mercado atualmente, o Tesouro Selic.
Atualmente está bastante simples de encontrar CDB rentabilizando acima dos 100% do CDI, seja em grandes corretoras ou em bancos digitais. É a concorrência bancária por seu dinheiro.
Convido você a saber mais sobre a diferença desses dois tipos de títulos por meio desse outro artigo: O que é melhor: investir em CDB ou em Tesouro Selic?
Letras de crédito imobiliário e letras de crédito do agronegócio — LCI e LCA
Outra opção — menos disponível — são as LCI e LCA. Esses títulos são muito parecidos com os CDBs, a diferença está no destino desse recurso por parte do banco: são títulos aonde os recursos captados são destinados aos setores imobiliário e agro.
A vantagem para o investidor se dá principalmente por sua isenção de imposto de renda. Do restante, todas as características abordadas no CDB são válidas para a LCI e LCA.
De maneira comparativa, devido a diferença do imposto de renda, e para que seja simples de comparação, uma LCI ou LCA prometendo rentabilidade de 85% do CDI seria o equivalente próximo de um CDB prometendo 100% do CDI — se considerarmos imposto de renda de 2 anos.
Debêntures
As debentures são também muito semelhantes aos CDBs. A diferença fica por parte de seu emissor. Se, em CDBs o emissor do título é um banco, na debênture o emissor é uma empresa.
Um fato importante a se considerar é com relação ao FGC. FGC é o Fundo Garantidor de Crédito que assegura ao investidor até R$ 250 mil por CPF vs Conglomerado Financeiro (Grupo Bancário). O FGC irá assegurar títulos emitidos por bancos e financeiras, nesse sentido, debêntures não possuem a garantia do FGC.
Uma outra questão é que, apesar de ser possível encontrar debêntures rentabilizando sobre o CDI, geralmente rentabilizam sobre o IPCA.
Como complementação, atualmente em algumas corretoras é possível encontrar debêntures pagando IPCA +4% por exemplo, o que está girando próximo a 12% ao ano.
Certificados de recebíveis imobiliários e certificados de recebíveis do agronegócio — CRIs e CRAs
Esses títulos são muito semelhantes às LCI e LCA, inclusive pela questão da isenção de imposto de renda. Contudo, não são emitidos por bancos, e sim por securitizadoras. Desse modo, assim como debentures, também não possuirão a garantia do FGC.
Tabelas comparativas
Para que fique simples a comparação entre inúmeras opções disponíveis em corretoras, segue a seguir uma tabela de equivalência comparativa de rentabilidade:
| Título | Rentabilidade de equivalência | Rentabilidade atual | Imposto de 2 anos | Rentabilidade Líquida |
|---|---|---|---|---|
| Tesouro Selic | 100% Selic Over | 5,15% | 15% | 4,46% |
| CDB | 100% CDI | 5,15% | 15% | 4,46% |
| LCI e LCA | 85% CDI | 4,46% | – | 4,46% |
| Debênture | 100% CDI | 5,15% | 15% | 4,46% |
| CRI e CRA | 85% CDI | 4,46% | – | 4,46% |
Essa tabela é importante para você ter uma noção de quais rentabilidades se equivalem. Algo prometendo acima disso você concluirá que estará rentabilizando acima do Tesouro Selic.
Adicionalmente deixarei o link para um artigo complementar aonde você encontrará, além de mais compartilhamento de conhecimento, também uma planilha comparativa de rentabilidade da renda fixa: O que é melhor: Caderneta de Poupança, Tesouro Selic, Conta Remunerada ou CDB?
A planilha citada acima irá ajudar a comparar inclusive os títulos prefixados contra os pós-fixados.
Cuidado com a liquidez
Mas, atenção! Cuidado com a liquidez dos títulos. Apesar de mencionarmos no decorrer do texto, é bom reforçarmos.
Não foque somente na rentabilidade, é preciso considerar, além dos riscos da instituição emissora — principalmente nas debêntures, CRIs e CRAs por não terem FGC —, a liquidez do título.
A liquidez é o prazo pelo qual você consegue transformar o ativo em dinheiro, ou seja, em quanto tempo, a partir da solicitação do resgate, o dinheiro estará disponível em conta. Essa informação fica descrita nos detalhes do ativo ao consulta-lo na corretora.
Em resumo, investimentos com liquidez diária são recomendados para projetos de curto prazo, como uma reserva de emergência por exemplo. Para ficar mais claro, é o caso mais próximo de uma Caderneta de Poupança. Única ressalva fica para o Tesouro Prefixado e IPCA+, como já falamos pelo fato da marcação a mercado.
Do outro lado, investimentos com liquidez mais longas serão recomendados para projetos de médio e longo prazo.
Aportes recorrentes
Uma dúvida recorrente que recebo é com relação a aportes recorrentes. Como estamos acostumados à possibilidade de poupar todo mês na mesma Caderneta de Poupança, tendemos a acreditar que isso é possível também em ativos mais sofisticados. E, nem sempre.
Principalmente em CDBs, nem sempre será possível realizar aportes frequentes no mesmo título. Pode ser que o ativo investido em um mês não esteja disponível para novo aporte no mês subsequente.
Por outro lado, o Tesouro Selic lhe permite por um espaço de tempo maior aportar no mesmo título.
Mas esse fato não deve ser um impeditivo. O que deve ficar claro é que sempre haverão títulos disponíveis a serem aportados, seja ele qual for. Recorrentemente opte por aqueles que mais aderem a seus objetivos.
Ações e fundos imobiliários
Tenho certeza que muitos podem estar se questionando se eu falaria de ações e fundos imobiliários. Certamente são melhores opções para o longo prazo. Mas, aqui estaríamos dando dois passos após o Tesouro Selic.
Nesse caso, sugiro a leitura desses outros artigos para que você possa compreender melhor o que são e como selecionar bons ativos na bolsa de valores.
- Os pilares que envolvem a escolha de uma Ação na Bolsa de Valores
- Como escolher um Fundo Imobiliário
Não existe uma única opção
O objetivo desse texto não é de lhe dizer qual o melhor investimento, até porque, sou descrente quanto a isso.
Acredito que não há o melhor investimento ou a melhor carteira de investimentos, mas sim que há o melhor investimento ou a melhor carteira de investimentos que atenderá a seus objetivos.
Uma boa carteira, de maneira alguma estará concentrada em apenas um único ativo, mas sim em uma coleção de ativos que, juntos, possibilitarão uma rentabilidade interessante ao mesmo tempo que minimizarão riscos desnecessários.
Conclusão
O mercado financeiro é um vasto oceano, e a capacidade de entrar em mares cada vez mais profundo estará ligada ao seu navio, nesse caso, a sua capacidade de investir. Capacidade essa que será cada vez mais aprofundada por meio de estudo constante.
O que trouxe foi apenas uma base. É fato que um único artigo não irá ensinar tudo que é necessário para você se tornar o “mago dos investimentos”. Dessa forma, te convido a ler meu livro, que vai ensinar, do zero, a montar uma carteira de investimentos inteligente voltada para o longo prazo e visando sua liberdade financeira.
Por fim, lhe desejo todo sucesso e prosperidade que sei que merece.
Sou Paulo Boniatti. Um forte abraço, até o próximo artigo e tchau!