É o fim dos bancos digitas? O que está acontecendo? A lua de mel chegou ao fim…

Banco Inter acabou com seus CDBs 100% do CDI com liquidez diária; NuConta não rentabiliza mais saldo em conta de até 30 dias e; C6 passará a cobrar sua tag de pedágios e estacionamentos.

É meus amigos, aparentemente a lua de mel acabou. O que está acontecendo com os bancos digitais? Será que ainda vale a pena se manter fiel aos bancos que prometiam acabar com os “bancões” tradicionais?

Hoje quero trazer meu ponto de vista sobre estes fatos, que não parecem ser um caso passageiro, mas sim uma nova fase que veio pra ficar.

Se este tema lhe interessa, confia e vem comigo.

Uma breve história

Apesar de jovens, estes bancos já possuem algum tempo. O Nubank foi fundado em 2013, enquanto Inter (ex Banco Intermedium) em 1994 e o C6, o mais novo destes, apenas em 2018.

Ganharam, no entanto, maior notoriedade nos últimos anos. Com a promessa de processos facilitados, sistemas mais ágeis, sem burocracia, taxas zero e diversos benefícios, logo se tornaram os queridinhos do público, principalmente dos mais jovens.

O Nubank, além de oferecer cartão sem anuidade, e que logo criou a NuConta, prometia rentabilidade sobre o saldo em conta de 100% do CDI, muito acima da famigerada poupança.

O Banco Inter, um dos principais concorrente do Nubank, focou-se em desenvolver um super app, um conceito que até então, nenhum outro banco havia explorado. Além disso, apesar de não rentabilizar suas contas como as de seu concorrente, oferecia CDBs que tinham a mesma rentabilidade.

Já o C6, assim como seus rivais, além de oferecer contas sem taxas, opções para rentabilizar o dinheiro de seus correntistas a 100% do CDI, contava com um de seus principais atrativos: sua tag de pedágios e estacionamentos sem custo.

Inevitavelmente, muitos clientes, antes amarrados a grandes bancos, altas taxas e serviços de baixa qualidade, debandaram-se para os novos a ágeis bancos digitais.

Tudo isso acabou

Era tudo muito bom pra ser verdade? Aparentemente sim.

Recentemente o Nubank anunciou que sua NuConta deixou de rentabilizar o capital de seus correntistas para saldo depositado de menos de 30 dias. Vale ressaltar que, para dinheiro acima de 30 dias, nada muda.

Seguindo a mesma ordem, o Banco Inter acabou com a oferta de CDBs com liquidez diária de 100% do CDI. As duas opções com resgate imediato disponíveis atualmente é o CDB de 98% do CDI e o CDB Mais Limite de apenas 80% do CDI.

Por último, o Banco C6 informou a seus clientes que sua famosa tag passará a ser cobrada mensalmente. Dentre suas regras, somente clientes com algum capital relevante investido no banco terão a possibilidade de tentar isenção.

O que está acontecendo?

Estes acontecimentos não são resultado de apenas uma única causa, mas de várias, dentre as quais, gostaria de agrupá-las em dois grandes fatores: taxas de juros e lucratividade.

Em um intervalo de menos de 2 anos, fomos capazes de presenciar uma insanidade, nunca antes presenciada por muitos brasileiros, nas mudanças dos juros de nossa taxa básica, a Taxa Selic e consequentemente o CDI. Saímos de juros anuais acima de 14% para 2% e voltamos aos atuais 13,75%.

E isso impacta os bancos? Sim, e muito! Um banco que promete rentabilizar o dinheiro do cliente a 100% do CDI quando este está a 2% ao ano é fácil; mas tente fazer o mesmo quando o CDI está a 13,65% como atualmente.

Mas Boni, você deve imaginar, se o banco paga 13,65% para um cliente, ele pode ganhar dinheiro emprestando ou financiando a taxas superiores a estas e ganhar com a diferença, vulgo spread.

Eu concordo plenamente meu querido Padawan. A questão é que, a carteira de crédito — empréstimos e financiamentos destes bancos — é praticamente nada, se compararmos aos grandes e tradicionais bancos.

Em resumo, estes bancos digitais, pequenos e prometedores de diversos benefícios estão, há tempos, literalmente vendo seus lucros prejudicados, isso quando o mesmo não se transforma em prejuízos constantes, como é o caso do Nubank.

O fato acima é o que justamente nos leva a segunda grande causa: lucratividade.

Se já eram pop stars internamente no Brasil, estes bancos ganharam ainda mais notoriedade quando se debandaram com a abertura de capital na Nasdaq, bolsa de valores americana focada em empresas de tecnologia.

Independentemente se é uma empresa de capital aberto ou não, e salvo se não forem de filantropia, empresas são criadas para gerar lucro a seus donos, caso contrário, elas sequer existiriam.

Empresas de capital aberto, contudo, possuem uma cobrança ainda maior por seus acionistas. Uma empresa quer se manter viva neste mercado? Então terá de mostrar resultados, ou será game over.

Operações que não gerem lucro serão adaptadas, melhoradas ou cortadas.

Pois bem, a torneirinha dos digitais está fechando, ou pingará cada vez menos.

É o fim dos bancos digitais?

Não acredito que os bancos digitais acabarão. Os grandes bancos, inclusive, estão cada vez mais se modernizando e trazendo serviços semelhantes aos seus amigos mais jovens e inovadores.

Por outro lado, acredito que estes cortes de benefícios não são algo passageiro, e sim algo que veio para ficar.

A propósito, se somarmos ao Open Banking, aonde os bancos estão cada vez mais tendo de compartilhar dados de seus clientes, a tendência é que tenhamos uma diferenciação cada vez menor na oferta de cesta de serviços.

Aquela cultura antiga de se manter fiel a apenas um único banco por anos, está fadada ao fim. O presente nos mostra que o futuro será de clientes com uma coleção de contas para se usufruir de um produto muito específico em cada uma delas.

Como ficam os investimentos

Por sermos um canal de investimentos, não poderíamos deixar de ponderar algumas coisas.

Primeiro, para quem acreditava que os bancos digitais acabariam com os grandes bancos, o presente nos mostra que dificilmente isso acontecerá, seja em um breve ou longo horizonte.

E segundo, e falando especificamente de reserva de emergência, como já citei em inúmeros outros materiais, a melhor alternativa ainda é, e por muito tempo será, o famigerado Tesouro Selic.

Existem coisas que não precisamos inventar moda, basta fazer o simples que já se provou no tempo. Para todo o resto, esteja aberto a mudanças e adapte-se a elas, ao que tudo indica, estamos diante de mais uma delas.t

Sucesso e prosperidade sempre,

Paulo Boniatti

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