Muito se fala para investirmos para o Longo Prazo, até porque, isso nos possibilita usufruir da oitava maravilha do mundo: o Juro Composto.
Mas a questão é: e quando o objetivo não for para o Longo Prazo? E se a necessidade for de buscar um investimento que permita a realização de um projeto de médio prazo, como pagar a festa de casamento, viajar, trocar de carro, reforma a casa ou qualquer outro?
Imagine, o dinheiro destinado para o casamento investido em Ações. De repente, uma crise no mercado faz com que aquele patrimônio se desvalorize 50%, bem no momento onde o dinheiro seria utilizado para sua finalidade original.
E não seja cético, isso poderia ter acontecido entre fevereiro e abril de 2020, caso fosse seu cenário.
Portanto, esse artigo tem como o objetivo ajudá-lo não somente a discernir entre os investimentos mais adequados para projetos de curto, médio e também, longo prazo. Quero ajudá-lo a discernir qual os tipos de investimentos mais adequados por tipo de objetivos, independentemente do prazo.
Para isso, gosto de abordar a questão por três maneiras diferentes:
Seu projeto tem uma data prevista
Projetos com data prevista são aqueles que já estão certos para acontecer: viajar, trocar de carro, reformar algo e assim por diante. São objetivos que você terá a necessidade do dinheiro somente na data prevista, não antes dela.
Nesse sentido, investimentos com taxa pré-fixada são muito interessantes. Exemplo, podemos citar um CDB (Certificado de Depósito Bancário) pagando uma taxa fixa, como 10% (a.a.).
Vamos supor que, você tenha R$ 4 mil para investir, e que seu objetivo seja de R$ 5 mil daqui 5 anos para a realização de uma viagem. Nesse sentido, um CDB pagando aproximadamente 4,56% fixo ao ano lhe permitiria alcançar o valor desejado.
E porque não optar por um título pós-fixado? De maneira hipotética, se você escolhesse um CDB pós-fixado pagando 240% do CDI, tendo como base o atual CDI de 1,90% (a.a.), significa dizer que esse CDB estaria rentabilizando algo próximo a 4,56%, o mesmo do exemplo anterior.
Mas, se o CDI se desvalorizar, digamos que para 1% ao ano, significa dizer que aquele seu CDB passaria a rentabilizar somente 2,40% anualmente. Possivelmente não seria o suficiente para você alcançar os mesmos R$ 5 mil do projeto inicial.
Portanto, se você tem um projeto com data prevista, prefira investimentos que lhe deem maior segurança de rentabilidade, ou seja, os pré-fixados.
Nas corretoras você encontrará diversos títulos pré-fixados: CDB, LC, LCI, LCA, CRI, CRA e assim por diante. Todas essas “letrinhas” eu já abordei nesse outro artigo. O que define que o título é pré-fixado é sua forma de rentabilização, você verá uma taxa fixa: 7% (a.a.), 10% (a.a.) e assim por diante.
Seu projeto NÃO tem uma data prevista
Digamos agora, que você tenha um dinheiro “parado” e ainda não sabe o que fazer com ele. Nesse cenário, o mais sensato seria optar por títulos pós-fixados, como o CDB 240% do CDI do exemplo, hipotético, anterior.
Isso ocorre porque você não sabe quando haverá a necessidade de resgate. Tente imaginar:
- …investir em um CDB de taxa pré-fixada e de repente surgir a necessidade, inesperada, de resgate do montante. Supostamente, pela escolha de um CDB pré-fixado com vencimento de médio prazo, o resgate seria impossibilitado.
- …investir no mercado acionário, e de repente surgir a necessidade, inesperada, de resgate, no exato momento de queda do mercado. O resgate seria realizado, possivelmente com prejuízos.
- …investir em um Tesouro Direto Pré-Fixado, e da mesma forma, no dia do resgate sofrer a famigerada marcação a mercado (já citado em outro artigo). O resgate seria realizado, possivelmente com prejuízos.
Por isso, nesses casos, é preferível títulos pós-fixados e com boa liquidez (resgate rápido). Tesouro Selic, CDB 100% (ou mais) do CDI, e até mesmo as contas remuneradas no estilo NuConta darão “conta do recado”. O que define que o título é pós-fixado é sua forma de rentabilização, você verá uma taxa atrelada a um índice: 90% do CDI, 100% da Selic e assim por diante.
“Mas Boni, não sei quando irei resgatar pois estou investindo para longo prazo”. Muita calma nessa hora! Se o foco é longo prazo você sabe que não irá resgatar antes de 10 anos. Ou seja, tem uma expectativa concreta de data.
Seu projeto é para o longo prazo
Se você tem a certeza que está investindo para o longo prazo, podemos incluir diversas outras classes de ativos, não somente ativos de Renda Fixa como o Tesouro IPCA+, mas também Ações, Fundos Imobiliários, ETFs, BDRs e outros ativos de Renda Variável. Por que não?
Mas, se existe a mínima chance daquele dinheiro ser resgatado no curto e médio prazo, se atenha as opções listadas anteriormente. Não “brinque” com seu futuro. Antes de pensar em ganhar, pense em não perder.
Conclusão
Prefira o simples que funciona:
- Seu projeto tem uma data prevista: prefira os pré-fixados;
- Seu projeto NÃO tem uma data prevista: prefira os pós-fixados com boa liquidez;
- Seu projeto é para o Longo Prazo (mais de 10 anos): o leque de opções é muito maior, incluindo ativos de bolsa de valores. Com cautela.
Como complemento, caso queira, baixe a planilha abaixo que irá ajudá-lo a definir qual a taxa necessária mínima para seus projetos:

E lógico, lembrando, isso é uma regrinha de bolso que visa auxiliá-lo. Use-a com discernimento dentro de suas necessidades e expectativas.
Espero ter conseguido agregar conhecimento e ser merecedor do seu compartilhamento. Compartilhe conhecimento, compartilhe Educação Financeira.
Por fim, sou Paulo Boniatti, um forte abraço, até o próximo vídeo e tchau!