Essa semana soltei uma caixa de perguntas no Instagram com a pergunta: “Qual sua maior dificuldade com relação a investimentos?”.
Algumas respostas me chamaram atenção, dentre elas a do Henrique, que citou: “Montar uma carteira simples, com ativos que fossem essenciais para uma carteira de Longo Prazo”.
Achei a pergunta muito pertinente. Enquanto muitos tentam complicar, acreditando que quanto mais complexo, mais elaborada é uma carteira, eu julgo que devemos buscar o caminho inverso: o da simplicidade.
E é nesse sentido que quero trazer qual seria minha versão de uma carteira de investimentos minimalista, mas, ao mesmo tempo, sem perder características de uma boa carteira visando o longo prazo.
Características que tornam uma carteira robusta para o Longo Prazo
Sempre gosto de dizer que precisamos ter algumas características em nossa carteira de investimentos:
- Proteção em caixa;
- Proteção em fundo cambial;
- Agressão em Renda Variável;
Essas, são características que irão lhe trazer uma menor volatilidade e maior tranquilidade nos diferentes momentos econômicos.
Mas, muita gente acredita que, pelo fato de precisarmos ter Renda Variável em carteira, que isso por si só tornará a carteira complexa.
Entram as crenças que é inevitável se debruçar sobre balanços patrimoniais de companhias, entender de fluxo de caixa, e etc. Isso, é bem verdade para quem quer fazer o que chamamos de Stock Picking (selecionar Ações de companhias por conta própria).
Acontece que, muitas vezes nos esquecemos — ou não queremos nos lembrar — dos ETFs, o qual já fiz artigo a respeito.
Em seu livro O investidor de bom senso, John Bogle aborda com extrema maestria os benefícios para o investidor em geral quando utiliza a opção de investir diretamente por fundos de índices (ETFs).
E nesse sentido, pensando na simplicidade que atenda as características que comento nesse artigo, como seria minha versão de uma carteira minimalista?
Uma carteira minimalista para o Longo Prazo
Em outro artigo sobre composição de carteira, abordei os motivos e como funcionam os 3 pilares básicos da minha carteira. Sugiro sua leitura.
E claro, antes de mais nada, não custa lembrar que esse artigo não se trata de recomendação. Trata-se apenas de um conteúdo com caráter educacional e de compartilhamento de conhecimento.
Agora, olhando para o objetivo principal: como compor uma carteira minimalista, eu teria:
1/3 – Proteção Caixa
Sem muito rodeio, deixaria entre 20-30% em Tesouro Selic.
Pode ser um NuConta? Pode ser um CDB 100% do CDI com Liquidez Diária? Para questões como essas, sugiro ler esse outro artigo: FGC – O que é? É seguro? Pode quebrar?
2/3 – Proteção Cambial
Novamente, de maneira bastante objetiva, deixaria 10% em Fundo Cambial. Não sabe o que é um Fundo Cambial? Veja esse outro artigo: Fundos Cambiais, Saiba por que e como se proteger do Dólar.
3/3 Agressão Renda Variável
Aqui é o “pulo do gato”. Onde muitos tentam complicar em demasiado. Para uma carteira minimalista por que não nos utilizarmos dos ETFs? São ativos extremamente simples, de baixo custo e que permitem uma diversificar de carteira.
Nesse sentido, eu alocaria essa terceira parte em dois ETFs: BOVA11 e IVVB11. Possivelmente metade para cada.
O BOVA11 é o ETF que segue a composição e a performance do Ibovespa, o principal índice de nosso mercado acionário.
Já o IVVB11 é o mesmo que o BOVA11, mas segue o índice S&P500 do mercado americano. Seria uma maneira de você estar diversificando sua parte de Renda Variável em dois grandes mercados.
A grandeza da simplicidade
Veja só, com apenas 4 ativos: Tesouro Selic, Fundo Cambial, BOVA11 e IVVB11 nós teríamos uma carteira:
- Protegida com relação a Taxa de Juros no Brasil;
- Protegida com relação a perda de valor do Real frente ao Dólar;
- Diversificada em centenas de companhias por meio de dois ETFs de Renda Variável, tanto Brasil quanto EUA;

Segundo estudos que já fiz por esse outro artigo de composição de carteira, uma carteira assim poderia rentabilizar algo aproximado entre 10%-13% médio (a.a.) no Longo Prazo. Uma carteira bastante sensata.
Claro, lembrando que, parte da carteira alocada em ativos de Renda Variável nos sugere que a média de rentabilidade anual não possui uma linearidade. Entenda que em anos específicos pode haver rentabilidade negativa, como em outros anos, rentabilidade acima da média. Pondere.
Conclusão
Essa carteira foi pensada no minimalismo. Sem a necessidade de ter que selecionar ativos especificamente (Ações, Fundos Imobiliários, BDRs…). Não podemos excluir a possibilidade de haver uma carteira como essa, extremamente simples e funcional.
Mas, se você acredita poder selecionar ativos pontualmente, e se assim o quer fazer, ótimo também.
Caso você tenha dúvidas de como comprar esses ativos, tudo é feito via corretora de valores, veja esse outro artigo.
Espero ter conseguido ajudar você a entender como é possível sim, investir de maneira bastante sensata e sem perder a robustez necessária para o Longo Prazo.
Não deixe de se aprofundar nos outros artigos citados aqui.
Por fim, sou Paulo Boniatti, um forte abraço e tchau!