Como ter mais consistência nos investimentos

Supostamente, senão você, algum conhecido — parentes, amigos e colegas — esteja com medo, dúvidas ou até mesmo otimismo demasiado com relação à investimentos.

Esse mundo do mercado financeiro causa nas pessoas sentimentos extremos que, muitas vezes podem prejudicar ou até mesmo arruinar um projeto de enriquecimento.

É neste sentido que hoje quero falar um pouco sobre como é possível, para a maioria das pessoas, ter mais consistência nos investimentos. Se este tema lhe interessa, confia e vem comigo.

Foco em ativos versus foco na carteira

A estratégia mais simples, e que me utilizo há anos, não tem nada de supernatural. É simplesmente focar na carteira ao invés de focar em um ativo — ou classe de ativos.

Quando planejo uma carteira, meu principal foco é compô-la de tal maneira a atingir um certo objetivo, e disto então selecionar quais classes e ativos necessários.

Desta forma, não estou preocupado com a queda (desvalorização) pontual de um determinado ativo, mas sim se minha carteira está me levando na direção a alcançar meu objetivo.

É como um time de futebol: podemos ter um jogador contundido, contudo, se este time está bem montado, este jogador pode ser substituído e assim mesmo termos um resultado positivo ao final da partida.

O problema é que, muita gente não quer montar um time, mas apenas identificar qual o “melhor investimento”. Acontece que, o que é bom hoje, pode ser péssimo amanhã: veja o caso de Magazine Luiza (MGLU3).

Sugestão de leitura: (1) A verdade nua e crua: você poderia ter ganho mais dinheiro investindo em CDI ao invés do Ibovespa e; (2) Vai investir? Esta empresa não passou nos meus critérios…

Foco em proteções

Como sempre digo aos alunos do meu curso ou até mesmo em meu livro: “Antes de pensar em ganhar, pense em como não perder. Proteja-se sempre”.

Quantas pessoas querem acertar o “melhor” investimento sem antes terem feito o trabalho de gestão de risco? A grande maioria.

Você está focando o investimento em um ativo pelo seu projeto e pela maneira ao qual ele irá leva-lo a alcançar um determinado objetivo ou está preocupado somente com sua valorização?

Vamos refletir:

  • Como você está se protegendo para o sobe e desce da bolsa?
  • Como você está se protegendo para o sobe e desce dos juros de mercado?
  • Como você está se protegendo da inflação?
  • Como você está se protegendo para o sobe e desce do Dólar?

Essas simples perguntas são o que diferenciam, geralmente, investidores de aventureiros. O problema é que, a grande maioria não está preocupada em se proteger, mas apenas aventurar-se.

Ninguém pode começar a construção de um arranha-céu pelas coberturas. Tudo se inicia com uma boa fundação.

Sugestão de leitura: (1) Seja um investidor inteligente ­­— dê mais atenção as possíveis perdas e; (2) O que eu faço? Meus investimentos não param de se desvalorizar!

Curto e médio prazo versus longo prazo

Separe seus objetivos de curto e médio prazo dos de longo prazo. Consequentemente, separe seus investimentos.

É preciso entender que existe uma grande diferença no curto e médio prazo para o longo prazo.

Este material que escrevo é atemporal, mas hoje temos de convir que o mercado de renda variável vem sendo afetado por inúmeras questões macroeconômicas.

Vamos supor que um investidor qualquer tenha alocado todo seu capital na Bolsa e que, de repente, seu viu forçado a resgatar parte — ou a totalidade — deste capital devido a fatos diversos: perda de emprego, problemas de saúde e afins. Supostamente, podemos imaginar que esse investidor tenha realizado este resgate com perdas.

Uma simples separação de recursos para projetos de prazos diferentes poderia ter minimizado qualquer impacto financeiro. Uma reserva de 6 a 12 meses em títulos de Renda Fixa pós fixados e de alta liquidez, por exemplo. Chamamos isso de reserva de emergência.

Sugestão de leitura: Reserva de Emergência em 2021 – Voltando ao básico

O mesmo se dará para projetos de médio prazo: casamento, troca de carro, reforma de um imóvel e etc. Alocar o capital destinado a estes projetos em investimentos mais arriscados pode não ser uma boa ideia.

Sugestão de leitura: Como investir para curto, médio e longo prazo?

Investimentos em Bolsa ou em outros mais arriscados devem ter o foco para o longo prazo. Um ciclo econômico pode perdurar por 10 — ou mais — anos. Você tem todo este tempo?

Alocar capital de curto prazo em ativos mais agressivos é de extremo risco. Por outro lado, se você pode segurar esse capital para o longo prazo, suas chances de ser bem sucedido no investimento aumentam em demasia.

Sugestão de leitura: Você provavelmente vai perder dinheiro na Bolsa se continuar a focar no tempo errado

Cuidado com modismos

Já ouviu aquela frase que temos que comprar aos sons de canhões e vender aos sons de violinos? Essa frase foi exposta por ninguém menos que Warren Buffett.

Mas é um paradoxo. Apesar deste ensinamento, o que a maioria faz é justamente o contrário:

  • De 2010 até 2016 quando nossa Bolsa estava em um momento delicado devido as grandes incertezas econômicas, poucos ousavam a falar sobre este tipo de investimento;
  • De 2018 até 2020, em um período de grande recuperação a euforia tomou conta. Se você não investisse em Bolsa poderia ser tachado de ultrapassado. Renda fixa foi intitulada de “perda fixa”.
  • Atualmente, a moda é investir no exterior. Como muitos dizem, Brasil “já era”. Assim também: investir em Bolsa com a Renda Fixa dando muito mais?

Mas o ensinamento de grandes investidores não é justamente se fazer o contrário? Quem está aos sons de canhões e quem está aos sons de violinos atualmente? Suponho que muita gente não está ouvindo conselhos dos grandes, mas está se deixando levar por modismos.

É um grande contrassenso. Não posso culpar o novo investidor, que está aprimorando sua curva de conhecimento, mas podemos questionar sim supostos especialistas e influencers que, se não fazem parte da manada, são aqueles que a puxam.

Sugestão de leitura: (1) Investir no Brasil nunca mais…Será mesmo? O que não te contam… e; (2) A verdade nua e crua: você poderia ter ganho mais dinheiro investindo em CDI ao invés do Ibovespa.

Desapegue do dia a dia

Tendo um planejamento de carteira robusto, tendo realizado uma boa base de proteção, separando investimentos de curto e médio prazo dos de longo prazo e fugindo de modismos, o que mais lhe resta é se desapegar do dia a dia, principalmente notícias.

Vamos supor o seguinte cenário: digamos que você tenha comprado um imóvel. De repente, uma bolha no mercado faz com que o preço dos imóveis oscile em demasia. Você estaria preocupado? Supostamente não, uma vez que você continua tendo aquele seu imóvel. Talvez se sinta até aliviado por não estar sentindo os efeitos destas oscilações.

E além disso, supondo que seu imóvel tenha se desvalorizado, você é obrigado a vender a um preço menor ao qual o comprou? De maneira alguma.

Da mesma forma, se você fez o dever de casa, o mercado financeiro deve ser encarado. Ter o valor de determinado ativo se desvalorizado não significa que você deva vende-lo, tampouco que você tenha perdido suas cotas. Você ainda as detém — como detém aquele seu imóvel.

No curto prazo, o preço dos ativos, é fortemente influenciado por notícias — geralmente sensacionalistas; no longo prazo, influenciado por fundamentos.

Sugestão de leitura: Os pilares que envolvem a escolha de uma Ação na Bolsa de Valores

Rebalanceie

Por último, e puxando um gancho do ponto anterior, faça rebalanceamentos pontuais na sua carteira.

Uma carteira é como uma balança, aonde você inclui diferentes ativos com o objetivo de equilibra-la. Com o tempo e com o andamento do mercado, alguns ativos podem acabar desequilibrando esta balança. E é aí que entra a importância de realizarmos rebalanceamentos pontuais ou periódicos.

Além disso, é a oportunidade de se utilizar de parte de uma ativo que se valorizou em demasia para comprar mais de um ativo que se desvalorizou também em demasia.

Sugestão de leitura: Porque, como e quando rebalancear uma carteira de investimentos

Considerações finais

Investir não deve ser complexo, são as pessoas que assim o querem fazer.

E pode ter certeza, quando alguém lhe disser que perdeu dinheiro em um determinado investimento, ela não seguiu os pontos mencionados neste artigo, ou seja, não entendeu o que é investir.

Espero que você possa ter cada vez mais consistência em seus investimentos.

Deixei diversas sugestões de leitura no decorrer deste artigo. Sugiro que as leia como estudo complementar.

Por fim, espero ter agregado conhecimento.

Como sempre, lhe desejo todo sucesso e prosperidade que sei que você merece.

Um forte abraço.

Paulo Boniatti

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