Apesar de já ter feito um artigo falando sobre, não tem jeito, alguns temas nós precisamos revivê-los constantemente, e esse é o caso da tão famigerada Reserva de Emergência.
Digamos que é um dos primeiros (ou primeiro) passos para quem quer começar a investir ou para quem busca apenas ter uma segurança em sua vida financeira.
Vejo muita gente começando a investir que ainda não se deu conta dessa necessidade ou simplesmente quer pular essa etapa.
Portanto, nesse artigo quero reviver pontos como:
- O que é Reserva de Emergência;
- Por que é importante ter a sua, e no local correto;
- Como compor a sua Reserva;
- Exemplos de investimentos;
- Considerações importantes.
Voltando ao básico!
O que é Reserva de Emergência
A Reserva de Emergência nada mais é que um montante financeiro que você destina para cobrir imprevistos de caráter emergencial:
- Perda de emprego;
- Enfermidades;
- Desastres;
- Custos imprevistos.
Alguns colocam aqui também questões de oportunidades. Discordo, oportunidade não deve ser considerado dentro da reserva de emergência. Para esse fim é que existe o que chamamos de Reserva de Oportunidade que é bastante similar em sua essência, mas possui um propósito diferente. Falarei mais no decorrer do artigo.
Por que é importante ter a sua, e no local correto
Muitos não se dão conta da importância de se ter uma Reserva de Emergência. E digo mais, da importância de se ter a reserva e com tipos de investimentos corretos.
Imagine uma situação em que você possua os mais variados investimentos e que, perante uma emergência, ao solicitar o resgate do dinheiro receba menos do que investiu. Ou até mesmo não consiga fazer o resgate devido ao vencimento do investimento.
Isso facilmente poderia ocorrer se você tivesse todo seu dinheiro investido em ativos na Bolsa de Valores (que possuem maior volatilidade no curto e médio prazo) como também em títulos de Renda Fixa que tenham vencimentos longos.
Entenda esse tipo de reserva como um seguro para emergências. Você deixa o dinheiro lá investido sem a intenção de utilizá-lo. Até porque, não temos como saber se esses imprevistos acontecerão, mas temos que ter certeza que se ocorrerem estaremos preparados.
Como compor a sua Reserva
Uma Reserva de Emergência precisa ser montada com aproximadamente 6 a 12 meses do custo de vida familiar. E, para isso, ter basicamente 3 características:
Liquidez
A característica, digamos que mais básica, trata-se da liquidez. Esse termo se refere ao tempo em que você consegue ter o dinheiro disponível em sua conta.
Por estarmos falando de emergência, precisamos que esse dinheiro possa ser resgatado de imediato ou no máximo no dia seguinte. É o que chamamos de liquidez D+0 ou D+1.
Você certamente, frente a uma emergência não vai querer esperar um tempo longo, até anos para conseguir o resgate do dinheiro.
Pós-fixados
A questão do pós-fixado, já citado em diversos outros artigos, se refere ao fato de que, em linhas gerais esse título tende a rentabilizar sempre positivamente ao longo de sua vida. Você não resgataria menos do que investiu.
Digo isso pois, a exemplo dos Tesouros Diretos Préfixado e IPCA+, possuem algo que chamamos de marcação a mercado que faz com que o preço do título oscile no curto e médio prazo. Já falei sobre marcação caso você esteja curioso em saber como funciona.
Para os mais experientes, sim, Tesouro Direto Selic também possui uma pequena parte que é sensibilizado por marcação. Mas o efeito é muito baixo.
Mas, concluindo esse ponto. Preferia títulos pós-fixados ligados ao CDI ou Selic. Se não sabe o que são CDI e Selic, leia esse outro artigo que falo sobre.
Segurança
Pessoalmente, esse é um dos pontos que mais levo como consideração.
A Reserva de Emergência precisa estar no local mais seguro possível, naquele que você sabe ou espera fortemente conseguir resgatar a qualquer momento com o mínimo de imprevisto.
Tente imaginar, no exato momento da necessidade do resgate, aquela instituição a qual você confiou sua reserva venha a quebrar. Apesar de na maioria das vezes você conseguir resgatar por meio de um FGC por exemplo, o prazo para tal pode não atender a sua necessidade.
Exemplos de investimentos
Sabendo de tudo isso, apenas alguns tipos de investimentos poderão cumprir com a maioria ou a grande maioria dessas características. Cito-os abaixo:
Tesouro Direto Selic
O Tesouro Selic faz parte do programa do Tesouro Direto.
Liquidez
É D+1, ou seja, pede-se resgate hoje, tem-se o dinheiro em conta no dia útil seguinte.
Pós Fixado
Rentabiliza 100% da Taxa Selic. Atualmente com a Selic em 2,50% ao ano esse investimento também rentabilizará algo muito próximo (menos imposto de renda).
Segurança
É um dos títulos mais seguros do mercado, afinal, não tenha dúvida que, se o Governo deixar de pagar sua dívida, todo o resto dos investimentos de Renda Fixa (incluindo sua Caderneta de Poupança) terão problemas. Sugiro leitura complementar falando do FGC para você entender melhor.
Investimento Mínimo
Atualmente seu investimento mínimo gira um pouco mais de R$ 100. Como vemos abaixo:

CDB – Certificado de Depósito Bancário
Os CDBs são muito populares e ofertados em uma variedade bastante considerável.
Apesar de podemos nos utilizar de CDBs para a Reserva de Emergência, precisamos tomar alguns cuidados:
Liquidez
Para esse fim, é preciso que o CDB obedeça ao critério da liquidez diária (D+0 ou D+1). Tem muito CDB com vencimento longo (até 10 anos).
Pós Fixado
Já falamos a respeito da necessidade de optarmos pelos pós-fixados. Nesse quesito, geralmente esses CDBs de liquidez diária oferecem 100% (ou algo próximo) do CDI.
Algumas instituições de maior risco oferecem CDBs de até 200% do CDI. Sou muito descrente nesse tipo de oferta pelo fato de que, como cito, uma das principais características de uma reserva tem que ser a segurança.
Se uma instituição eleva em demasiado sua oferta sobre esses títulos, não tenha dúvida que seu risco também é mais elevado. Nem sempre vale assumir esse risco/retorno na parte mais segura de seus investimentos.
Segurança
Os CDBs possuem o respaldo do FGC em até R$ 250 mil por CPF vs Conglomerado Financeiro limitados a R$ 1 milhão totais por CPF.
Portanto, possuem um órgão dando uma certa segurança por trás das instituições financeiras. Novamente, leia o artigo do FGC para corroborar com sua escolha.
Investimento Mínimo
De maneira geral você consegue investir nesses tipos de CDBs a partir de R$ 100. Algumas instituições oferecem valores mínimos até mais baixos que isso.
Contas remuneradas
Muito semelhantes aos CDBs. Aqui citamos NuConta e PicPay. São contas onde a partir do momento em que você deposita dinheiro na conta, o montante passa a rentabilizar.
Apesar de podemos nos utilizar dessas contas para a Reserva de Emergência, precisamos tomar alguns cuidados:
Liquidez
Essas contas oferecem liquidez imediata. Isso é positivo.
Pós Fixado
Geralmente esse tipo de conta irá rentabilizar próximo a 100% do CDI. Alguns exemplos como é o caso do PicPay costuma em alguns momentos oferecer uma rentabilidade próxima a 200% do CDI.
A mesma ressalva que fiz com relação aos CDBs, faço aqui. Sou muito descrente nesse tipo de oferta pelo fato de que, como cito, uma das principais características de uma reserva tem que ser a segurança.
Se uma instituição eleva em demasiado sua promessa de rentabilidade, não tenha dúvida que seu risco também será elevado. Nem sempre vale assumir esse risco/retorno na parte mais segura de seus investimentos.
Segurança
Apesar de, como é o caso do PicPay, não haver FGC, podemos dizer que possuem a segurança dos títulos públicos, uma vez que esse tipo de conta investe nos títulos do governo. Se o banco vir a quebrar você consegue recuperar o capital.
Para o NuConta o funcionamento padrão é similar ao PicPay, salvo se você ativar a opção RDB que é semelhante a um CDB, e nesse caso passa a ter a segurança do FGC. As mesmas ressalvas feitas anteriormente para o CDB valem aqui.
Investimento Mínimo
Não há, qualquer dinheiro depositado na conta já começa a rentabilizar.
Fundos DI
São facilmente encontrados em corretoras de valores. Em seu nome aparece a denominação DI que se remete ao CDI.
Liquidez
Assim como os exemplos anteriores. Atente-se a liquidez (D+0 ou D+1).
Pós Fixado
Por serem atrelados ao DI (CDI) seguirão de perto o próprio CDI.
Segurança
O risco é diluído entre os títulos pelo qual o fundo investe. Possuem mecanismos de segurança contra risco de crédito e são altamente regulados pela CVM – Comissão de Valores Mobiliários.
Investimento Mínimo
Geralmente acima de R$ 100 você consegue encontrar fundos desse tipo.
Considerações Importantes
Quero trazer alguns pontos que acho importante reforçarmos:
Prefira a segurança
Se há algo que gostaria que você levasse desse artigo é sobre a necessidade de se ter uma Reserva de Emergência, e mais do que isso, da necessidade de preferir por segurança ao invés de altas rentabilidades.
Apesar de algumas instituições oferecerem 200% do CDI, você deveria preferir a segurança extrema. Por outro lado, com o restante dos seus investimentos, sem problemas se arriscar mais, desde que com sabedoria.
Vejo muita gente guardando sua reserva em bancos que supostamente oferecem rentabilidade levemente melhor com um risco muito maior.
Somente para que tenha ideia, tomando como base a Taxa Selic do início de 2021, investir R$ 1 mil com 100% do CDI lhe renderia R$ 20 em um ano contra R$ 40 de um CDB 200% do CDI.
Pergunto, R$ 20 reais a mais é o que lhe deixou rico? Acredito que não, mas possivelmente é o que lhe deixou com mais risco.
Reserva de Oportunidade
Já vi gente dizendo que pode usar a Reserva de Emergência como Reserva de Oportunidade. Discordo fortemente!
Tente imaginar você se utilizando dessa reserva para a oportunidade de algum outro investimento e nesse momento a emergência chega. Um erro gravíssimo. Cada coisa em seu devido cesto.
Mas, vamos supor que você ultrapasse os R$ 5 milhões de capital investido. Acredito que ver seu patrimônio cair pela metade durante uma crise de mercado, e então ter uma emergência que lhe custe algumas dezenas de milhares de reais não lhe cause um grave problema. Seu patrimônio é exorbitantemente grande.
Portanto, chega um ponto onde as regras de 6 a 12 meses do custo de vida são minimizadas pelo volume financeiro que a pessoa possui. Isso vale também para a Reserva de Oportunidade onde tudo se transforma apenas no que chamamos de Caixa.
É preciso ter a Reserva de Emergência montada antes de investir em outros ativos?
Não acredito nessa tese. Acredito sim que é preciso ter uma Reserva de Emergência, mas não que uma coisa exclui a outra.
Para quem ainda esteja bem no começo, quem sabe ponderar 90% do aporte para a reserva e os outros 10% para outros tipos de investimentos? É uma opção.
Aonde encontrar esses investimentos?
Em corretoras de valores. Já fiz um artigo falando sobre elas, mas podemos citar algumas das mais badaladas atualmente: Rico, Easynvest, XP, BTG, Órama entre outras.
Conclusão
Resumindo tudo isso:
- Reserva de emergência é para e apenas para emergências;
- Prefira títulos com alta liquidez, pós-fixados ao CDI ou Selic com segurança;
- Não foque em rentabilidade, o foco aqui é solidez. Quanto mais seguro melhor;
- Reserva de emergência é diferente de oportunidade.
Por fim, espero ter agregado conhecimento.
Sou Paulo Boniatti, um forte abraço, até o próximo artigo e tchau.
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