Reserva de Oportunidade – Minha opinião

Existe uma polêmica entre pessoas do mercado com relação ao investidor ter ou não uma Reserva de Oportunidade, vulgo “caixa”.

Pessoas como Fabio Holder, Eduardo Cavalcanti e Lucas Pit defendem a tese de que preço não importa e que por isso o investidor poderia estar posicionado 100% em Renda Variável.

Do outro lado, Thiago Nigro, Richard Rytenband e Tiago Reis defendem o contrário, acreditam que preço importa e que por isso é preciso a criação de um colchão para grandes crises.

Ambos os lados trazem estudos de que uma estratégia será mais vantajosa que a outra no longo prazo. Ambos possuem argumentos bastante válidos e ambos podem também ser rebatidos por opositores.

Mas afinal, o que eu penso sobre isso?

Como Warren Buffett diz, “No mundo dos negócios, o espelho retrovisor é sempre mais claro que o para-brisa”.

Isso quer dizer que, pela cultura humana, tentamos entender o passado para justificar o presente e tentar antecipar o futuro. São muitos os estudos tentando provar ambas as teses.

É muito fácil montar qualquer levantamento de dados e dizer que uma coisa é melhor que a outra. Mas, poucos se lembram que a única certeza é de que não temos a capacidade de prever o futuro.

Diante disso, gosto de um conceito difundindo por Nassin Taleb, principalmente em seu livro O Cisne Negro, ele aborda o conceito como um evento raro, não previsto e que nos impacta profundamente.

Exemplos dos últimos Cisnes Negros:

  • Queda das Torres Gêmeas (2001);
  • Crise do Subprime (2008);
  • Covid-19 (2020);

Baseado em incertezas e se apegando ao fato da existência dos Cisnes Negros, pergunto:

  • EUA continuará sendo a maior economia mundial?
  • À medida que a dívida mundial está cada vez maior, o mundo entrará em um colapso?
  • Brasil voltará a crescer?
  • Real continuará perdendo valor frente ao Dólar?
  • Brasil voltará a ter taxas de juros de mais de 20% (a.a.) em um passado não tão distante?

Quem pode afirmar com absoluta certeza uma resposta para qualquer uma dessas questões? O que existem são opiniões, mas de certeza não temos nada.

Novamente, não temos como nos apegar ao passado para tentar prever o futuro. Se quer o fato de que Renda Variável sempre se valoriza após crises podemos afirmar com 100% de certeza. Observe por exemplo o que aconteceu com a Bolsa japonesa de 1990 até hoje:

No fim dos anos 90, muitos consideravam o Japão candidato a se tornar a maior economia mundial, à frente dos EUA. Fato que não se concretizou e pior, estagnou a economia do país do sol nascente.

Se você fosse um investidor japonês e falasse para ele que Renda Variável só se valoriza, estaria completamente equivocado.

Portanto, novamente, dentre aqueles que defendem um lado ou outro do negócio, cada um tem suas razões baseado em estudos e são investidores profissionais. Possuem análise de riscos e sabem exatamente onde estão pisando.

Contudo, para quem está começando, gosto de dizer: “se for ao mar, vá com colete salva-vidas”. Isso quer dizer que, eu apoio o lado de que ter uma reserva de oportunidade é importante frente as incertezas.

Fazendo um levantamento, Warren Buffett, um dos maiores investidores de todos os tempos, possui um caixa, crescente, de aproximadamente US$ 145 bilhões. Luiz Barsi, um dos maiores investidores de bolsa no Brasil, não consegui obter os valores, mas ele publicamente diz que também se utiliza de caixa.

Como me protejo frente as incertezas?

Baseado em outro conceito de Nassin Taleb descrito em seu livro O Antifrágil (coisas que se beneficiam com o caos), prefiro não estar totalmente exposto a qualquer classe de ativos. Dou preferência à proteção.

Frente as incertezas, prezo pela possibilidade de estar rentabilizando positivamente minha carteira em ao menos uma das partes beneficiadas: Caixa, Dólar, Bolsa.

  • E se o risco fiscal do Brasil aumentar ainda mais?

Se isso ocorrer, em tese o país é pressionado a aumentar a Taxa Básica de Juros (Selic). Favorece parte Caixa;

  • E se a economia mundial entrar em colapso?

Se isso ocorrer, grandes chances de uma valorização do Dólar causado por investidores buscando ativos “mais” seguros. Favorece parte Dólar.

  • E se o Brasil der certo e voltar a crescer?

Nesse sentido também fico satisfeito. Favorece parte em Renda Variável.

  • E se o Real continuar perdendo valor frente ao Dólar?

Sem problemas. Favorece parte Dólar.

  • E assim sucessivamente…

A ideia geral é pensarmos, e se isso acontecer, como podemos nos proteger?

Mantenha sua sanidade

Tirando o viés de qual das estratégias rendeu mais se olharmos o retrovisor, uma das principais vantagens de você estar exposto a classes de ativos que se comportem de maneira distinta em diferentes momentos econômicos, é você manter sua tranquilidade, sua sanidade e seu sono.

Coloque-se na posição daquela pessoa que investiu 100% do seu patrimônio em ações e o viu desvalorizar próximo a 50% em questão de poucos dias durante uma das maiores crises já presenciadas, a de 2020.

Supostamente para alguns isso foi um susto passageiro uma vez que na mesma proporção da queda, houve uma forte alta logo nos meses seguintes, como se crise alguma tivesse ocorrido.

Mas, sem dúvidas, muitas pessoas na mesma situação perderam dinheiro por terem o psicológico abalado pelas perdas pontuais. E, é nesse sentido que aquela Reserva de Oportunidade vem para minimizar a volatilidade e a desvalorização pontual da carteira e lhe permitir usá-lo pontualmente para adquirir ações de empresas que supostamente caíram a preços pouco vistos antes.

E se a Bolsa não tivesse se recuperado? E se estivermos prestes a outras quedas? E se…?

Conclusão

O debate é polêmico e ambos os lados possuem suas afirmações, todas muito válidas dentro de seus estudos.

No fim das contas, o que importa é você manter seus aportes com regularidade e continuar investindo para o longo prazo. Se for em Bolsa, que seja em empresas lucrativas, saudáveis a bons preços.

E, a questão de ter ou não um caixa, cabe a você ponderar sabendo que nenhum estudo do passado poderá lhe dar certezas do futuro, salvo se for para dizer que o futuro é incerto.

Portanto, novamente, sabendo de nossas limitações é que não me exponho 100% em uma das classes de ativos. Prefiro estar sempre exposto a classes que possam trabalhar em conjunto permitindo que minha carteira esteja se valorizando na maior parte do tempo.

Espero ter conseguido contribuir com esse tema, que está entre um dos mais polêmicos dentre os investidores.

Compartilhe conhecimento, compartilhe educação financeira.

Por fim, sou Paulo Boniatti, um grande abraço, até o próximo artigo e tchau!

Escritor, autor do livro Montando uma Carteira de Investimentos Inteligente. Paulo Boniatti é pós-graduado em Gestão em Mercado Financeiro pela FAE Business School. Especialista em investimentos e adepto da filosofia do antifrágil, tem como principal característica a maneira simples e descomplicada de explicar o mercado financeiro. Além de youtuber e criador do canal SaldoZero, é também gestor do Clube de Investimentos Opportuna CI.

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