Como saber se meus investimentos estão indo bem? Esta foi uma pergunta que recebi lá no Youtube. Achei uma pergunta extremamente pertinente, digna não de uma simples resposta, mas de um material mais trabalhado.
Se você tem esta dúvida, ou se este tema lhe interessa, confia e vem comigo.
O que é bom para mim, talvez não seja para você
A primeira coisa que precisamos entender: o que é bom para mim, talvez não seja para você.
Por que uma pessoa vai investir em um título de renda fixa prefixado? Possivelmente porque tenha um objetivo claro ao qual a levou escolher aquele investimento. É o melhor investimento? Para ela, talvez seja.
Do outro lado, por que uma pessoa vai investir em uma empresa na Bolsa? Supostamente tenha objetivos de que aquele investimento venha a se valorizar mais no médio e longo prazo, se comparado a investimentos mais conservadores.
Enfim, cada pessoa terá um determinado objetivo. E a resposta mais simples, neste sentido, para dizermos se um investimento está indo bem é compreendê-lo como um veículo, nada mais que isso.
Se temos um objetivo muito claro, e temos ciência que escolhemos o melhor veículo para alcançar este objetivo, começa a ficar mais fácil de entendermos como mensurar se este veículo está nos deixando mais próximos ou mais distantes do nosso objetivo.
Como eu disse: o que é bom para mim, talvez não seja para você.
Nem tudo se resume a valorização
É comum sermos levados a entender que, se temos valorização igual ou acima do esperado, está tudo bem. Do outro lado a mesma coisa, tendemos a pensar que, se temos uma valorização abaixo do esperado, está ruim.
Inclusive, uma crítica a pessoas que investem em fundos de investimentos de ações e reclamam de sua rentabilidade. Obviamente que existem fundos que ficam aquém em seus resultados. Mas, o reclame geralmente vem ligado ao desconhecimento e desalinhamento de objetivo ao veículo, ou seja, ao produto ao qual se investiu.
Ainda pensamos muito com cabeça de rentistas. Aquele 1% ao mês. Infelizmente, este tipo de pensamento é um dos principais causadores de equívocos no mercado financeiro.
Não quero generalizar. Quando falamos de títulos de renda fixa, podemos muito bem entender que o resultado de um investimento está ligado à sua rentabilidade. O mesmo vai acontecer para operações de curto prazo, aonde a busca é somente aquele retorno rápido. Poderíamos citar as operações de Day Trade e Swing Trade.
Contudo, olhar para uma carteira de investimentos com foco de longo prazo — e que inclui ativos de renda variável —, e concluir, no curto e médio prazo, que ela está rentabilizando abaixo do esperado, pode acabar nos motivando a trocar alguma posição equivocadamente.
E, como bem diz o ditado: dinheiro é igual sabão, quanto mais mexe, mais rápido acaba.
Por que estamos comprando?
Queria me fixar agora em duas principais classes de ativos dentro de renda variável: ações e fundos imobiliários.
Quando olhamos para estas classes de ativos como veículos que podem ser, poderíamos dizer claramente que: o objetivo de ações é potencializar seus ganhos de capital no longo prazo por meio da geração de lucro e crescimento do patrimônio da empresa ao qual se está investindo. É você não comprando um simples papel, mas comprando parte de uma empresa. É você dono.
Sugiro a leitura: O que eu gostaria que me ensinassem antes de ter começado a investir em ações
Do outro lado, ao olhar para fundos imobiliários, o principal objetivo é o investimento no setor imobiliário com foco no recebimento de renda passiva.
Em alguns casos estas classes podem, inclusive, se contraporem: podemos investir em uma empresa com alto índice de pagamento de dividendos e que, por isso, tem foco a geração de renda passiva. Ou, podemos investir em um fundo imobiliário com um olhar mais especulativo visando uma valorização maior do patrimônio do fundo.
De todo modo, em linhas gerais, poderíamos dizer que, ao comprar uma empresa, estamos comprando seu lucro e seu patrimônio. E, ao comprar um fundo imobiliário, estamos comprando seus proventos.
Preço é consequência
Sabendo os motivos que nos fazem comprar uma ação e um fundo imobiliário, posso dizer: preço é uma mera consequência.
O que torna um Iphone tão valioso? É sua tecnologia? Em certa parte, pode ser. Mas o que mais lhe torna tão cobiçado e valioso é o valor que as pessoas acreditam que ele possui.
Da mesma maneira acontecerá com ações e fundos imobiliários. O que tornará uma ação mais valiosa? É o resultado de anos de crescimento e geração de lucro de uma companhia com a expectativa que aqueles resultados perdurem. O mesmo, com fundos imobiliários.
E por isso faço um 360º ao início deste artigo: por qual motivo você está investindo em ações e fundos imobiliários?
Se está comprando uma empresa por sua capacidade de geração de lucro e crescimento, como saber se este seu investimento está indo bem? Simples, analisando se os lucros e o crescimento dela está aderente ao que você esperava ao estudar e compra-la.
E veja, não estou falando de preço das ações. O preço será uma mera coincidência no médio e longo prazo de acordo com os resultados desta empresa: lucro e patrimônio. Novamente leia o artigo citado anteriormente.
Se você comprou, por exemplo, uma empresa por ter um retorno sobre o capital do acionista (ROE) de mais de 20%, e ela mantém ou supera isso, ótimo! Seu investimento está indo muito bem. De outro modo, se este retorno sobre o capital cai para baixo de 10%, supostamente este investimento já foi melhor.
Assim também, se você comprou um fundo imobiliário bem diversificado, com ótimos clientes, boa geolocalização, contratos robustos, baixa vacância, resiliente e com um dividend yield superior a 10%, e se, este fundo consegue manter esta qualidade, ótimo! Seu investimento está indo muito bem.
Novamente, valorização do preço das cotas, será consequência. Consequência da qualidade do ativo. No curto prazo, salvo se você for um day trader, preocupar-se com rentabilidade destes ativos é sinal que você está investindo pensando somente na velocidade do veículo e não necessariamente no seu propósito.
Considerações finais
Se você acompanha a série da Carteira Pública lá no Youtube, penso que tenha ficado mais claro do porquê não fico mencionando rentabilidade de curto prazo da carteira. O motivo é que, mais de 60% dela está alocada em ativos de renda variável: ações e fundos imobiliários.
E neste sentido, como sei que meus investimentos estão indo bem? Simples, como já citei: pelos lucros e crescimento das empresas, e pela constância e recorrência dos proventos de fundos imobiliários atrelados a seus resultados.
Valorização das ações e cotas são esperadas? Obviamente que sim. Seria hipócrita em dizer algo contrário. A diferença é que não espero que isso ocorra no curto e médio prazo, mas sim, no longo prazo.
Ponto inclusive que me dá maior tranquilidade em comprar empresas e fundos imobiliários em momentos de quedas — e melhor ainda em momentos de grandes quedas —, quando seus lucros e recebíveis se mantém a um bom nível de qualidade.
Portanto, a melhor maneira de você saber se um investimento está indo bem, é conhece-lo muito bem. Alinhar objetivo e veículo antes de velocidade; alinhar objetivo e investimento antes de rentabilidade.
Menos expectativas de curto prazo, mais discernimentos de longo prazo. É isso que eu desejo a você hoje.
Sucesso e prosperidade,