Quando estamos começando a investir, naquele processo migratório da Caderneta de Poupança para outros produtos mais sofisticados, é comum que na grande maioria das vezes a opção de investimento envolva títulos como os do Tesouro Direto ou os famigerados CDBs.
Nesse momento, o investidor se depara com opções de CDBs oferecendo até mais do que 11% de rentabilidade anual. Se comparamos com a atual rentabilidade da poupança por volta de 3,15% (a.a.) — data base 21 de junho de 2021 — não podemos negar que se trata de uma rentabilidade bastante atrativa.
No dia em que escrevo, sem citar nomes, encontrei disponível um CDB prometendo 13,50% (a.a.) para 10 anos. Isso quer dizer que, se investíssemos R$ 10 mil, ao fim do período, esse capital teria se transformado em R$ 30 mil aproximadamente.
Mas, aí entram questões como: Quais os riscos desses CDBs? Quais pontos devem ser levados em conta antes de investir em títulos assim?
E é aqui que entramos no tema principal desse artigo: ajudar você a discernir sobre questões importantes, e, se para você vale a pena, ou não, investir em títulos como esse.
Vem comigo!
Disclaimer
Lembrando, esse artigo não se trata de recomendação de compra e venda. Tem caráter exclusivo de compartilhamento de conhecimento.
Antes de qualquer investimento, estude e pondere. Dê valor a seu suado dinheiro.
Continuando…
O que são CDBs
Não quero entrar nos mínimos detalhes do que são CDBs, uma vez que esse título já foi exaustivamente abordado em diversos outros artigos do canal. Sugiro inclusive suas leituras.
Mas, de maneira bastante objetiva, CDB ou Certificado de Depósito Bancário é um tipo de investimento, chamado título, emitido por um banco pelo qual você, investidor, empresta dinheiro para essa instituição bancária em troca de uma remuneração (juros) futura.
Nesse sentido, entenda que, um CDB oferecendo uma taxa de 11% (a.a.) significa que ele irá remunerar seu capital investido a essa taxa anualmente até seu vencimento. E ao fim, todo o capital corrigido lhe será devolvido.
Relação risco retorno
Quando nos deparamos com a vasta oferta de CDBs nas corretoras, notaremos que alguns títulos oferecerão rentabilidades mais modestas, enquanto outros, mais agressivas. Por qual motivo há essa disparidade?
Tudo isso, está relacionado ao risco vs retorno. É preciso ter ciência que em tudo há risco, inclusive sua poupança não é 100% segura. Mas, o que influência essa relação? Em suma: credibilidade e prazo. Explico.
Credibilidade
Vamos supor duas ofertas de CDBs:
- Primeiro: do Banco A, com uma longa história, bastante consolidado onde poucos ousariam duvidas de sua solides
- Segundo: do Banco B, um banco jovem, sem uma história ainda consolidada e que gera algumas desconfianças.
Supondo que ambos os bancos emitam CDBs prometendo a mesma rentabilidade, por qual você optaria? Uma vez que a promessa de retorno é a mesma, suponho que pelo banco de maior reputação, o Banco A.
Nesse sentido, para que o banco de menor reputação tenha condições de também captar recursos, será necessário que prometa uma rentabilidade superior até o ponto em que investidores mais arrojados se interessem por seus títulos.
Prazo
Outra questão que interfere na rentabilidade é o prazo. Vamos novamente supor duas ofertas, todavia, do mesmo banco:
- Primeiro: oferta de um CDB com vencimento para 1 ano;
- Segundo: oferta de um CDB com vencimento para 10 anos.
Da mesma maneira como refletido anteriormente, supondo que ambos os títulos emitidos ofereçam a mesma rentabilidade, por qual você optaria? Lembrando que estamos falando do mesmo banco.
Se colocarmos na conta que, se 1 ano já é difícil prevermos o futuro do nosso país, quem dirá 10 anos. Nesse sentido, como ambos os títulos são do mesmo banco e estão oferendo a mesma rentabilidade, muitos optariam pelo título de menor vencimento.
E da mesma forma, se o banco quer captar recursos com vencimento mais longo, terá que ofertar uma rentabilidade maior se comparado aos títulos de curto prazo.
Maior rentabilidade, maior é o risco?
Imagino que nesse ponto tenha ficado claro os motivos que certos bancos ofertam títulos prometendo rentabilidades superiores à de bancos mais tradicionais: quanto menor o banco e maior o prazo, maior tende a ser o risco.
Mas, qual o risco efetivo? Simples, o da insolvência, ou, vulgo quebra. Contudo, vamos ponderar outras questões.
Nem tudo é grande demais a ponto de ser totalmente blindado, tampouco pequeno demais para ser ignorado.
Nenhum banco, seja ele grande ou pequeno está isento de quebra. Vide grandes bancos de investimentos nos EUA durante a Crise do Subprime, ou até mesmo, para os mais antigos, lembrem-se do Banco Bamerindus, por exemplo.
Nesse sentido, quero trazer a figura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) que tem como objetivo assegurar ao investidor, em caso de quebra do banco, até R$ 250 mil por CPF vs Conglomerado Financeiro, limitados até R$ 1 milhão.
Isso por si só seria suficiente para nos deixar seguros, certo? Mais ou menos.
A questão que nem todos ponderam: se um banco pequeno ou médio quebrar, o FGC terá maiores condições de assegurar o capital dos investidores — assim como vem assegurando. Agora, do outro lado, se um grande banco quebrar, o fundo garantidor de crédito possivelmente não teria condições de cobrir o sistema por si só — por falta de disponibilidade financeira.
Sugiro a leitura do artigo que trago detalhes financeiras que envolvem o FGC: FGC – O que é? É seguro? Pode quebrar?
Não quero lhe causar desconfianças com relação a esse produto, nem quero que isso seja algo decisório para que mantenha seus recursos na caderneta de poupança, ou que desista de começar a investir. Quero apenas que pondere por um ângulo maior do que o da maioria dos jovens investidores.
Os CDBs, de maneira geral, são produtos bastante estáveis, e devido sua forma de rentabilização, causam menos stresses a jovens investidores, ou investidores que são mais avessos ao risco e não suportariam ver seu capital oscilando como ocorre em ações e fundos imobiliários, por exemplo. Assim também o FGC é um mecanismo que visa aumentar a segurança desses títulos. Inclusive ele assegura, da mesma forma, as cadernetas de poupança.
Importante complementar que, em caso de quebra do banco, o FGC assegura o capital investido somado a rentabilização acumulada até a data da decretação da falência.
Novamente, leia o artigo com os detalhes da solidez do Fundo Garantidor de Crédito: FGC – O que é? É seguro? Pode quebrar?
Devo ter CDBs na carteira?
Eis um ponto que cada investidor precisa saber ponderar. Quero trazer algumas questões para auxiliar você nesse processo decisório:
Qual o horizonte de tempo pelo qual está se investindo?
Na grande maioria dos casos, salvo CDBs com liquidez diária, o resgate do recurso se dará no vencimento. Investir em um CDB com vencimento para 10 anos, está ok para você deixar seu dinheiro preso por todo esse tempo? Alguns não podem se dar a esse “luxo”.
Qual o objetivo do investimento?
Muito investem sem objetivos, e diante disso acabam tomando decisões equivocadas. Por qual motivo você está investindo? Qual seu objetivo com esse recurso: viagem, troca de carro, somente valorizar o capital?
São questões que devem ser ponderadas. Supostamente, caso seja para uma liberdade financeira, para daqui 30 anos, ou de geração de renda passiva, pode ser que existam outros tipos de produtos mais interessantes.
Sugiro a leitura: Para quem não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve
Qual o montante tenho para investir?
Supondo que você tenha menos de R$ 200 mil, possivelmente esteja assegurado pelo FGC — sempre pondere os riscos dessa instituição também. Mas, se tiver um montante superior a esse, não seria o caso de diversificar em outras classes e não concentrar, incorrendo em demasia do risco de uma única classe?
Tudo precisa ser muito bem ponderado.
CDBs acima de 11%, valem a pena?
Tendo ciência dos riscos, das limitações do FGC, dos vencimentos geralmente mais longos e se o investimento está alinhado aos objetivos pessoais, é uma opção que está a mesa. São títulos simples, fáceis de se compreender e com baixa volatilidade. Agora, até onde vale a pena, cada um precisará ponderar.
Como sempre gosto de dizer, não há o melhor ou o pior investimento, mas aquele que irá atender aos seus objetivos.
Inegavelmente, rentabilidade acima de 11% em renda fixa é algo que não será encontrado facilmente em outros países, assim como os riscos ligados a esses títulos também. É um “luxo” brasileiro. Mas, novamente, ponderação sempre.
Nem todos possuem perfil para títulos mais arriscados, assim como nem todos possuem perfil para investimentos em produtos ainda mais sofisticados, como ações e fundos imobiliários, por exemplo.
O mais importante é estar ciente, ponderar todos os riscos e alinhar as opções aos seus objetivos.
Espero ter agregado conhecimento.
Por fim, sou Paulo Boniatti, um forte abraço e tchau!