Como eu investiria R$10 mil hoje?

O mercado financeiro, esse mundo alucinado dos investimentos, está em constante mudança, o que nos faz sempre estar pensando em qual a melhor oportunidade de investimento para o hoje.

Como exemplo, há pouco menos de 3 anos estávamos vivendo o boom do mercado acionário; hoje, ao que parece, esse tipo de ativo não faz mais gosto da maioria.

Ou, mesmo quando falamos de criptomoedas, lhe soa estranho este tema ter esfriado nos diversos canais sobre investimentos?

É, definitivamente, nós e aqueles que divulgam informação tendem a ser levados pelas modas do momento. O problema disso sabe qual é? Modas são passageiras.

Independentemente disso, e olhando para o agora, ano de 2022 e quase 2023, como eu investiria R$1 mil, R$10 mil ou R$100 mil, considerando um horizonte de longo prazo?

É sobre isso que falaremos.

As bases de uma carteira de investimentos

Muita gente, quando quer começar a investir, tende a buscar — ou acreditar — o melhor investimento. O problema disso, como antecipei, é que modas são passageiras. O melhor hoje pode ser o pior amanhã.

Termos investimentos deixando de ser tendências é extremamente normal — e importantíssimo para nossa carteira. Chamamos isso de ciclos. O mercado financeiro gira em ciclos de baixas e altas em todas suas classes de ativos.

E diferentemente do que os novatos acreditam, é nos supostos piores momentos que temos as melhores oportunidades.

Mas, como identificarmos estes ciclos? É extremamente complexo e difícil. É por isso que, uma das maneiras mais simples é não apostarmos em um único ativo, mas compormos uma carteira com diferentes classes e ativos a qual se complementem de maneira a nos possibilitar excelentes resultados.

Estas classes são as bases, os alicerces, de uma carteira de investimentos. Não entrarei no detalhe de cada classe, uma vez que diversos outros materiais aqui no canal complementam. Ademais, e se for necessário, trarei ainda mais material abordando.

De todo modo, a base da carteira do SaldoZero — e do Sabbius — se resume a: (1) proteção caixa; (2) proteção cambial; e (3) agressão em renda variável.

Aqui já note, não estamos apostando no que é melhor hoje: Renda Fixa ou Variável? Brasil ou exterior? Nada disso! Todas as classes, se bem pensadas, servem como bons jogadores dentro de um grande time.

Como eu investiria R$10 mil em 2022 e 2023

Para os que me acompanham a mais tempo, o que falarei daqui para frente talvez não traga muita novidade, e pode até parecer o mesmo de sempre. É o tal do, no mercado financeiro, fazer o simples pode não ser sexy. De todo modo, nós sempre podemos absorver algo novo.

Seguimos.

Diversificando em classes

Se eu estivesse começando a investir hoje, e independentemente se fosse um capital de R$1 mil, R$10 mil ou R$100 mil, como eu montaria minha carteira?

Destes, 30% eu reservaria para o caixa. O que é o caixa? Nada mais é que a famigerada reserva de oportunidade. Montante este que reservamos para boas oportunidades que, não sabemos quando ocorrerão, mas quando ocorrem, quem tem caixa se aproveita.

Além disso, é um montante que tende a se valorizar melhor em momentos de incertezas econômicas, como é o caso atual, aonde nossa Taxa Selic está em 13,75%.

Esta parte eu alocaria em Tesouro Selic, que remunera o mesmo percentual da Taxa Selic, simples assim. Não vejo motivos para escolher outro tipo de ativo quando temos este, que é considerado o investimento de menor risco do mercado financeiro.

Da parte que sobra, 10% eu alocaria em proteção cambial. Proteção cambial não se trata de investimentos no exterior, mas se expor a moeda americana, ao Dólar. Como fazer isso? Por fundos cambiais, por exemplo.

Note, 40% da carteira foi destinado a proteções. É uma parte que muita gente ignora. Proteção de carteira é essencial para quem quer se manter vivo para o longo prazo.

Há quem diga que reserva de oportunidade é desnecessária para o longo prazo. O problema é que a grande maioria das pessoas não está preparada para ver seus investimentos derreterem 50% em questão de 2 meses.

Ninguém constrói uma casa sobre uma base fraca. Se assim fizer sabe que corre um grande risco. Eu não ousaria a ficar sem estas proteções.

Agora, do nosso capital, temos 60% ainda para investir. Aqui entra a parte de maior adrenalina. Um mundo desconhecido para muita gente: a renda variável.

Composição Macro

Diversificando em renda variável

Tenha em mente, renda variável varia. E algumas vezes varia muito.

Mas lembre-se, nesta carteira já tenho 40% de proteção. Se a parte de renda variável se desvalorizar por algum motivo, e se tenho convicção de que possuo ativos de qualidade, pode ser um ótimo momento para utilizar parte destas proteções e aproveitar para comprar ainda mais de renda variável.

Sabendo disso, como eu dividiria esta parte tão importante da carteira? Primeiro, eu a dividiria em 4 subpartes: (1) 40% ações; (2) 30% fundos imobiliários; (3) 20% exterior e; (4) 10% criptos.

Composição Macro

Ações

Para ações, eu começaria escolhendo 5 empresas de 5 setores distintos. De início, o ideal não é diversificar em demasia. É melhor ter menos empresas que se estude bem, do que muitas empresas que não se faça ideia do porque está se investindo.

Além disso, setores diferentes podem trazer certa redução de volatilidade, uma vez que possuem ciclos e comportamentos diferentes.

Começaria preferindo setores como: elétrico, bancário, saúde e seguros. Por que são os melhores? Não necessariamente. Mas porque são os que eu mais estudo e conheço. Isso é importante.

Colocaria o mesmo montante em cada uma das empresas. Salvo se eu estivesse convicto que uma tese de investimentos realmente fosse melhor do que outra. Mas duvido que tenhamos esta clareza para um horizonte de 10 ou mais anos.

Composição Macro

Fundos imobiliários

Da mesma maneira como faria para ações, faria também para fundos imobiliários. Escolheria 3 fundos imobiliários de tipos e setores distintos: galpões logísticos, prédios comerciais e talvez um fundo de fundo.

Composição Macro

Exterior

Para o exterior, eu preferiria começar por ETFs (exchange traded funds). Possivelmente investiria no IVV, que segue o índice S&P500 americano.

A vantagem é que não é necessário se preocupar com uma ou outra empresa, mas tão somente com o andamento do mercado financeiro americano que, ao longo de décadas, se mostrou o principal e maior de todo o mundo.

Composição Macro

Criptos

Por último, e não menos importante, eu não ficaria de fora de colocar uma parte, mesmo que pequena, em criptomoedas. A tese, em resumo é: seguro contra um colapso. Colocaria metade em Bitcoin e metade em Ethereum, duas das principais criptomoedas da atualidade.

Composição Macro

Alocação geral

O que eu faria, resumidamente, portanto, é o que vemos abaixo:

Composição Macro

Ou, colocando todos os ativos no mesmo cesto:

Composição Macro

Considerações finais

Esta seria a maneira como eu recomeçaria minha carteira de investimentos hoje, independentemente do montante a ser investido.

Note que não estaria investindo no “melhor ativo”, mas na maneira que entendo ser a melhor para o longo prazo. Alguns pontos finais:

Em novos aportes eu estaria focado em manter os percentuais que foram definidos. O mesmo ocorreria em rebalanceamentos pontuais de carteira. O foco é manter a distribuição percentual que foi definida.

Talvez, supostamente, você tenha ficado com dúvidas mais específicas de como escolher uma ação ou fundo imobiliário, por exemplo. Para estas questões, além dos inúmeros conteúdos complementares aqui no canal, você pode saná-las, seja por dúvidas enviadas, ou também por meio do meu curso e livro.

Sucesso e prosperidade sempre,

Paulo Boniatti

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