O poder do tempo no processo de enriquecimento

Há duas uma semana atrás, fiz um artigo falando sobre como eu investiria R$ 1 mil. Essa semana abordei o tema de escolhas, afirmando que enriquecer é questão de hábito. E hoje, quero trazer a questão do poder do tempo.

Vejamos, dinheiro, aliado ao hábito de investir, e somado ao tempo, nos remete a uma das forças mais poderosas: o juro composto.

Já falei desse termo no passado, mas queria trazer uma abordagem diferente. Hoje, quero mostrar que, quanto antes você criar o hábito de investir, melhor. E não estou falando de uma simples melhora no resultado final dos seus investimentos. Estou falando de uma enorme diferença.

O deixar para amanhã

Quantas pessoas você conhece que ainda não investem? Não vale dizer que conhece pessoas que guardam dinheiro e aplicam na Caderneta de Poupança. Guardar, ou poupar, é diferente de investir.

Imagine dois jovens de 20 anos. Apesar de serem amigos e terem as mesmas condições financeiras, quando o assunto é dinheiro, o pensamento deles diverge.

O primeiro, um jovem que desde cedo é preocupado com suas finanças. Recebe um salário de R$ 1 mil e consegue reservar algo próximo a R$ 83 mensais para seus investimentos — equivalente a algo próximo a R$ 1 mil anuais.    

O segundo, um jovem que está aproveitando a vida ao máximo — não que o primeiro não esteja. Recebe os mesmos R$ 1 mil mensais e não reserva absolutamente nenhuma parte para seus investimentos.

10 anos se passaram

Uma década depois, o primeiro jovem conseguiu investir seus R$ 1 mil anuais em uma carteira de investimentos que rentabilizou 10% (a.a.). O segundo jovem nada investiu. Ao fim desse período teríamos o seguinte cenário:

10 anos iniciaisJovem 1Jovem 2
Total aportadoR$ 10 milR$ 0
Patrimônio atualizadoR$ 15,937 milR$ 0
Período dos 20 aos 30 anos de idade

Vamos supor, aquele jovem, agora com seus 30 anos, onde até então não priorizou seu futuro financeiro, recebeu uma promoção, ou até mesmo, se deu conta da necessidade de investir, e passou a investir os mesmos R$ 1 mil anuais.

Do outro lado, o primeiro jovem ficou impossibilitado de continuar a investir. Mas, entendido de educação financeira, resolveu deixar aqueles R$ 15,937 mil intocados.

Mais 35 anos se passaram

O inevitável aconteceu, 45 anos após o início dessa história, ambos os ex-jovens, agora senhores de 65 anos, chegaram ao início de suas aposentadorias.

Aquele primeiro jovem, educado financeiramente, nunca mais conseguiu aportar, limitando-se aos R$ 10 mil de sua época jovial. Do outro lado, o segundo jovem, que entendeu mais tardiamente a importância de cuidar de seu futuro financeiro, conseguiu manter seus aportes regulares a partir dos seus 30 anos e totalizou R$ 35 mil aportados.

Como pode-se notar, durante os 45 anos totais de vida, o segundo jovem teve um aporte muito mais ferrenho, aportou 2,5 vezes mais que o primeiro jovem. Mas, pasme, não quero alongar, veja você mesmo as tabelas abaixo:

10 anos iniciaisJovem 1Jovem 2
Total aportadoR$ 10 milR$ 0
Patrimônio atualizadoR$ 15,937 milR$ 0
Período dos 20 aos 30 anos de idade
35 anos seguintesJovem 1Jovem 2
Total aportadoR$ 0R$ 35 mil
Patrimônio atualizadoR$ 447,880 milR$ 271,024 mil
Período dos 30 aos 45 anos de idade

Veja, o segundo jovem, apesar de aportar 2,5 vezes mais, ao final dos 45 anos, teria um patrimônio 40% menor se comparado ao primeiro jovem.

Não se trata de mágica

Essa pequena história não se trata de mágica. Trata-se do efeito dos juros compostos. Aqueles que sabem do poder dessa força compreendem o efeito do juro sobre juro onde o tempo gera uma curva exponencial. Sugiro a leitura do artigo para complementar o entendimento.

Conclusão

Apesar do primeiro jovem aportar muito menos, ele foi sábio em começar cedo. É isso que quero que você compreenda. Quanto mais você postergar, menor serão suas possibilidades de permitir que o tempo trabalhe a seu favor potencializando seus investimentos.

E não se prenda ao fato dos 10% (a.a.) que usei. Muitos rebaterão que é uma taxa audaciosa ou até mesmo inviável. Não é questão e não é foco debater isso! A questão foi comparar dois cenários por meio da mesma taxa. A discrepância entre começar cedo e começar mais tarde será similar independente da taxa usada.

De qualquer forma, veja outros artigos que falo sobre composição de carteira. É sim possível auferir rentabilidades de 10% (a.a.) nos dias de hoje, desde que você componha sabiamente uma carteira para o longo prazo.

Outros podem dizer que é impossível investir R$ 1 mil anualmente (ou R$ 83 mensais). Mas aposto que muitos gastam mais do que isso em caixas de cerveja, em assinaturas de TV, em trocas de aparelhos celulares e outros artigos que não me vêm ao caso. Mas como citei no último artigo sobre hábito, trata-se de opções.

Portanto, não deixe para amanhã. Comece “ontem”. Se você não faz ideia de como começar, veja o ebook gratuíto que falo sobre mercado financeiro e como você pode começar a investir agora mesmo.

Bom, espero, de coração, que eu tenha conseguido agregar algum tipo de conhecimento a você. Se fui merecedor, não deixe de compartilhar o artigo. Compartilhe conhecimento, compartilhe educação financeira.

Por fim, sou Paulo Boniatti. Um forte abraço, até o próximo artigo e tchau!

Escritor, autor do livro Montando uma Carteira de Investimentos Inteligente. Paulo Boniatti é pós-graduado em Gestão em Mercado Financeiro pela FAE Business School. Especialista em investimentos e adepto da filosofia do antifrágil, tem como principal característica a maneira simples e descomplicada de explicar o mercado financeiro. Além de youtuber e criador do canal SaldoZero, é também gestor do Clube de Investimentos Opportuna CI.

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