Vinte e oito anos de Plano Real. O dinheiro que vale cada vez menos

Dia 1º de Julho de 1994. Que data marcante! Nesta data, marcava-se uma nova era na história econômica do Brasil. Para os mais antigos, uma promessa de tempos melhores, de inflação controlada e de um futuro mais próspero. Para os mais novos, a oportunidade de crescer sob um país melhor.

O país que, desde sua constituição como república não havia tido uma década sequer de paz e, vinha de períodos pós ditadura com um cenário caótico, sob cenários de hiperinflação e grandes incertezas.

O “rancho”, como os antigos chamavam, era um momento extremamente importante na vida dos brasileiros. Momento ao qual as pessoas corriam ao mercado, assim que recebiam seus salários, para abastecerem a dispensa de mantimentos para o mês todo.

Não podiam esperar um segundo a mais sequer ou, corriam o risco de comprar muito menos do que comprariam. As famosas maquilas de remarcação de preços tornavam seus “tecks” uma trilha sonora comum aos mercados.

Dia 1º de Julho de 1994. A esperança de uma nova era e de um novo curso para o Brasil e seus brasileiros.

Mas, o que aconteceu desde então? Será que, após o Brasil trocar sua moeda interna inúmeras vezes, a situação foi resolvida? Será que temos estabilidade? Será que temos mais ou menos poder aquisitivo do que tínhamos em 1994?

Bom, é sobre isso que falaremos hoje: vinte e oito anos de Plano Real; o dinheiro que vale cada vez menos.

Se este tema lhe interessa, confia e vem comigo.

Uma volta a 1994

“É tetra!” Quem nunca ouviu este famoso bordão lançado por Galvão Bueno durante o tetra da seleção brasileira, ocorrido em 1994? Sim, mesmo ano do lançamento do Plano Real. Novamente, que ano!

Um ano aonde, com apenas um único Real, o brasileiro tinha condições de trazer para casa alguns produtos. O pão francês, por exemplo, na época vendido por unidade, custava meros R$0,10 cada. O quilo de arroz custava R$ 0,64.

E pasme, um carro popular, neste caso um Gol 1.0, custava uma bagatela de R$7,2mil.

Obviamente que precisamos ponderar algumas coisas, o salário mínimo na época era de apenas R$65. Você não leu errado.

Isto nos diz que, relativamente, 10 pães ou R$ 1 real, custariam cerca de 1,5% do salário mínimo mensal. Em outras palavras, um cidadão da base poderia ter facilmente metade do salário destinado somente para comprar pão, se este fosse seu caso.

Um retorno para 2022

E hoje, como estamos? Temos inflação alta? Temos sim senhor, temos sim senhora!

De acordo a Calculadora do Cidadão, disponibilizada pelo Banco Central, R$1 de 1994, se corrigido pela inflação, deveria valer o equivalente a R$7,70 de 2022. Ou, em outras palavras, podemos dizer que, R$1 de 2022 é o equivalente a R$0,13.

Hipoteticamente falando, se alguém se manteve com o salário de 1994, possivelmente está passando fome, uma vez que, com o salário mínimo da época dificilmente seria possível comprar muita coisa hoje.

Contudo, ao falarmos exclusivamente da perda de poder aquisitivo da população, precisamos incluir na conta não somente a atualização de preços, mas também a atualização da base salarial.

Tomando como exemplo o salário mínimo. Atualmente, por lei, o salário mínimo é de R$1,212mil — muito superior, de maneira absoluta falando, aos antigos R$65 de 1994.

Fazendo uma correlação entre alguns produtos versus quanto oneram sobre o salário mínimo de sua época, o que temos é:

1994 (R$)2022 (R$)
Salário MínimoR$65R$1.212
Pão Francês (10 unidades)1 (1,5%)8 (0,7%)
Litro de Leite0,69 (1,06%)6,99 (0,58%)
Litro da Gasolina0,55 (0,85%)6,5 (0,54%)
Carro Popular 1.07,2mil (11mil%)64mil (5mil%)

Aqui fica claro que, olhando especificamente para o salário mínimo e seu poder de compra, a população de hoje compra mais do que anos anteriores, apesar desta nossa sensação de ter cada vez menos dinheiro.

E há um motivo para este nosso desconforto. Você não está sozinho nesta. Vejamos na sequência.

A renda média da população

Em 1994 a renda média do brasileiro era de aproximadamente R$600. Bem diferente aos R$65 mínimos. Isto é, cerca de 823% acima do mínimo exigido por lei.

Já atualmente, a renda média do brasileiro, segundo pesquisas, gira na casa dos R$2,5mil. Em outras palavras, e comparativamente falando, 106% acima do mínimo.

Podemos entender que, a população em geral de hoje, recebe um salário médio muito mais próximo ao mínimo do que em 1994.

Alguns podem entender como menor desigualdade social. Outros podem entender como um empobrecimento médio e grande achatamento monetário. Fica este ponto para que cada um reflita por conta própria.

A fuga dos ricos

De todo modo, chamo sua atenção para alguns motivos que fizeram o país ter uma desvalorização monetária acompanhada de uma redução do ganho médio do brasileiro.

Medidas assistencialistas

Tenho certeza que para você é claro que, inúmeras medidas de caráter assistencialista foram implantadas em governos passados.

Só não sei se para você é claro também que, para que estes programas se mantenham de pé, alguém tem que pagar. Quem paga a conta de tudo isto, ou quem paga a maior parte da conta, é quem ganha mais.

Tenha em mente, quanto mais se ganha, maior é a mordida e, mais se paga em impostos.

Esta é uma das maneiras que o Governo retira parte de riquezas de alguns para dar a outros.

No papel é tudo maravilhoso, mas na prática, e com o tempo, afugenta os provedores de recursos e empregos. Em outras palavras, afugenta os ricos, que decidem por se deslocar a países menos onerantes. Para tudo há um limite

Com menos gente disposta a empregar, menos trabalho é ofertado, menos riqueza é gerada, mas pessoas dependerão de assistência e, consequentemente o Governo carecerá de outras formas de se manter de pé com seus programas.

Não tendo mais como aumentar impostos, desvios de recursos de áreas importantes como, saúde, educação, segurança e outros são destinados a estes programas. Quando nem isso é mais possível, uma outra maneira: imprimir papel — imprimir dinheiro.

E é este o ponto, o gasto massivo do Governo com dinheiro alheio, por meio de mais impostos, redução de investimentos em áreas importantes e a impressão de mais moeda, quando não compensado com mais produção de bens e serviços (por aqueles que justamente estão indo embora do país), a inflação bate, e por vezes pode bater forte.

A propósito, os números não me deixam mentir: a dívida sobre o PIB do Brasil em 1994 era de 14%. Atualmente está perto de 80%.

Entenda que, se estes gastos e descontroles governamentais não sessarem, ou, se não houverem aberturas para que o Brasil seja um lugar novamente interessante de se empreender, produzir e gerar empregos, em pouco tempo o país se verá pagando mais dívida do que arrecada. Entraremos literalmente no cheque especial.

Se isso ocorrer, sequer impressão de moeda resolveria, viveríamos em um caos “alá” período pré Plano Real.

O que você pode fazer

Como vimos, comparando o salário mínimo de 1994 até hoje, a situação parece ter melhorado. Quando olhamos, contudo, o achatamento do salário médio do brasileiro, a situação não necessariamente é semelhante.

Inflação, seja por qual motivo ela acontece, não é benéfica para a economia, não é benéfica para você.

Primeiro de julho de 1994! Que ano! Uma pena que, o que era para ser um marco está ficando cada vez mais desbotado por ingerências governamentais.

Se você entende que está tudo bem e que, pode se manter sob um salário mínimo esperando as bondades do Governo, basta não fazer nada.

Agora, se você pretende evoluir financeiramente, não tenha dúvidas que o Governo vai lhe abocanhar. A única maneira que você tem de se proteger quanto a isso é: cuidar do seu dinheiro.

Como cuidar? Investindo seu capital. Protegendo-o, minimamente que rentabilize acima da inflação, e não esperando que o Governo seja o salvador da pátria, porque não é, e não será.

Sucesso e prosperidade sempre.

Paulo Boniatti

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