Eis um tema muito polêmico! O que já lhe adianto que não há uma resposta exata. Tudo depende!
E depende não só de questões financeiras, mas também de questões de momento de vida, planos e objetivos. O aluguel, pode gerar em alguns, uma sensação de instabilidade, o que nem sempre é verdade. Do outro lado, a casa própria, pode passar uma maior sensação de segurança, o que também nem sempre é verdade.
Não quero entrar nos méritos, e veja, não estou tendenciando para nenhum dos lados. Certamente teremos adeptos de ambas as filosofias. E, tá tudo bem.
Da mesma forma, falando pelo viés financeiro, a opção por uma coisa em detrimento a outra depende. Não sou adepto de que só existe uma opção certa, mas que existe a opção que melhor atenderá sua necessidade.
Tirando o viés de escolhas que não sejam financeiras, pois isso é algo muito pessoa de cada um — como falei, depende muito de seu momento de vida e de seus planos e objetivos —, algumas variáveis ajudarão a dizer se é melhor alugar ou comprar.
Mas, dentre elas, a que julgo mais importante, é a capacidade que você tem de investir. Isso porque, geralmente (fujo as exceções), o valor de um financiamento tende a ser maior que o valor de um aluguel.
Em outras palavras, para que morar de aluguel valha a pena, uma das condições mais importantes, é o quanto você é capaz de investir a diferença monetária entre a parcela do financiamento e a parcela do aluguel. Caso contrário, ficará aquela sensação de: “no financiamento eu pago o banco, mas em 30 anos o imóvel é meu, já no caso do aluguel, não”.
E essa diferença entre as parcelas é impactada por diversas outras variáveis que você precisa colocar na conta, dentre elas:
- Valor financiado;
- Prazo Financiamento (meses);
- Juros do Financiamento (a.a.);
- Valor do Aluguel;
- Inflação (a.a.) – para reajustar o valor do aluguel;
As questões acima nos remetem ao fato de que: quanto maior for a parcela do financiamento e menor a parcela do aluguel, maior será a diferença entre elas. E, quanto maior sua capacidade de investir essa diferença, melhor.
Podemos ainda ponderar outras questões:
- Valorização do Imóvel (M2) (a.a.);
- Custo de reformas e benfeitorias do Imóvel (a.a.).
- etc.
Novamente, não estou defendendo nenhuma das opções, justamente porquê não acredito que exista uma resposta exata para todos os cenários.
Mas, para ajudar você, que tem dúvidas, compartilho uma planilha para auxiliá-lo no cálculo.

Sendo o mais isento possível, e somente como critério de exemplificação. Vamos tomar nota o abaixo.

Em um imóvel de R$ 500 mil, caso déssemos uma entrada de R$ 100 mil e financiássemos em 30 anos a uma taxa de 4,95% (simulado do site da caixa pelo modelo IPCA) — e cuidado com essa taxa, falarei melhor na sequência —, valeria mais apena comprar o imóvel financiado do que morar de aluguel, caso, nós estimássemos que, o valor do aluguel fosse de R$ 2,5 mil, a inflação fosse de 9% (a.a.) (baseado no IGPM de 12 meses a qual muitos alugueis foram reajustados, hoje está até mais), e que seríamos capazes de obter de 6% (a.a.) de rendimento sobre nossos investimentos.

Mas, por outro lado. No mesmo imóvel, caso financiássemos a uma taxa de 9,75% (simulado do site da caixa pelo modelo Balcão — pré-fixado), valeria mais apena alugar um imóvel do que financiá-lo, caso, nós estimássemos que, a inflação fosse de 4% (a.a.) (baseado em um IGPM mais moderado de anos anteriores), e que seríamos capazes de obter 10% (a.a.) de rendimento sobre nossos investimentos.


Ademais as questões listadas, outros pontos você deve ponderar, como o custo de reformas e benfeitorias.
E veja, não estou sequer entrando em questões de oportunidades de emprego onde seja necessário uma maior flexibilidade de moradia e etc. Isso é muito pessoal e cada um precisa ponderar.
Cuidado
Como prometido. Cuidado com os financiamentos atrelados a taxas variáveis, como é caso do IPCA — índice oficial que mede a inflação no país. Se por um lado podemos ter taxas mais atrativas para financiamento, por outro há um risco, caso a inflação se descontrole. Verifique quais seriam os possíveis impactos para sua saúde financeira.
E, não acredite em ninguém que diga que a inflação do Brasil é “controlada” e nunca será como foi na década de 80 início de 90. Ninguém tem a capacidade de prever o andamento da economia para daqui 30 anos.
Conclusão
Portanto, pondere. Sou cético a afirmar que: aluguel é sempre melhor do que comprar o imóvel financiado e vice versa. Tudo depende de inúmeras variáveis e que, humanamente não temos a capacidade de prevê-las.
Você consegue investir a taxas de 10% (a.a.) ou mais? Conseguirá isso por 30 anos ou mais? A qual taxa estará financiando? Qual sua expectativa de inflação?
Como podemos ver, são diversas questões que somente você poderá responder baseado no seu cenário e em seus conhecimentos para então decidir o que é melhor para o seu futuro.
Caso haja interesse, a planilha estará disponível para download. Use-a sem moderação e compartilhe com quem precise.
Espero ter agregado conhecimento.
Por fim, sou Paulo Boniatti, um forte abraço, até o próximo vídeo e tchau!