Dia 24 de janeiro de 2022. Nono episódio do SaldoZero aos R$ 100 mil.
Hoje, além de outras questões falaremos a respeito da queda de alguns ativos, em especial a de dois ativos que sofreram quedas acentuadas de expressivos 36% e 45% em apenas um único mês.
Se esse tema lhe interessa, confia, vem comigo, porque o episódio está incrível!
Aviso importante
Um aviso importante: não copie essa carteira!
O objetivo principal dessa série é colocar a minha pele em risco para ajudar você a entender a dinâmica. Mas entender é diferente de copiar.
Estamos falando de uma carteira com renda variável. Ninguém pode prever o comportamento do mercado.
Antes de qualquer investimento, estude. Não seja apenas um passageiro de canais pela internet. Crie sua própria filosofia de investimentos.
Continuando…
Objetivo da carteira
Sempre lembrando, nosso objetivo é o de alcançar R$ 100 mil por meio de aportes mensais de R$ 1 mil. Esse objetivo foi definido pelos inscritos do canal. Portanto, se você ainda não for inscrito, inscreva-se para não perder nenhum vídeo.
E quando alcançaremos os R$ 100 mil? Segundo as expectativas que fizemos no primeiro episódio, por volta de 2027. A previsão se confirmará? Não há como afirmar que sim. Só o tempo para responder.
Havíamos finalizado o último episódio com 8% do objetivo alcançado. As posições podem ser visualizadas na imagem a seguir:

Aproveito para convidar você, caso não tenha visto os episódios anteriores, acesse-os aqui e entenda os detalhes da dinâmica das decisões que foram tomadas até o momento.
Como o mercado se comportou no último mês
Falando especificamente do mercado tradicional, ou seja, bolsa de valores, o que vemos, ainda é muita volatilidade e incertezas, apesar da leve recuperação da Bolsa nos últimos pregões.
Temos a seguir o gráfico de 1 mês entre Ibovespa (linha azul) contra Dólar (linha laranja).
O mercado de criptomoedas
Mas hoje, em especial, queria chamar sua atenção para outro mercado menos tradicional, o de criptomoedas.
Nos últimos 30 dias o que vimos foi um verdadeiro derretimento. Temos uma queda generalizada entre as principais moedas, incluindo Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) com quedas de 35% e 46% respectivamente.
É bom lembrarmos que ambas moedas entraram na carteira em nosso último episódio. Como havia comentado na ocasião, o percentual de exposição nestas moedas seria relativamente baixo, justamente pelos riscos envolvidos.
Fato este que, apesar de toda a queda do mercado de criptos, a queda nestes dois ativos (somados) foi de apenas R$ 90 em nossa carteira de mais de R$ 9 mil.
É o tal da convexidade, investir de tal maneira a não nos expormos desnecessariamente com risco de sermos levados ao risco da ruína, mas com a possibilidade de retornos expressivos de longo prazo.
De todo modo, quero aproveitar o momento para falarmos um pouco mais de ambas moedas, Bitcoin e Ethereum.
O Bitcoin por si só dispensa apresentações. Trata-se da principal criptomoeda da atualidade. Muitos a consideram como uma promessa possível para reserva de valor. Se isso se confirmará, não há como afirmarmos.
No entanto, dentre diversas de suas características, queria citar rapidamente duas: a impressão limitada e sua descentralização.
Como havia comentado no artigo sobre inflação, o que causa inflação em linhas gerais é o descompasso da oferta monetária. Em outras palavras, ocorre quando temos mais moeda circulando no mercado do que bens e serviços.
Esse efeito ocorre por medidas e políticas governamentais, fato que não é possível de se fazer com Bitcoin, uma vez que há uma quantidade limitada de 21 milhões de moedas. Deste modo, a tendência é que, com o tempo, e se receber maior confiança sobre sua legitimidade, de ele se tornar mais escasso e, portanto, mais valioso.
Outro fato muito importante é sua descentralização, que além de estar ligado diretamente ao efeito deflacionário comentado anteriormente, limita forças governamentais. Em caso de um colapso ou evento imprevisto, você teria condições de transacionar seus Bitcoin para um outro país sem maiores problemas.
De todo modo, e mais a frente, veremos a relação com seu preço.
Agora, do outro lado, quando falamos de Ethereum, além da descentralização citada, a blockchain da moeda é uma das principais redes quando falamos em NFT e contratos inteligentes.
Possivelmente você deve ter ouvido algo sobre o Neymar ter pago algo próximo a R$ 6 milhões em um desenho de um macaco negociado como NFT (Non Fungible Token). Sim, isso ocorreu por meio da rede da Ethereum.
Mas aonde quero chegar com estas abordagens é que, o valor real destas moedas não foi alterado. Pelo contrário, estão cada vez mais sendo utilizadas e gerando valor para suas redes. O que foi alterado foram tão somente seus preços, que ficaram mais atrativos em relação ao valor.
Para explicar melhor, quero aproveitar o momento para trazer alguns gráficos que julgo interessante. O primeiro deles é o volume transacionado na rede do Bitcoin em um intervalo de 5 anos.
Note, pela linha azul, o valor transacionado da moeda vem aumentando gradativamente. Contudo, o preço da moeda (linha cinza), em certos momentos descola — se eleva em demasia — do volume transacionado.

De todo modo, quando olhamos para um intervalo mais curto, podemos ver que, o preço da moeda vem chegando a algo mais coerente quando comparado ao seu volume transacionado.

Continuando, outro gráfico que gostaria de trazer é com relação ao poder de hash da rede (linha azul). O hash está diretamente ligado ao poder de mineração da rede. Quanto maior este poderio, maior é a capacidade da rede de processar transações.
Isso quer dizer que, se temos um aumento no poder da rede, temos uma confiança maior do mercado sobre a moeda. Ninguém mineraria algo ao qual não se dá o devido valor.

Entenda, o que podemos ver nos gráficos anteriores é que, os fundamentos da moeda não foram perdidos. A única coisa que foi perdida, na verdade reduzida, foi sua cotação no mercado.
Apesar disso, o que pode ainda ser observado, é a relação NVT da moeda. NVT (Network Value to Transaction) está para as criptomoedas assim como o P/L está para as ações — ver este artigo. Ou seja, o que vemos é uma relação de preço mais interessante para BTC se comparado a períodos anteriores.

E, da mesma maneira como exposto para o Bitcoin, temos os mesmos gráficos para Ethereum, aos quais podem ter as mesmas ressalvas feitas anteriormente.



E assim como sempre gosto de comentar, entenda que, ativos são veículos que vão te levar do ponto A ao ponto B:
- Bitcoin para mim: reserva, deflação e descentralização. Por ser linha liberal, julgo necessário ter esta parte em carteira. É o veículo que hoje melhor atende a este meu projeto.
- Ethereum para mim: acredito muito nos contratos inteligentes. Já existe exemplo de securitizadora tokenizando contrato imobiliário na rede da Ethereum ao invés de se utilizar dos tradicionais bancos e cartórios. Isso é muito disruptivo e no começo ainda.
Portanto, hoje não poderia ser diferente, por acreditar nestas moedas e, por termos uma relação preço muito melhor do que a meses atrás, vamos aproveitar parte do nosso aporte para reforçar posição nelas.
Percentual de alocação
Os percentuais de alocação não se alteram. Manteremos os mesmos percentuais, apenas realocando o capital para que retornemos ao que foi definido originalmente, ou seja:
Alocação por classe:
| Classe | Alocação |
|---|---|
| Proteção Caixa | 30% |
| Proteção Cambial | 10% |
| Renda Variável | 57% |
| Criptomoedas | 3% |
| Total | 100% |
Dentro de Renda Variável, teremos três subclasses
| Subclasse | Alocação |
|---|---|
| Ações | 50% |
| Fundos imobiliários | 30% |
| Stocks | 20% |
| Total | 100% |
Dentro de ações, teremos o seguinte
| Ativo | Alocação |
|---|---|
| EQTL3 | 16,67% |
| PSSA3 | 16,66% |
| ITSA4 | 16,66% |
| SULA11 | 16,66% |
| CGRA4 | 16,66% |
| PARD3 | 16,66% |
| Total | 100% |
Em fundos imobiliários
| Ativo | Alocação |
|---|---|
| BCFF11 | 33,34% |
| IRDM11 | 33,33% |
| GGRC11 | 33,33% |
| Total | 100% |
Em stocks, nosso ETF
| Ativo | Alocação |
|---|---|
| MGK | 100% |
| Total | 100% |
E, em criptomoedas
| Ativo | Alocação |
|---|---|
| BTC | 50% |
| ETH | 50% |
| Total | 100% |
Vamos as compras
Bom, vamos as compras.
Lembrando que, conforme havíamos definido no primeiro episódio, aumentaríamos o valor do nosso aporte em 5% ao ano. Desta maneira, em 2022 passaremos a aportar R$ 1.050 ao invés dos antigos R$ 1.000.
Os detalhes de como se deram a compra dos ativos, você pode verificar no vídeo abaixo.
Considerações finais
Gosto muito de um ensinamento de Peter Lynch que nos diz para não investir em algo que você não consiga explicar a uma criança.
Isso vale para qualquer ativo da carteira, mas cabe de maneira muito especial ao que vem ocorrendo com as criptomoedas. Não invista em cripto — ou em qualquer ativo — se você não conseguir explicar os porquês.
No mais, lembre-se, o segredo não está em termos retornos astronômicos, mas nos mantermos vivos pelo maior tempo possível nessa selva chamada mercado financeiro.
Espero ter agregado conhecimento.
Como sempre lhe desejo todo sucesso e prosperidade que sei que você merece.
Por fim, sou Paulo Boniatti, um forte abraço e tchau!