Em meio as diferentes estratégias de investimentos, há quem classifica empresas por dois grandes grupos: (1) as vacas leiteiras; (2) de crescimento.
- As empresas denominadas como “vacas leiteiras”, são aquelas que costumam pagar generosos proventos (dividendos e juros sobre capital próprio);
- As empresas de nominadas de crescimento, são aquelas que costumam pagar menos proventos, mas que por outro lado focam no crescimento da companhia.
E no meio de tudo isso, há quem defenda que o investidor deveria focar em uma ou em outra companhia. Eu não ouso a discordar, uma vez que, cada lado da moeda tem suas razões e que fazem um completo sentido. Contudo, pessoalmente falando, eu não me atenho aos dividendos da empresa, e é nesse sentindo que quero compartilhar meu ponto de vista com você.
DIVIDENDO NÃO É CAUSA, É CONSEQUÊNCIA
Primeira coisa que é preciso entender, dividendo não é causa, mas consequência. Como assim?
Empresas, são geralmente constituídas para gerarem lucros a seus donos, seus acionistas — salvo se estivermos falando de companhias sem fins lucrativos. Mas a questão é que, com o lucro gerado, a empresa precisa decidir qual destino dar ao montante. Elenco três opções:
- Distribuir o lucro entre seus acionistas na forma de Dividendos;
- Reinvestir o lucro na própria companhia;
- Efetuar recompra de suas próprias ações;
Vamos olhar mais a fundo cada uma destas opções para que eu consiga transmitir meu ponto de vista.
Distribuir o lucro entre seus acionistas na forma de Dividendos
Essa é a opção talvez mais clássica e comumente buscada por diversos investidores. Justamente, pela sua importância, é que, existe um indicador denominado Dividend Yield — o famoso DY.
A distribuição de generosos dividendos se dá quando a companhia enxerga uma menor capacidade no seu crescimento a retornos sobre capital próprio (ROE) interessantes. Em outras palavras, a empresa decide: ao invés de reinvestir o lucro na companhia ela opta por distribuir os lucros.
Isso ocorre, muitas vezes, quando a empresa não consegue rentabilizar um novo investimento em taxas de retorno esperadas por seus acionistas, ou seja, é melhor distribuir o dinheiro do que investir em algo que lhes traga pouco retorno.
Por este motivo que, geralmente, empresas de pagamentos de dividendos generosos tendem a ter crescimentos menores, já que, o lucro gerado é distribuído.
E isso é ruim? De maneira alguma. Empresas assim normalmente são companhias mais consolidadas no mercado, e que já entraram em seu grau de maturação. Ex.: Empresas do setor elétrico.
Reinvestir o lucro na própria companhia
Se de um lado temos empresas com perspectivas menores, que preferem distribuir grandes quantias em dividendos, do outro, temos companhias com perspectivas maiores, que vislumbram grandes oportunidades e por este motivo preferem investir no crescimento do negócio.
Aqui dizemos de empresas classificadas como de crescimento. São empresas que, após a geração dos lucros, por observarem um horizonte promissor, com grandes oportunidades de investimentos e expansão ao negócio, preferem investir nos negócios da companhia e não distribuir dividendos na mesma proporção que empresas já maduras.
Isso ocorre quando os executivos enxergam que, reinvestindo os lucros na própria empresa, a possibilidade de retornos é maior, valendo mais a pena reinvestir o lucro do que simplesmente distribuí-lo.
Se você relembrar do artigo que fiz, dizendo que cotação de ações tende a seguir lucro e patrimônio líquidos no longo prazo, você irá entender o objetivo por de trás. Ações são parte do patrimônio líquido da empresa, portanto, quanto mais a empresa reinveste nela mesma, mais seu patrimônio cresce e por consequência as ações tendem a se tornarem mais valiosas no longo prazo.
Quer dizer que empresas de crescimento são melhores que as boas pagadoras de dividendos? Não necessariamente, e logo mais iremos concluir alguns aspectos importantes.
Efetuar recompra de suas próprias ações
Esta talvez seja uma das opções menos compreendidas: a recompra de ações.
A recompra vem muito em linha com as políticas de distribuição de dividendos. Empresas já maduras, que não enxergam oportunidades de reinvestimentos que tragam expressivos retornos para a companhia, ficam com o lucro disponível para que, de alguma forma, possam dar o destino adequado.
Mas diferentemente ao que se viu na distribuição de dividendos — que atualmente é uma política muito comum —, a empresa pode optar por recomprar suas ações do mercado. O efeito desta recompra é que, a empresa retira ações de circulação. Com menos ações no mercado, reduz-se a oferta e há possibilidade de uma valorização dos papeis que permanecem em negociação.
Lembre-se, ações são parte do patrimônio líquido, se o patrimônio se mantém, mas o número de ações se reduz, cada acionista terá uma participação maior e consequentemente suas ações tenderiam a ficar mais valiosa no longo prazo.
Somente como um complemento, as ações recompradas pela empresa podem ser canceladas — destruídas —, ou então guardadas em tesouraria para futuras utilizações como moeda de troca em diversos objetivos.
NO FIM, TUDO SE RESUME A LUCRO
Aonde quero chegar com tudo isso. Observe que em todas as opções apresentadas, tudo foi consequência do lucro da empresa: seja o lucro que foi distribuído para seus acionistas como dividendo; seja o lucro que foi reinvestido na companhia; ou seja o lucro que foi utilizado para recompra de ações. Mas no fim, tudo foi decorrente do lucro.
Empresas historicamente de ótimos ROE e Margens Líquidas tendem a serem empresas lucrativas, e buscar por companhias que atendam a estes critérios é meu objetivo principal — logicamente outros critérios devem ser analisados como o artigo que eu fiz sobre os pilares para se analisar uma ação.
No fim das contas, independentemente se teu foco é por vacas leiteiras ou por empresas de crescimento, sua análise deveria partir do pressuposto de empresas lucrativas. E, a partir disso optar por aquelas que atendam a seus objetivos: (1) se é receber dividendos e decidir o que fazer com ele; ou (2), se abre mão de receber dividendos, pois acredita que a empresa tem a devida competência de valorizar seu patrimônio, e com isso, valorizar também suas ações no longo prazo.
CONCLUINDO
Eu sou adepto da ideologia que não existe certo ou errado, melhor ou pior. Sou defensor de que existe sim, o certo e o melhor para cada um, para cada tipo de objetivo e para cada filosofia de investimento. E que, você, antes de mais nada, deve entender qual a sua filosofia para atender a seus objetivos, e não simplesmente investir em ABC porque alguém disse que isso era bom.
Por isso, digo, eu não me apego aos dividendos, mas sim a empresas lucrativas.
E por fim, sou Paulo Boniatti, um forte abs, até o próximo artigo e tchau!
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