Ensinamentos “escondidos” do Pai Rico, Pai Pobre

Para quem já leu Pai Rico, Pai Pobre de Robert Kiyosaki, acredito que concordará comigo que comparar o livro ao clássico de Hollywood, Matrix, não seria nenhuma falácia. No filme, o ator Keanu Reeves tem a opção de escolha entre duas pílulas: a que lhe dá o poder da verdade (as vezes dolorosa) e aquela que lhe mantém ignorante e confortável.

Nesse sentido, o livro é a pílula que lhe trará a verdade (e que pode doer). Ao terminar de ler o livro do Kiyosaki, você passa a olhar as pessoas na rua e pensa: “Meu Deus, estão todos fazendo errado!”.

Já falamos bastante desse livro em diversos outros artigos. Mas hoje, quero trazer algo diferente: abordar alguns ensinamentos extremamente valiosos e que, muitas vezes, passam despercebidos para a maioria de seus leitores.

E, se você escolheu pela “pílula da verdade”, cuidado: ela pode ser dolorosa.

O medo financeiro

Quantas vezes você ouviu aquela frase que, “é melhor um pássaro na mão, do que dois voando”?

É obvio que um pássaro na mão é melhor do que dois voando. Ninguém ousaria a dizer o contrário. Mas quem disse que os dois voarão? E quem disse que o único pássaro na mão, não morrerá?

A crendice humana nos ensina a não perdermos dinheiro, mas não nos ensina a ganha-lo. Também não nos alerta que optarmos por não perdermos, também é uma atitude arriscada.

O Pai Pobre pregava o risco da perda; o Pai Rico, pregava a oportunidade da prosperidade.

Tomar decisões baseadas simplesmente na crença popular do pássaro na mão, é a escolha de quem prefere se esconder à prosperar. Inclusive, vale ressaltar ainda que, o fato em si de optar por não correr riscos, envolve uma escolha. Em outras palavras, optar cegamente por não correr riscos, é também, incorrer deles.

Sem entrar no mérito se é bom ou não, mas como exemplo: preferir imobilizar todo um capital em ativos que a sociedade prega como sendo seguros, imóveis por exemplo, é incorrer do risco país. E se o Brasil se transformar em Venezuela? É um risco.

Tudo envolve risco, as decisões tomadas durante sua vida, seja profissional, seja pessoal, foram e são baseadas em “apostas”. Supostamente algumas foram acertadas, outras nem tanto.

Isso vale não somente para nós, mas a também a nossos filhos. O que estamos ensinando a eles? Ao induzi-los a tomar uma decisão por não confiarmos em suas capacidades, estamos de certa forma os privando do crescimento.

Enquanto Pai Pobre buscava ensinar o filho a não correr riscos, se manter pé no chão, Pai Rico ensinava que aquele que não se expõem a nenhum grau de risco, também não estará se expondo a nenhum grau de grandes benefícios. Obviamente, dentro de um certo limite. Até porque, risco em excesso, é irresponsabilidade.

A pessoas não estão treinadas para ver o ouro

Enquanto Pai Pobre preza pela estabilidade financeira, Pai Rico ensinava que o “ouro” (oportunidades) estão em todo lugar, mas a maioria das pessoas não está treinada para vê-los.

Essa é uma das maravilhas do sistema capitalista. Nesse sistema, qualquer Zé Ninguém tem condição de sair de um estado de pobreza para um status de riqueza.

Pai Rico afirmava: siga os problemas que encontrará o dinheiro. Essa afirmação não está ligada a ficarmos apontando os problemas e erros dos outros, mas sim, em encontrarmos problemas que afetam a sociedade e transformarmos isso em solução, criando oportunidades.

Quantas vezes alguém lança uma nova ideia e ficamos pensando: “Por que nunca pensei nisso?”. Possivelmente porque nunca pensou nos problemas que afetam a sociedade em seu entorno.

  • Até fim da década de 90, a dificuldade para a compra de livros fez com que Jeff Bezos cria-se uma livraria virtual: a Amazon;
  • A dificuldade em sistemas operacionais e aplicativos que facilitassem o dia a dia corporativo, assim como a inacessibilidade desses meios de maneira domiciliar, fez com que Bill Gates cria-se a Microsoft;
  • Quem não gostaria de ter filmes à mão e a qualquer momento em casa? Assim surgiu a Netflix;
  • Poderíamos citar outras inovações, WhatsApp, Uber, Ifood entre outros.

As pessoas querem pagar por soluções que facilitem suas vidas. Quais são os maiores problemas que você, ou seu entorno, enfrenta hoje? Será que você consegue buscar uma solução?

Não é preciso que a solução seja tão tecnológica quanto a dos exemplos anteriores. Há algo que você saiba mais do que a média das pessoas com quem convive, e que poderia ensiná-los? Por que não criar um curso e vender seu conhecimento?

A partir do momento em que você começar a olhar os problemas como oportunidades, maior será sua atração com a riqueza.

O ouro, está escondido nos problemas, e sua extração vem com a solução.

Não trabalhe por dinheiro

Talvez esse seja um dos ensinamentos mais polêmicos. No início do livro, quando Robert pediu ao Pai Rico para aprender sobre dinheiro, o ensinamento se deu por meio de trabalho sem remuneração. Sem entender, Robert passou um bom tempo trabalhando para o Pai Rico sem ganhar um único tostão.

Ao questionar seu mentor, Robert aprendeu que uma das coisas que diferencia pessoas de mentalidade pobre das de mentalidade rica é o fato de que, as primeiras trabalham por dinheiro, enquanto as segundas, por aprendizado.

Nesse exemplo, durante as horas trabalhadas para o Pai Rico, Robert estava, sem saber, aprendendo como funcionava uma empresa. As horas que passava na loja, além de aprender sobre o funcionamento do negócio, ouvia as reuniões entre Pai Rico e seus assessores (advogados e contadores). Isso, não tem preço.

Não há investimento mais rico do que ganhar o conhecimento necessário para se criar um império. Quem não gostaria de passar um tempo com alguém referência e aprender os segredos que deixaram pessoas milionárias em um determinado segmento de mercado?

Se você tivesse essa oportunidade, mesmo que de graça, de passar seis meses com alguém desse calibre — uma pessoa ímpar —, que lhe ensinasse todos os segredos que o deixaram rico, você aceitaria? Pessoas de mentalidade rica, sim.

O problema é que estamos extremamente focados no “faz-me rir”, vulgo dinheiro de curto prazo. Buscamos, geralmente, uma alocação, não pelo aprendizado, mas por aquela que nos remunerará melhor. Muito disso está ligado a busca de satisfazermos nossos sonhos de curto prazo. Em teoria, acredita-se que: ganha-se melhor, vive-se melhor. Hoje pode ser que sim, mas e amanhã?

Não quero entrar no mérito de sua condição financeira. Talvez você não goste do seu trabalho atual e seu cenário seja o de sobrevivência. Mas mesmo assim, ainda é possível. Nesse caso, um esforço superior será necessário, acorde mais cedo, durma mais tarde. E nesses horários “extras” trabalhe para você (ou para um terceiro) em troca de aprendizado com o objetivo de coloca-los em prática, tão logo seja possível, a fim de que seu cenário seja mais próspero no futuro.

A opção, sempre está em nossas mãos.

Conclusão

Resumindo esses 3 ensinamentos (no livro há muito mais):

  • Não deixe de fazer algo por medo ou pela falsa sensação de segurança. Riscos, sempre existirão, mesmo na inércia;
  • Busque encontrar o ouro nos problemas. Transforme-os em oportunidades por meio de soluções que satisfaçam e ajudem a sociedade;
  • Trabalhe por aprendizado, não por dinheiro. Se seu cenário hoje não permite, encontre horários alternativos e mude esse jogo.

Se você ainda não leu Pai Rico, Pai Pobre, fica a dica. Um livro que não entrará em detalhes técnicos sobre investimentos, mas abordará ensinamentos sobre como os ricos e os pobres lidam com dinheiro e riqueza. A opção de qual “pílula tomar”, é sua.

E caso queira algo mais mão na massa, segue meu livro Montando uma Carteira de Investimentos Inteligente. Tenho certeza que lhe ajudará a montar uma carteira de investimentos robusta, do zero.

Por fim, lhe desejo uma vida muito próspera. Todo sucesso do mundo!

Sou Paulo Boniatti, um forte abraço, até o próximo artigo e tchau!

Escritor, autor do livro Montando uma Carteira de Investimentos Inteligente. Paulo Boniatti é pós-graduado em Gestão em Mercado Financeiro pela FAE Business School. Especialista em investimentos e adepto da filosofia do antifrágil, tem como principal característica a maneira simples e descomplicada de explicar o mercado financeiro. Além de youtuber e criador do canal SaldoZero, é também gestor do Clube de Investimentos Opportuna CI.

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