Nem tudo que reluz é ouro! Em um mundo que concorre por nosso capital, não existe mocinho e vilão. E, nesse sentido, a quem devemos confiar nossos investimentos: a um banco, ou a uma corretora?
Se você tem essa dúvida, esse texto é para você. E, se não tem dúvida, também. Trarei questões extremamente relevantes para que você entenda essas instituições e possa bem jogar esse jogo chamado: mercado financeiro.
O polêmico vilão: o banco
Não há como culparmos algo sem entender os motivos que justificam certas ações.
Quando ouvimos a palavra banqueiro, a primeira coisa que a grande maioria faz, é criticar. Não estou na posição de defende-los. Mas, como comentei, é preciso entender os motivos que justificam suas ações.
Sem entrar no mérito da importância dos bancos na modernização dos sistemas financeiros, é preciso se perguntar: qual o negócio de um banco? Como é que um banco ganha dinheiro?
A resposta mais simples: com a oferta de crédito. Seja o crédito para financiar um imóvel ou um carro, seja por linhas de crédito para setores imobiliários e agro como um todo, seja para empréstimos de curto e médio prazo, seja para o crédito do cartão ou, para o cheque especial.
Enfim, o banco ganha dinheiro emprestando dinheiro à juros. Essa é sua essência.
Mas, por outro lado, é preciso entender que um banco empresta dinheiro de terceiros para terceiros. Quando você aplica um capital na poupança, por exemplo, o banco pega esse capital e empresta para outra pessoa.
À diferença entre taxas, da taxa que ele paga na aplicação versus a taxa que ele recebe no empréstimo, chamamos de spread bancário.
O conflito de interesse
Para um banco, quanto menos ele pagar na captação de dinheiro e, quanto mais receber de juros nas linhas de créditos, melhor.
É desse modo que, um banco irá, geralmente, oferecer produtos do próprio banco: Caderneta de Poupança, Títulos de Capitalização, CDB, Fundos de Investimentos e assim por diante.
O número reduzido de oferta de produtos não é uma mera coincidência. Agindo como uma “fabrica” de investimentos próprios, o banco tem a possibilidade de potencializar seu spread, e assim lucrar mais.
Sendo assim, mesmo que um gerente de banco tenha as melhores intenções — conheço alguns inclusive —, seus interesses nem sempre estarão alinhados com seu cliente, mas com o banco. Existem metas. Esses profissionais são cobrados por resultados.
Assim sendo, pela restrição de produtos e, pelo interesse em potencializar o retorno dos spreads é que, lhe serão oferecidos produtos menos atrativos e com rentabilidades inferiores.
Acredito que fica simples de entender os motivos por não haver qualquer incentivo bancário para que você largue produtos ultrapassados, como a Caderneta. É um investimento no qual o banco paga um juro extremamente inferior se comparado ao spread por ele obtido.
Nem tudo são espinhos
Obviamente, temos sempre que ponderar outras questões. Para muitas pessoas, a comodidade por investir em produtos da instituição ao qual seu capital já se encontra disponível, somado àquele cafezinho com o gerente, são pontos que bastam. O preço pelo cômodo.
Outra questão que preciso deixar registrado: não pense que os bancos deveriam acabar — apesar de muita gente acreditar nisso. Acredito ser um senso comum que os bancos brasileiros cobram juros extremamente elevados. Mas a solução não passa por os limitarmos.
São os bancos que movem os créditos no mercado. Sem banco, sem crédito e sem desenvolvimento. Tente imaginar não somente casas e carros, mas a indústria como um todo.
De qualquer forma, a solução para taxas menores está em abrir cada vez mais o mercado. Somente a concorrência pode barateá-las. E para isso, a solução está em Brasília. Saiba a quem cobrar.
O suposto mocinho: a corretora
Se os bancos são mal, então as corretoras são boazinhas? De maneira alguma!
Entenda, o mundo gira à base de trocas. Em outras palavras, por interesses.
Vamos entender qual é o negócio de uma corretora.
Instituições assim podem ser chamadas como “plataforma de investimentos”. Diferente ao banco, o qual “produz” e disponibiliza, geralmente, investimentos da própria instituição, em uma corretora ela disponibiliza produtos de terceiros.
Aqui não temos o spread. A corretora não pode emprestar recursos do investidor para terceiros. Ela atua somente na intermediação entre o emissor e o investidor. Sendo assim não há o mesmo conflito que o dos bancos — apesar de existir outro que falaremos mais adiante.
De que modo então a corretora ganha dinheiro? Acredito que a maneira mais simples de explicar é fazer alusão às corretoras de imóveis. Um proprietário, ao vender um imóvel por meio de uma imobiliária, paga uma corretagem.
De maneira similar ocorre com corretoras. Quando produtos são vendidos por meio de suas plataformas, os emissores desses títulos: Bancos, Financeiras e Empresas pagam um fee, uma taxa ao vendedor, nesse caso, a corretora.
Também temos conflito de interesses
Imagino que fica fácil imaginar que, pelo modus operandi, as corretoras vão preferir oferecer produtos que lhe retornem melhores comissões. Há quem ousa dizer o contrário.
É um jogo de ganha ganha. Se há um investimento que pode ser excelente para o investidor, mas, que não trará benefícios adequados também para a corretora, nem sempre esse será a primeira opção.
Não se deixe enganar, apesar de existirem excelentes assessores de investimentos — conheço alguns —, eles também precisam garantir seus retornos. É regra do jogo. E, nesse meio, ninguém trabalha gratuitamente.
Existem boas vantagens
De todo modo, precisamos parar de olhar somente para o lado ruim das coisas. O “falso” mocinho tem boas vantagens.
A primeira delas é que, como o público de uma corretora é concentrado muito mais em investidores, se comparado aos bancos, a preferência por taxas baixas é maior. Isso quer dizer que, taxas cobradas em seus investimentos, geralmente, serão menores às encontradas em bancos. Não obstante, muitas corretoras já são taxa zero quase que em sua totalidade.
Podemos citar também a descentralização. Se, em um banco seus recursos ficam concentrado em uma única instituição, na quebra do banco seu problema poderia ser maior — apesar do FGC.
Em uma corretora esse risco fica diluído. Fazendo novamente alusão à corretora de imóveis. Em um processo de compra de um imóvel, se a corretora vier a quebrar, o imóvel continua sendo seu. Ele está registrado em um cartório.
De maneira similar ocorre com corretoras de valores. Ao adquirir um investimento, esse fica registrado nas centrais de custódia, como é o exemplo do CEI (Canal Eletrônico do Investidor). Se a corretora quebrar, basta você acionar a corretora “vizinha” e pedir alteração de custodiante.
Outra vantagem é a gama de produtos. Em uma corretora você terá a possibilidade de encontrar um número extremamente vasto de opções de investimentos — muito superior ao encontrado em bancos.
Quem vence nessa história
Acredito que, baseado no que você espera como investidor, o vencedor cabe a você decidir.
Os bancos podem ser mais tradicionais e ter um gerente para tomar um cafezinho, mas, os produtos dificilmente estarão 100% alinhados com a necessidade do cliente, geralmente estarão mais alinhados com o interesse da instituição.
Por outro lado, falando das corretoras, com uma gama ampla de produtos, novos investidores podem incorrer da necessidade de assessoria e, assim poderiam incorrer também de conflitos de interesses.
A solução para isso? Aprenda a jogar um “jogo bem jogado” e cuidar dos seus investimentos. Não há ninguém melhor para dizer o que é bom ou não, senão você.
Particularmente falando, para investimentos dou preferências às corretoras. É um oceano muito maior, com uma diversidade incrível. A questão é: qual a capacidade de sua embarcação para navegar nesse oceano.
Não vejo problema na ajuda de um gerente ou assessoria de um consultor. Vejo problemas quando não conseguimos discernir se o que estão nos oferecendo é realmente um produto de qualidade, alinhado aos nossos interesses.
E não se engane, estão todos de olho no seu dinheiro. A grande maioria dos bancos, percebendo essa debandada para corretoras, já está criando braços como corretoras. Nesse mundo, o experto é aquele que está um passo a frente. Seja esse você.
E para isso que existe o SaldoZero: para ajudar você a se tornar um investidor cada vez melhor.
Espero ter agregado conhecimento.
Como sempre, lhe desejo todo sucesso e prosperidade que sei que você merece.
Por fim, sou Paulo Boniatti. Um forte abraço e tchau!