Dinheiro compra felicidade?

Dinheiro! Um objeto representado por um pequeno pedaço de papel. Quem não se sente bem com algumas notas graúdas na carteira?

E nesse sentido, surge aquele marco místico: tonar-se um milionário. Quem nunca sonhou em ser o mais novo milionário da família e dos amigos?

Mas será que, na prática, ser milionário irá mudar sua vida? Será que esse volume financeiro terá a capacidade de comprar felicidade?

Para responder a essa pergunta, quero levar você a refletir sobre questões que são pouco abordadas em um mundo, cada vez mais, deturpado sobre questões financeiras.

A triste realidade da pobreza

Deixe-me contar uma pequena história.

Certo dia Maria (nome fictício) nasceu. Sem poder escolher sua nacionalidade e sua classe social, Maria nasceu em um país chamado Brasil, em uma família pertencente a uma classe pobre e, vivendo em uma região extremamente carente de recursos.

Sem muitas condições, Maria pouco estudou e sequer completou o ensino médio. Desde muito cedo viu a necessidade de trabalhar para complementar a renda de sua família.

Sob trabalhos com remuneração baixa, sobreviveu sempre com as maiores dificuldades. Como diz um ditado popular: vendia o almoço para comprar a janta.

Hoje, sem qualquer perspectiva de prosperidade em sua vida, sente-se apenas mais “uma” dentre tantas outras Marias.

Apesar disso, Maria esforça-se para se sentir feliz. Busca externalizar uma sincera alegria a todos em sua volta. Contudo, sabe que, essa felicidade é sofrida e dolorosa.

Tem a certeza que qualquer trocado a mais seria suficiente para melhorar sua vida drasticamente.

Para Maria, acordar milionária seria o equivalente a contarmos um conto de fadas no estilo Cinderela. Um sonho que, somente por um milagre seria possível.

A suposta felicidade da “riqueza”

O sonho de Maria seria ter o equivalente financeiro à Miguel (nome fictício).

Miguel, teve a sorte de nascer em uma família mais bem estruturada financeiramente. Teve sempre boas roupas, casa e educação.

Com excelentes condições financeiras, pode trabalhar em grandes companhias, recebendo sempre os melhores salários.

No auge de sua carreira, Miguel havia conquistado praticamente tudo que sempre desejou. Apesar disso, sentia que a felicidade lhe faltava.

Sua vida era repleta de compromissos e responsabilidades. Demandas incessantes o faziam sentir que não havia mais graça na vida como em anos anteriores.

O conforto, as regalias e a grandiosidade de seus bens já não lhe eram suficientes. Bem na verdade, lhe pareciam: pouco relevantes.

Para Miguel, apesar de multimilionário, não sentia que possuía a verdadeira felicidade.

Dados e fatos

Segundo O Globo, atualmente existem 207 mil brasileiros com patrimônio superior a US$ 1 milhão. São 207 mil Migueis.

Do outro lado, segundo estudos da FGC, atualmente existem 27 milhões de brasileiros na zona da pobreza. São 27 milhões de Marias.

Para 27 milhões de brasileiros, ter a possibilidade de alcançar um patrimônio algo próximo à R$ 1 milhão, sem dúvidas seria algo inimaginável, digno de um grande conto de fadas.

Nesse sentido, temos como dizer que sim, para uma grande parcela da população, tornar-se um milionário traria conforto e dignidade de vida muito grande em comparação ao número atual de supostos milionários infelizes.

Dinheiro compra felicidade, mas há um limite

Em 2010, estudos realizados pela Universidade de Princeton nos EUA, revelaram que há um limite na relação dinheiro versus felicidade.

Limite da felicidade

Os valores mostraram que, a partir de US$ 75 mil anuais (R$ 83 mil da época) não haviam mais incrementos na felicidade.

Pesquisa similar foi realizada em 2018 pela Universidade Purdue, também nos EUA. E, comprovou o mesmo fato. A relação dinheiro versus felicidade possui um limite.

Esse fator reforça o descontentamento de nosso Miguel. Dinheiro pode aumentar o nível de felicidade, mas somente até certo ponto. A partir disso, a acumulação de dinheiro não aumentará o nível de felicidade — talvez até diminua.

Não busque dinheiro, busque felicidade

Supostamente seja algo contraintuitivo a tudo que abordo no SaldoZero. Sempre os incentivei a investir, a buscar a liberdade financeira e deixarem a escravidão moderna para trás.

Certamente, tudo isso é válido. Mas, o que vejo é muita gente buscar incessantemente por dinheiro sem se preocupar em alcançar a verdadeira felicidade. São os Migueis da vida real. A busca de dinheiro sem propósito.

Foque todos seus esforços para alcançar seu status de felicidade e o dinheiro virá. Busque exclusivamente por dinheiro e talvez a felicidade nunca chegará.

É o cavalo que puxa a carroça, e não a carroça que puxa o cavalo. Não inverta as ordens.

O poder da liberdade financeira

Se te pareceu um tanto confuso. Vamos tomar como exemplo a famigerada liberdade financeira.

Como você se sentiria com mais tempo para a família, um teto digno para morar, boa alimentação, saúde, certos confortos modernos e até viagens para lugares maravilhosos?

Suponho que você seria mais feliz se pudesse viver — e não sobreviver — sua vida.

Esse é o poder da liberdade financeira. Obviamente que para alcança-la é necessário dinheiro.

A diferença é que, nesse exemplo você não estaria buscando simplesmente por mais e mais dinheiro incansavelmente sem nunca realmente alcançar um verdadeiro nível de felicidade. Estaria, contudo, buscando recursos financeiros para alcançar um objetivo maior: sua felicidade, a qual será possível por meio dessa tal liberdade.

Considerações finais

Para concluirmos esse texto, podemos afirmar que o dinheiro, é sim, capaz de aumentar o nível de felicidade, até certo ponto. Principalmente para os menos afortunados.

Portanto, não tenha vergonha em admitir que dinheiro é importante. Vergonha é roubar, matar e enganar.

E, se você está na posição da Maria, saiba que você também pode ter uma vida mais digna. Diferente do que muita gente acredita, investir não é exclusividade de milionários.

Meu propósito é trazer luz e mostrar que qualquer pessoa tem condições de começar a investir, mesmo que com pouco.

Se esse é seu cenário, convido você a ler outros artigos para quem quer começar com pouco dinheiro. E, se não for seu caso, mas conhecer alguém que está nessa situação, compartilhe esse material.

A disseminação de educação financeira é uma necessidade que precisa ser difundida com o maior número de pessoas.

Espero ter agregado conhecimento.

Como sempre, lhe desejo todo sucesso e prosperidade que sei que você merece.

Sou Paulo Boniatti. Um forte abraço e tchau!

Escritor, autor do livro Montando uma Carteira de Investimentos Inteligente. Paulo Boniatti é pós-graduado em Gestão em Mercado Financeiro pela FAE Business School. Especialista em investimentos e adepto da filosofia do antifrágil, tem como principal característica a maneira simples e descomplicada de explicar o mercado financeiro. Além de youtuber e criador do canal SaldoZero, é também gestor do Clube de Investimentos Opportuna CI.

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