Os pilares que envolvem a escolha de uma Ação na Bolsa de Valores

Fala Investidores! Cada vez mais ricos?

Quem nunca, no início de seus investimentos no mercado acionário se deparou com questões como – Por onde começo analisar? O que e como analisar? Como saber se a empresa é lucrativa? Se é boa?

São tantas questões, e é extremamente normal para quem está começando se deparar com uma enxurrada de informações que muitas vezes, se não compreendidas, mais complicam do que ajudam.

Se você me acompanha a mais tempo sabe que eu cuido muito em seguir uma linha de raciocínio que favoreça o entendimento de quem nunca teve contato com investimentos, isso porque já passei por isso também, nada diferente da forma que ensino é a maneira como eu aprendi quebrando a cabeça.

Por isso, neste artigo eu quero falar exclusivamente dos grandes pilares que eu considero na análise de uma empresa, qual a importância de cada e porque você não deve analisá-los de forma independente.

Os pilares

Quando eu olho uma empresa eu gosto de olhá-la por 5 vieses:

  • Lucratividade
  • Endividamento
  • Crescimento
  • Governança
  • Preço

Lucratividade

Pense no seguinte, digamos que você queira montar um negócio próprio.

Dúvida: Você gostaria que, de cada R$100 em vendas, após pagar os custos, lhe sobrasse somente R$1 no bolso? É pouco? E se dos mesmos R$100 em vendas lhe sobrassem R$50? Melhor? Nesse sentido, se você dividir o quanto te sobrou por quanto você vendeu é o que chamamos de Margem Líquida.

No mesmo cenário, digamos que você tenha investido R$10k para montar seu negócio próprio, e que esse negócio esteja lhe retornando R$100 ao ano? É pouco? E se dos mesmos R$10k investidos o negócio lhe retorne R$5k por ano? Melhor? Isso é o que chamamos de ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido).

Esse exemplo, apesar de ser hipotético é algo que temos de analisar ao comprar Ações de uma empresa, o que é melhor: ações de empresa com Margem Líquida e ROE baixos ou ações de empresa com Margem Líquida e ROE altos? Logicamente que quanto mais alto melhor.

Mas porque são tão importantes e o que nos podem dizer? Pense assim, digamos que você queira comprar um eletrodoméstico, neste momento você vai a 2 lojas – na mesma rua e uma a frente da outra -:

LojaPreço
LojaAR$589
LojaBR$799

Dúvida: apesar do produto ser muito mais barato na LojaA, você opta por comprar na LojaB este Eletrodoméstico porque os vendedores são mais legais? Lógico que não! Você comprará na loja com o menor preço.  Este fato acontece com grande frequência, por exemplo, no setor de varejo, ocasionando uma guerra de preços entre as empresas e reduzindo suas margens líquidas e consequentemente seus lucros líquidos.

Mas porque isso é tão importante? Empresas com lucratividades apertadas geralmente possuem uma menor margem de manobra para lidar com a concorrência, o que ocasiona riscos a empresas do setor e não raramente, quebras. Tenho certeza que se você fizer um esforço irá lembrar de diversos exemplos de empresas varejistas que quebraram.

Endividamento

No mesmo cenário em que você tenha montado um negócio próprio, e que você tenha de patrimônio líquido (ativos menos passivos) um patrimônio de R$10k. Considerando que você tenha dívidas de R$50k para os próximos 2 anos, caso seu lucros futuros sejam menores do que o esperado, pode ser que você tenha problemas de endividamento, e mesmo que você liquide toda sua empresa, ainda assim não conseguirá honrar com as dívidas. Portanto, se você dividir seu patrimônio líquido por sua dívida conseguimos saber qual seu grau de endividamento. É o que chamamos de Dívida Líquida/PL.

Quando trazemos esse conceito para o mercado acionário é a mesma coisa, não é incomum empresas que geraram ótimos lucros em um determinado ano e quebraram logo no ano seguinte devido ao seu descontrole sobre o endividamento.

Nesse momento, não quero que entenda que dívida é ruim, alguns setores de mercado necessitam que as empresas se alavanquem (se endividem) para continuar trazendo inovações (exemplo telefonia), outras por outro lado não necessitam disso por atuarem em setores de menor necessidade de investimentos (energia elétrica).

E como saber se a dívida da empresa é saudável? Entenda o setor que ela está inserida, compare o endividamento desta empresa com outras do mesmo setor e no viés mais detalhado é se debruçar sobre seus balanços.

Agora, novamente no cenário do seu negócio próprio, qual é seu poder de pagar suas dívidas de curto prazo (12 meses)? Você conseguiria, considerando o quanto tem para receber de seus clientes, pagar todas suas dívidas de 12 meses? Quando dividimos suas receitas de curto prazo (ativo circulante) pelas dívidas de curto prazo (passivo circulante) nos dá a grandeza em X (vezes) de qual sua Liquidez Corrente.

E porque a liquidez corrente é tão importante? Primeiro claro é qual a capacidade da empresa não quebrar no curto prazo, veja o exemplo do momento que estamos passando em 2020, será que a empresa que você está olhando tem condições de sobreviver 12 meses decorrente de problemas ocasionados pela redução de suas operações?

Crescimento

O passado de uma pessoa não nos diz como será seu futuro, mas lhe dá uma noção sobre o caráter e as características dela, certo? O mesmo se passa com as empresas, não temos como prever seu futuro, mas seu passado nos diz se esta empresa é minimamente constante ou não.

Voltemos ao cenário hipotético do negócio próprio.

Cenário1: Imagine você guiando sua empresa e durante 10 anos tendo lucros constantes e crescentes, e da mesma forma aumentando constantemente seu patrimônio líquido (crescendo de tamanho).

Cenário2: Do outro lado, o mesmo negócio gera lucro em um ano, no outro prejuízo, no outro lucro, depois novamente prejuízo e assim sucessivamente.

Concorda que no primeiro cenário transparece que a empresa tem uma melhor estabilidade? E possivelmente menores “riscos”?

Portanto, não adianta você olhar somente os lucros mais recentes da empresa, eventos recentes não nos molda o caráter de uma pessoa assim como lucro recente não nos diz muito sobre uma empresa, se for uma empresa inconstante, a qualquer momento ela pode voltar a dar prejuízo.  

Eu já fiz um artigo e um vídeo falando sobre o viés de olhar as empresas pelo seu histórico de Lucro e Patrimônio Líquidos, isso nos dá uma ideia do comportamento daquela empresa nos últimos 5 a 10 anos.

Governança

Agora digamos o seguinte, que você tenha olhado para a lucratividade, endividamento e crescimento da empresa e ela esteja te agradando. Aí pense nas seguintes situações:

Cenário1: Governo tem parte relevante no corpo acionário da empresa e decide intervir no negócio, fazendo com que a empresa perca lucratividade; tem gente que não se importa, mas é algo a se ter em conta já que o governo muda a cada 4 anos, pense nisso.

Cenário2: O acionista controlador – o manda chuva – resolve vender suas ações e o controle da empresa. Você, minoritariamente fica, hipoteticamente falando, a mercê do mercado acionário e vê suas ações derreterem.

Cenário3: O controlador tem mais de 90% da empresa e deixou somente 10% de ações “livres” para serem negociadas no mercado acionário. Você acaba sendo apenas um financiador e não um acionista propriamente dito.

Cenário4: Os executivos que dirigem a empresa não possuem uma única ação da mesma, ou seja, como você quer comprar ações de uma empresa onde aqueles que a comandam se quer possuem ações dela?

Estas questões fazem parte do que chamamos de governança corporativa e devem ser pesquisadas se você quer comprar ações para o longo prazo.

Preço

Deixei este pilar por último não por acaso, já que a última instância que eu olho em uma empresa é seu preço.

Até agora nós olhamos os pilares que nos mostram a qualidade da empresa por alguns vieses. Mas e no final, ela está em um preço que valha a compra? Como Warren Buffett diz:

“É muito melhor comprar uma empresa maravilhosa a um preço justo do que uma empresa justa a um preço maravilhoso”

De nada adianta você comprar uma empresa maravilhosa se seu preço estiver relativamente alto. Esta questão de preço é bastante polêmica e gera muita discussão se preço importa ou se devo comprar uma ação a qualquer preço.

Para mim preço é a questão que menos importa dentre toda esta análise, mas não acredito que devamos descartá-la, mesmo sabendo que investimentos em ações são para longo prazo, basta uma compra em um momento equivocado para você necessitar de anos para recuperar seu valor investido.

Pense o seguinte, digamos que você queira comprar um negócio próprio (uma loja qualquer), e que esta loja gere R$10k de lucro ao ano. Suponha os seguintes cenários:

Cenário1: Se você a comprar por R$100k serão necessários 10 anos para sua compra se pague.

Cenário2: Se você a comprar por R$50k, serão necessários somente 5 anos para que sua compra se pague.

Quando dividimos o preço pago pelo lucro que aquele ativo nos dá, dizemos que é o Preço sobre Lucro ou P/L.

  • No primeiro cenário você teria um P/L de 10 (100k / 10k de Lucro Líquido ao ano)
  • No segundo cenário você teria um P/L de 5 (50k / 10k de Lucro Líquido ao ano)

Um ponto de muita atenção! Se estamos falando que o P/L é a relação Preço/Lucro, caso o lucro dê negativo esta divisão resultará em um P/L negativo onde demonstra que a empresa está dando prejuízo, fuja disso.

Olhando por outro viés, digamos que você queira comprar um imóvel e que seu valor de mercado seja de R$300k, nesse momento você oferece R$600k pelo imóvel. Salvo se você souber algo especial sobre esse imóvel que justifique, estará comprando este bem 2x mais caro, ou seja 2x seu valor patrimonial.

Quando dividimos o preço pago pelo valor patrimonial temos o que chamamos de P/VP (Preço sobre valor patrimonial).  

O mais sensato seria comprarmos algo com P/L e P/VP baixos, mas algumas empresas podem possuir altos P/L e P/VP extremamente altos. Isso acontece quando os investidores preferem pagar caro por expectativas de aumento de lucro e patrimônio destas empresas no longo prazo. Quanto maior a expectativa de lucros futuros mais alto serão os P/L e P/VP.

Então quanto menor P/L e P/VP melhor? Depende! Em tese sim (e desde que o P/L não seja negativo). O prudente é entender o setor em que a empresa está inserida, comparar estes com outras do mesmo setor e também verificar qual é o histórico destes indicadores dos últimos anos.

Devo olhar somente por estes pilares?

Não! Estes são os pilares centrais que eu levo em consideração, existem outras questões que devem ser levadas em consideração como exemplo:

  • O que você espera para a empresa para os próximos anos?
  • O que você espera para o setor? É um setor cíclico de altas e baixas?
  • O que você espera para a economia como um todo?

E mais um ponto, estes pilares não são qualquer tipo de garantia de compra de empresas “seguras”, não existe risco zero. Mas eu tenho certeza que se você levar em conta os pilares comentados neste artigo, vai te ajudar a não adquirir diversas empresas “micos”.

Muitas das informações que eu mencionei neste artigo você obtém de forma pronta, já calculada em sites como Status Invest.

Concluindo

Você notou que eu expliquei, em linhas macro, os grandes pilares que eu considero ao analisar uma empresa. Nos próximos artigos eu estarei abordando detalhadamente os indicadores que eu considero dentro de cada um destes pilares. Por isso, não deixe de se cadastrar no site e se inscrever no youtube para receber notificações destes e outros materiais quando publicados.

E por fim, eu sou Paulo Boniatti, um forte abs eeee…tchau!

Escritor, autor do livro Montando uma Carteira de Investimentos Inteligente. Paulo Boniatti é pós-graduado em Gestão em Mercado Financeiro pela FAE Business School. Especialista em investimentos e adepto da filosofia do antifrágil, tem como principal característica a maneira simples e descomplicada de explicar o mercado financeiro. Além de youtuber e criador do canal SaldoZero, é também gestor do Clube de Investimentos Opportuna CI.

6 comentários em “Os pilares que envolvem a escolha de uma Ação na Bolsa de Valores

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