Você já reparou na correlação que existe entre Dólar e a nossa Bolsa de Valores? Vejamos, a propósito, um gráfico retirado lá do Sabbius. O que podemos notar é quase que um movimento perfeitamente inverso, quando um sobe o outro desce e vice versa.

Mas, por que isso ocorre? O que leva uma coisa a se contrapor a outra? E o mais importante, como o investidor poderia agir no meio deste evento, que mais nos lembra água e óleo: não se misturam, mas uma coisa raramente vive sem a outra.
Se este tema lhe interessa, confia e vem comigo.
Influência da moeda americana
Para explicar, precisamos entender conceitos primários. Isso facilitará nosso entendimento.
Como podemos notar na imagem abaixo, algo precisa estar claro: mais da metade (52,43%) das negociações realizadas em nossa Bolsa, se dá por investidores estrangeiros.
Se considerarmos que a moeda global comumente usada entre negociações internacionais, é o Dólar, fica fácil de entender a grande influência que a moeda americana tem sobre nossa Bolsa de Valores.
O capital é covarde
Segundo ponto, fique com a seguinte frase na cabeça: o capital é covarde. Esta afirmação se dá no sentido que investidores tendem a preferir o menor risco, ou a melhor relação risco retorno.
O que é melhor, ter a expectativa de ganhar 8% ao ano aplicando o dinheiro em um investimento de classe A, ou seja, o mais seguro possível ou, 10% em um investimento de classe C, de maior risco?
A depender, muita gente tenderia a preferir o investimento de classe A, mesmo que este gere uma expectativa de retorno levemente menor. É o tal do: melhor um pássaro na mão do que dois voando.
É justamente o que ocorre com a relação Dólar sobre nossa Bolsa de Valores:
- Se o risco Brasil aumenta, boa parte do Dólar investido em nossa Bolsa tende a ser resgatado e destinado para investimentos de menor risco;
- Se os EUA, por exemplo, subirem suas taxas de juros, aumentando assim a promessa de retorno a seus investidores em títulos de altíssima segurança, da mesma maneira, boa parte do Dólar presente no Brasil segue de volta ao seu país de origem.
São dois exemplos simples, mas que gostaria que entendesse que, esta relação risco retorno, muitas vezes influenciada por questões adversas: escândalos e conflitos políticos, inflação local e global, guerras e outros conflitos, seja no Brasil, nos EUA ou em outras grandes economias globais, faz com que o capital corra para lugares de menor risco ou de maior retorno (se o risco compensar).
E, se mais da metade do capital aplicado em nossa Bolsa é advindo de investidores estrangeiros, fica simples de entendermos os motivos do Dólar ser tão influente para o investidor local.
A oferta e demanda
Sabendo que o Dólar tem grande influencia em nossa Bolsa de Valores; sabendo também que o capital é covarde e tende a correr para lugares mais seguros, nos resta compreender um terceiro ponto: oferta e demanda.
Quando temos muita gente querendo vender um mesmo produto, e pouca gente querendo comprar, há uma guerra para baixar preços, caso contrário não há negócio. Vende quem cobra menos.
Do mesmo modo, quando há muita gente querendo comprar um mesmo produto, e pouca gente vendendo, a guerra é daqueles que ofertam mais. Leva quem paga mais.
Então pensemos o seguinte, em um cenário favorável para o nosso mercado, aonde investidores estrangeiros sentem-se confiantes em destinar seu capital para nossa economia, o fluxo de entrada de dólares aumenta. Se temos uma maior oferta de dólares, a cotação (o preço) tende a diminuir.
Já em um cenário contrário, aonde investidores deixam nossa economia por motivos já explicados — maior risco ou melhor relação risco retorno —, tendemos a ter uma menor oferta de Dólar. Neste caso, há uma elevação de sua cotação.
A correlação negativa
Tudo o que foi explicado nos leva a entender os motivos pelos quais temos esta contraposição de Dólar contra Bolsa, ou melhor dizendo, uma correlação negativa:
- Maior risco ou menor relação risco retorno: estrangeiros, que são mais de 52%, vendem massivamente ações e retiram seu capital — que é covarde — para investimentos com menor risco ou maior relação risco retorno, geralmente de volta aos EUA. Desvaloriza Bolsa por aumento na oferta de vendas e valoriza Dólar pela sua saída e redução da oferta interna.
- Menor risco ou maior relação risco retorno: estrangeiros, que são mais de 52%, compram massivamente ações e trazem seu capital — que está corajoso — para investimentos com menor risco ou maior relação risco retorno, agora de volta ao Brasil. Valoriza Bolsa por aumento na demanda de compras e desvaloriza Dólar pela sua entrada e aumento da oferta interna.
O resultado? Novamente trago o gráfico:

Nem sempre é assim
Agora que você já é um expert sobre os motivos do Dólar se contrapor frente a nossa Bolsa, é preciso apenas concluirmos o racional afirmando: nem sempre é assim.
Primeiro é preciso compreender que, apesar de mais de 52% das negociações da Bolsa estarem sob controle estrangeiro, ainda há 48% que não.
E segundo que, nem sempre a entrada de capital externo tem destino a Bolsa, algumas vezes o destino pode ser diretamente novos negócios — ou empresas não listadas — e até mesmo investimentos de renda fixa.
Ademais, é preciso ponderar uma terceira questão: nossa inflação corrói o Real. Fato este que, independente deste fluxo cambial, nossa moeda tende sempre a perder valor frente à americana.
O resultado em mais longo prazo é o que vemos no gráfico a seguir. De todo modo, chamo sua atenção para momentos de fortes stress e incertezas econômicas (2015 e 2020), momentos estes aonde o capital se mostra verdadeiramente “covarde”.

Os 3 pilares
Por último, e como comparei Dólar e Bolsa à Água e Óleo, uma estratégia inteligente de investimento não deve ser excludente, é preciso compreender estes comportamentos e buscar entender como bem combina-los dentro de uma carteira de investimentos.
Há de se considerar também que, apesar de difícil de ocorrer em um futuro muito próximo, este efeito só ocorre pela grande exposição de capital estrangeiro em nossa Bolsa, assim também decorrente da importância do Dólar no cenário internacional. Uma outra moeda pode vir a substituí-la? É possível, mas é pouco provável, ao menos no curto e médio prazo.
Na estratégia do SaldoZero e Sabbius, ambos ativos fazem parte de 2 dos 3 grandes pilares: proteção cambial (Dólar) e agressão em renda variável (Bolsa). Sem considerar, obviamente o terceiro grande pilar (proteção caixa).
Toda esta estratégia é devidamente explicada em uma playlist completa e gratuita sobre composição de carteira.
Para aqueles que querem se aprofundar ainda mais, contudo, seguem outras duas recomendações:
- Livro: Montando uma Carteira de Investimentos Inteligente
- Curso: Do SaldoZero à Liberdade Financeira
Sucesso e prosperidade sempre,
