BITCOIN – O que é, como funciona, e: ainda vale a pena?

Você já reparou que é justamente nos momentos onde um ativo já se valorizou em demasiado que, ele é majoritariamente citado, seja por influencers ou pela mídia em geral? Assim também acontece com as criptos.

Repare, Bitcoin, há anos atrás era muito falado, quando saiu dos seus R$ 1,3 mil do fim de 2015 para perto de R$ 65 mil no final de 2017 — alta de 4.900% (você não leu errado). E, antes que fique assustado e deixe de ler o artigo, não se assuste, você pode comprar fração da moeda, chamado Satoshi, equivalente a 0,00000001 — falaremos na sequência.

Contudo, após este grande patamar, uma queda vertiginosa o fez chegar aos R$ 12,6 mil no início de 2019 — uma queda de 81%. Logicamente que, após esta vigorosa queda, poucos ainda se arriscavam a falar desta ou de outras moedas digitas.

Acontece, que somos condicionados a esquecer facilmente o passado, e desta forma, com um certo “grau de miopia” acreditamos que os maus tempos ficaram para trás, e que agora o caminho é somente: “para cima e avante”. Também, pudera. Desde a última grande queda, o Bitcoin já se valorizou, novamente, 598% — a moeda está a patamares de R$ 88 mil.

Portanto, eu quero com este artigo, mostrar, de forma bastante resumida, meu ponto de vista com relação a estas moedas e mostrar pontos que você também poderia levar em conta. Lembrando que, isso trata-se de opinião pessoal e, de maneira alguma você deve investir em algo baseado em opinião de terceiros.

O que é o Bitcoin

De maneira objetiva, o Bitcoin nada mais é que uma moeda, assim como o Real, o Dólar ou qualquer outra moeda que você conheça, contudo, é digital. Portanto, entenda que, essa moeda não existe fisicamente.

Se te parece algo distante a entender, repare que, à medida que o tempo está passando, cada vez menos estamos utilizando moeda papel. A maioria das transações bancárias tradicionais já acontecem sem a movimentação física — pense nisso.

Quando surgiu o Bitcoin

Essa moeda surgiu entre 2008 e meados de 2019 por meio de seu criador Satoshi Nakamoto. Faz-se válido comentar que, o nome de seu criador é figurativo, e, até hoje, ninguém sabe a verdadeira identidade de Satoshi.

De lá para cá, outras moedas foram surgindo também, como é o caso da Ethereum, Litecoin, entre outras, cada uma com um propósito diferente — falaremos melhor disso na sequência.

Quais os diferenciais do Bitcoin

Estarei listando alguns pontos que identifico importante de serem conhecidos pelo público em geral.

Impressão limitada

Não sei se é de seu conhecimento, mas moedas como Real e Dólar, também chamadas de moedas fiduciárias, não possuem lastro — algo que a garantem fisicamente — tampouco quantidades limitadas.

Esse fato é um grande problema. Muitas vezes, um governo, principalmente em períodos de crises, decide por imprimir mais moeda, o que pela lei da oferta e demanda, se aumenta a oferta de algum bem em maor proporção a demanda, este por sua vez tende a se desvalorizar.

Isso se prova quando notamos que, nossa moeda, o Real, tem cada vez menos valor. Uma nota de R$ 100 em 1994, equivale a R$ 15 nos dias de hoje — perda de 85% do valor da moeda.

Outro fato que agrava. O “valor” destas moedas fiduciárias sobrevive por meio da confiança. O mercado em geral confia — ou precisa confiar — na capacidade dos governos honrarem suas dívidas. Quando esta confiança é quebrada, estoura uma crise, como é o que acontecem em 2008 na crise do Subprime nos EUA — houve uma quebra de confiança e o governo americano se viu obrigado a imprimir maior volume de moeda para acalmar o mercado — desvalorizando sua moeda.

E, se você acredita que isso é algo distante, em 2020 não foi diferente, tanto nos EUA como no Brasil, foram realizadas impressões de moedas para minimizar os impactos da crise recente. E não tenha dúvida, seu dinheiro, com estas impressões, vale cada vez menos.

Mas, aonde quero chegar com este papo entediante é que, ao contrário das moedas fiduciárias, o Bitcoin tem um limite máximo de 21 milhões de moedas. Isso é um conceito determinado desde o início do projeto. E, assim como o ouro, ele se torna escasso.

Agora, retornando a lei da oferta e demanda, se temos uma oferta limitada de Bitcoins (somente 21 milhões) e se na outra ponta ocorrer um aumento na demanda — na sua procura por novos investidores —, o bem tende a se valorizar.

Antes de concluir este tópico, gostaria de citar que, o limite de 21 milhões de moedas é válido para o Bitcoin. Para Ethereum por exemplo não há esta limitação. O que não pode ser encarado com extrema semelhança a “irmã mais velha”. Apesar de semelhanças, cada moeda tem um proposito, um objetivo e uma tecnologia diferente.

Mas seguimos. Ainda tenho outras questões a enfatizar.

Descentralização

O Bitcoin, assim como outras moedas digitais, possui um sistema descentralizado — sem intervenção de qualquer governo. Como suas transações não são intermediadas por um banco e sim por uma rede de computadores espalhados pelo mundo, os governos não conseguem intervir.

Ademais, nestas transações, a pessoa não é identificada, impossibilitando qualquer tipo de rastreio — para o bem ou para o mal.

De maneira complementar, esta rede é o que chamamos de Blockchain. Em um artigo futuro — a depender da busca — posso criar um artigo específico tratando o tema.

Mas, para entender a importância da descentralização, eu quero citar alguns exemplos do poder — negativo — da intervenção governamental.

Na China, pela legislação atual, os cidadãos não podem comprar mais do que US$ 50 mil por ano. Trata-se de pura intervenção limitando a liberdade de cidadãos, mantendo-os abaixo das políticas internas do país.

Porém, esse limite deixa de ser um problema quando os chineses utilizam-se da rede do Bitcoin. Devido à descentralização comentada, podem enviar dinheiro para o exterior por meio da aquisição de Bitcoins.

Se te parece um exemplo extremista, recentemente nossos vizinhos argentinos foram restritos por políticas muito semelhantes. Desde setembro de 2020, o limite de compra de dólares por cidadãos argentinos é de US$ 200 mensais.

Portanto, no meu ponto de vista, uma das principais vantagens do Bitcoin, é justamente essa descentralização. Uma diversificação, dentro de certos limites, fugindo de regulamentações ou intervenções governamentais.

O que para muitos é uma preocupação, pela moeda não ser regulada, para mim é justamente algo que me chama a atenção.

Negociação 24h por dia e 7 dias da semana

Outra diferenciação das moedas digitais se dá com relação a sua negociação.

Diferentemente do que ocorre por exemplo com a Bolsa de Valores, onde as compras de ativos acontecem somente em dias uteis (durante horário de pregão), com as moedas digitais, a negociação ocorre a qualquer momento — o mercado de criptos não fecha.

Logicamente que, minimamente, você precisa ter realizado uma transferência de Real para a corretora onde irá comprar suas moedas.

Por onde comprar Bitcoin

Mais adiante eu quero abordar alguns temas que você precisa levar em consideração antes de comprar, seja Bitcoin ou qualquer outro tipo de moeda. Mas, por ora, quero tratar sobre o tema de onde comprar as criptos.

Como comprar Bitcoin

A primeira coisa é que, a compra e a venda de criptos também ocorre por corretoras — assim como ocorre com as corretoras de valores (ações, fundos imobiliários e etc). Contudo, não são as mesmas corretoras.

O processo de compra é muito simples. Bastando ter conta em uma corretora, você irá fazer uma transferência de recursos para a instituição, e a partir disso, com o dinheiro disponível, bastará selecionar a moeda desejada, BTC (Bitcoin), ETH (Ethereum) ou outra e lançar a ordem de compra.

Como comentei no início do artigo, você não precisa comprar um Bitcoin inteiro, pode comprar um Satoshi — equivalente a 0,00000001. Pelas cotações atuais está custando algo por volta de: R$ 0,88.

O processo de venda é similar. Solicitará à venda — que será revertida em Real na conta de sua corretora e, então, basta solicitar o resgate para sua conta pessoal (do banco).

Compre por corretoras especializadas

Como mencionado, no mercado cripto, as operações ocorrem por corretoras específicas, e, importante frisar que, por não haver regulamentação das moedas digitais, as corretoras tampouco são regulamentadas.

Por isso, prefira corretoras já atuantes e consolidadas. Não posso recomendar, mas citar algumas que atuam a bastante tempo e pouco se sabe de problemas, como a Bitcointrade e o Mercado Bitcoin.

Guardar em carteira

Agora, um ponto que poucos sabem. Falando de Bitcoin, a blockchain é um conceito a prova de hackers. Contudo, não é incomum exemplos de pessoas que perderam suas moedas por terem sido roubadas — hackeadas.

Acontece que, a falha do sistema não acontece na blockchain, e sim fora dela, nas corretoras. Por algum problema de segurança, corretoras já foram invadidas e hackers roubaram as chaves dos clientes. Chave é o termo que se dá ao endereço da sua carteira digital. Esse também é um dos motivos de se escolher uma boa corretora.

Além disso, não quero me alongar, mas, existe um conceito de carteira digital, esta pode ser a carteira presente na corretora, em aplicativos de celular, em carteiras físicas (por dispositivos — aparelhos — físicos) ou até em carteira impressa. O mais importante é você preservar sua chave.

Como falei, não quero me alongar. A depender da demanda por este artigo, posso fazer outros vídeos explicando melhor o detalhe das carteiras digitais.

Mas fica a questão: Bitcoin, ainda vale a pena?

Inicio este tópico dizendo que não tenho o poder da previsibilidade, portanto, não tenho como saber qual será o futuro do Bitcoin ou de outras moedas. Este tampouco é meu perfil de investidor. Não tento prever o futuro, mas prefiro me proteger dele.

Assim como já abordei em outros artigos, o principal é você pensar sua carteira de investimentos como um time. Qual será a função desempenhada por um ativo dentro de sua carteira?  

Já vi, e vejo muita gente entrando de forma totalmente afoita neste tipo de investimento. Ou, muita gente que se quer investe por pensar na carteira de investimentos de maneira equivocada.

Tenha em mente que, estamos em uma alta histórica para o Bitcoin, valendo R$ 88 mil no momento que estou escrevendo. E nada impede de ele voltar aos patamares de R$ 12 mil novamente.

Pessoalmente falando, e não tenho o objetivo de influenciá-lo, muito pelo contrário, tenho objetivo de torna-lo um investidor pensante acima da média. Mas, o Bitcoin, em minha carteira, desde maio de 2019 cumpre um papel de proteção frente as regulamentações governamentais — conforme abordei anteriormente. Somado a isso, reservo algo próximo a 3% totais para criptos (tenho Ethereum também).

Neste sentido, não me preocupo com o futuro destas moedas. Se, ambas as moedas desaparecerem, perderei somente 3% da minha carteira, 97% estão em outros ativos. Contudo, se a moeda continuar a se valorizar, estarei gradativamente efetuando vendas pontuais (como venho fazendo desde meu início nas criptos), sempre mantendo meus 3% e minimizando riscos em demasiado.

Portanto, se seu objetivo é especulativo, ganhar com a valorização da moeda. Sinto lhe dizer, como comentei, não tenho o poder da previsibilidade. Contudo, se seu objetivo é uma descorrelação e uma descentralização governamental, estas moedas podem cumprir este objetivo.

De qualquer forma, tenha sempre em mente e o cuidado em não se expor ao risco. Nada, absolutamente nada pode evitar que o Bitcoin, não tenha suas cotações despencando, bem como o pior, extinguindo a moeda.

Por fim, espero ter conseguido ajudá-lo a entender, nem que seja um pouco, sobre o Bitcoin.

Novamente, antes de comprar, seja este, ou qualquer outro tipo de ativo, estude-os. Antes de pensar em ganhar, pense em não perder. Proteja-se sempre.

Aqui me despeço. Sou paulo Boniatti, um forte abs, até o próximo artigo e tchau!

Escritor, autor do livro Montando uma Carteira de Investimentos Inteligente. Paulo Boniatti é pós-graduado em Gestão em Mercado Financeiro pela FAE Business School. Especialista em investimentos e adepto da filosofia do antifrágil, tem como principal característica a maneira simples e descomplicada de explicar o mercado financeiro. Além de youtuber e criador do canal SaldoZero, é também gestor do Clube de Investimentos Opportuna CI.

1 comentário em “BITCOIN – O que é, como funciona, e: ainda vale a pena?

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