Você já reparou que a cotação, seja de ações ou fundos imobiliários, geralmente cai durante um processo de subscrição, em especial no dia seguinte após a data com (data de corte)?
Esse é um fato extremamente normal, e que não deve surpreender aqueles que investem nessas classes de ativos.
Portanto, nesse artigo quero explicar os motivos e como você pode meramente calcular o tamanho dessas quedas — ou o que esperar.
O que é uma subscrição
De maneira extremamente objetiva, subscrição nada mais é que o direito, concedido aos cotistas, de comprarem novas cotas do ativo a um preço descontado. Simples assim.
Não entrarei nos detalhes uma vez que esse termos já foi abordado de maneira muito mais abrangente nesse outro artigo. Sugiro sua leitura caso tenha dúvidas.
O foco hoje é falarmos desse efeito da queda das cotações.
O que é data com
Acho válido abordarmos o que é data com. Data com é a data base, ou data corte, para que, os cotistas que tenham cotas do referido ativo tenham o direito da subscrição.
Vamos supor que a empresa ou o fundo informe que acontecerá uma nova subscrição com data com em 30/07/2021. Nesse caso, os cotistas que possuírem as cotas desse ativo no dia 30/07/2021 receberão esse direito. Do outro lado, quem comprar essas mesmas cotas no dia seguinte perderá o direito.
Ainda sem entrar no detalhe dos motivos da queda, mas quero que você reflita; o que tende a ter mais valor: (1) um ativo que traz consigo um direito de subscrição; ou (2) o mesmo ativo, mas sem esse direito?
Supostamente a opção 1 tende a ter mais valor, sendo assim, a opção 2, aquela que não há mais direito de subscrição tenderia ter menos valor e, consequentemente valer menos.
Vamos “azeitar” isso no decorrer do artigo.
Exemplo de ajustes de cotações
Sabendo o que é data com, vejamos dois exemplos aleatórios de fundos imobiliários.
CPTS11 – CAPITANIA SECURITIES II
- ANÚNCIO: 10/02/2021
- DATA COM: 10/02/2021
- VALOR BASE: R$ 97,49
- PERCENTUAL: 30,49%
Note a data com e veja o efeito (a queda) disso no gráfico a seguir:

A cotação do ativo passou de R$ 103,19 em 10/02/2021 para R$ 100,66 no dia seguinte. Uma queda de 2,45%.
IRDM11 – IRIDIUM RECEBÍVEIS IMOBILIÁRIOS
- ANÚNCIO: 03/03/2021
- DATA COM: 04/03/2021
- VALOR BASE: R$ 102,69
- PERCENTUAL: 31,25%
Observe o mesmo nesse segundo exemplo.

A cotação do ativo passou de R$ 152,00 em 04/03/2021 para R$ 137,33 no dia seguinte. Uma queda de 9,65%.
Por que disso? Vejamos…
Motivos das quedas
Vamos elucidar alguns motivos que causam esse efeito.
O primeiro deles é um ajuste matemático feito pela Bolsa de Valores após o fechamento do mercado. Na data com, assim que o mercado é encerrado, a Bolsa faz um ajuste no valor da cotação do ativo de acordo aos valores da subscrição. Logo na sequência irei demonstrar esse cálculo.
O segundo motivo é decorrente do mercado em si. Como o valor para se subscrever em um ativo é meramente menor ao que o ativo está sendo negociado no mercado à vista, nos dias que se sucedem, muito investidores que possuem direitos podem optar por fazer um flip: vender o ativo mais caro no mercado à vista aguardando o exercício de suas novas cotas a um preço mais atrativo.
Esse segundo motivo não há como prevermos; dependerá do humor do mercado como um todo. Nem sempre fazer flip é o melhor caminho. Lembremos que o mercado é imprevisível.
Vamos focar no que está a nosso alcance, entender o preço ajustado no fechamento da data com.
Como calcular
O preço ajustado é realizado logo após o fechamento da data com. Vamos supor que um ativo, que esteja em sua data com, tenha encerrado o pregão ao preço de R$ 100. Considerando as seguintes variáveis, teríamos:
- Preço de fechamento: R$ 100;
- Preço da subscrição: R$ 90;
- Percentual da subscrição: 30%
O preço ajustado será dado por meio de uma fórmula matemática muito simples:


Note, o ativo havia encerrado o pregão ao preço de R$ 100. Contudo, seu novo preço de encerramento passou para R$ 97,69, simplesmente pelo ajuste baseado nos valores da subscrição.
Só que veja. Para o cotista que tinha cotas a R$ 100 e vê as mesmas caindo para R$ 97,69 pode parecer que perdeu dinheiro. Contudo, pelo outro lado ganhou-se o direito de comprar uma nova cota com R$ 7,69 de desconto a uma proporção de 30%, o que dá R$ 2,307 ou, se somarmos ao valor do fechamento anterior, os mesmos R$ 100.
Isso quer dizer que uma coisa compensa a outra. O preço ajustado nada mais é que o preço do fechamento menos o benefício que se ganhou.
Além disso, o que é importante entender. Quanto maior a diferença entre o preço do ativo à vista se comparado ao preço do ativo na subscrição; e quanto maior o tamanho (proporção) da subscrição, maior será o ajuste.
Veja o que acontece se alterarmos a proporção de 30% para 50%:

Agora, vamos supor que o preço da subscrição seja de R$ 80 (ao invés dos R$ 90 anteriores):

O que esperar
Apesar desse ajuste no preço de fechamento, isso significa que o mercado abrirá no dia seguinte usando esse preço ajustado? A resposta é: NÃO.
Veja, o que mudou foi simplesmente o preço de fechamento do ativo. Isso não significa que o mercado abrirá respeitando esse preço.
Por N fatores que fogem do nosso controle, podemos supor que a força compradora aumente, forçando o ativo abrir a uma cotação acima do preço ajustado. Ou, da mesma maneira, se supormos que o mercado acorde “azedo”, o preço do ativo pode abrir abaixo do seu preço ajustado.
Mas, o que podemos esperar é que o preço do ativo, em qualquer que seja o cenário, sofrerá uma correção da sua cotação pela Bolsa de Valores no fechamento do mercado na data com.
Conclusão
O intuito desse artigo foi de explicar que é esperado esse ajuste de preço do ativo devido as subscrições — nesse ponto não se desespere. Mas, não é possível prever qual será o comportamento do mercado nos dias que se seguem.
Por isso, aquela máxima nunca sairá de moda: diversificação e foco no longo prazo.
Para facilitar, deixarei abaixo o link para download de uma planilha que efetuará o cálculo que citei nesse artigo. Basta informar os dados e pronto.
Espero ter agregado conhecimento.
Por fim, sou Paulo Boniatti. Um forte abraço e tchau!
