Nesta última semana, tivemos mais uma alta da nossa Taxa Básica de Juros, a Taxa Selic. É a décima segunda alta em pouco mais de 1 ano, saindo de 2% em abril de 2021 para 13,75% em agosto de 2022.

Uma mudança de taxa tão abrupta mostra como nosso país é imprevisível e pode gerar dificuldades maiores para investidores que buscam mirar o melhor investimento na expectativa de acertar o sentido da economia.
Mas, será que estamos no final deste aperto monetário? Será que a Taxa Selic continuará a subir? O que o mercado tem como expectativa? E, como ficam nossos investimentos?
Bom, é sobre tudo isso que falaremos hoje. Se este tema lhe interessa, como sei que interessará, confia e vem comigo.
Será o fim do aperto monetário?
De acordo a última reunião do COPOM, o comitê continua cauteloso com relação as variáveis que influenciam sua decisão: […] O Comitê ressalta que, em seus cenários para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. […]
Mas veja, fatores de risco para ambas direções nos mostra que o COPOM já está considerando cenário redução na inflação, o que pode significar que, estamos diante de um possível fim dos apertos monetários — salvo se, fatores de risco para uma direção ainda inflacionária permaneça.
E quais seriam estes fatores? Segundo o COPOM, […] Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; e (ii) a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e estímulos fiscais adicionais que impliquem sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporados nas expectativas de inflação e nos preços de ativos. […]
No entanto, o COPOM ainda deixa em aberto um aumento residual, caso necessário: […] O Comitê avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião. […].
Fato este que, apesar da sinalização de fim de ciclo de alta, não nos surpreenderia se ainda tivéssemos mais um ajuste pontual.
De todo modo, um aumento de mais 0,25% é praticamente nada frente a uma taxa atual de 13,75%. Mas fica a ressalva.
O que o mercado espera
Diante do exposto, fica claro de perceber que o mercado também se divide. Como podemos ver abaixo — opções do COPOM — 55% do mercado acredita que o COPOM deve manter a taxa em 13,75% e, 37% acredita na elevação residual.

E como ficam os investimentos?
Concretamente falando, estamos em uma das melhores janelas para se investir. Praticamente todas as classes e ativos estão com grande potencial. Vejamos:
Bolsa de Valores
A Bolsa brasileira está com sua relação preço sobre lucro (P/L) nas mínimas desde 2001. Em resumo, entenda “mais barata”.

Fonte Oceans14
Caso as taxas de juros parem sua elevação e, em um futuro não tão distante passem a um movimento contrário — de redução —, poderemos ver uma excelente recuperação da Bolsa.
Títulos Prefixados
Os títulos prefixados estão oferecendo taxas interessantíssimas. Tomando como base os títulos prefixados do Tesouro Direto, os vemos sendo ofertados a taxas de mais de 12% ao ano.

Se compararmos as taxas ofertadas com a as expectativas de inflação futura, temos um bom horizonte de ganho de juro real acima da inflação.

Isso vale tanto para títulos públicos como privados.
Ademais, se consideramos o efeito marcação a mercado sobre os títulos públicos, caso as taxas de juros no Brasil voltem a regredir, o mesmo efeito que será observado na Bolsa, será observado nestes títulos. Ou seja, estamos diante de um cenário bastante promissor.
Títulos Pós-Fixados
Ainda assim, para quem é ainda mais conservador e está focado em títulos pós fixados, estão absorvendo ótimos retornos recentes. Fica a atenção caso as taxas voltem a reduzir.
Mas ficam as ressalvas
Gostando ou não do futuro do Brasil, acreditando ou não em sua recuperação, uma coisa é fato, estamos de frente a inúmeras oportunidades de bons investimentos.
Mas, como sempre, fica a atenção: e se o cenário se deteriorar mais? É possível piorar? Neste mercado, nestes desencontros políticos e entre poderes, tudo é possível.
É por isso que o SaldoZero nunca tentará adivinhar qual o melhor investimento para o hoje, e sim como compor uma carteira de investimentos que se comporte bem qualquer tipo de cenário econômico.
A proteção caixa, proteção cambial e agressão em renda variável, e que tanto falo, nunca sairão de moda. Independentemente de qual seja o cenário econômico, sempre teremos um destes pilares se valorizando e permitindo que nos aproveitemos de pilares mais deteriorados, em outras palavras, mais baratos.
Se você não sabe do que se tratam estes pilares, apesar de ser algo que ensino em detalhe em meu curso e livro, disponibilizo vídeos gratuitos para você se aprofundar.
Portanto, apesar de parecer estarmos diante do fim do ciclo de alta das Taxas de Juros, apesar de estarmos diante de um cenário ímpar para os investimentos, toda cautela é sempre bem-vinda.
Não tente acertar o melhor investimento, este pode se tornar o pior, caso ocorram mudanças de variáveis econômicas. Busque, no entanto, se manter vivo e crescer financeiramente, por meio de uma composição de carteira saudável e robusta para o longo prazo.
Sucesso e prosperidade sempre,
Paulo Boniatti