Ainda vale a pena investir em ações na Bolsa de Valores? Esse tipo de questionamento geralmente surge quando estamos vivenciando um momento desfavorável economicamente falando.
Do outro lado, quando a economia vai bem e o mercado reflete um otimismo generalizado, dificilmente ficamos nos perguntando se vale a pena investir em ações. Pelo contrário, neste caso, geralmente somos levados somente a não querer perder a oportunidade de auferir alguns lucros pontuais — não queremos ficar fora da “festa”.
A aversão ao risco
Pensar assim não é uma falha estritamente pessoal. O ser humano tem por característica a aversão ao risco. Desde sempre nos preocupamos mais com o que podemos perder, do que podemos deixar ganhar.
Se você ganhasse R$1mil e fizéssemos a seguinte pergunta: O que você preferiria:
- Investir esses R$1mil no ativo A com 95% de chance de perder tudo e 5% de chance de dobrar o valor para R$2,5mil?
- Investir esses R$1mil no ativo B com 5% de chance de perder tudo e 95% de chance de transformar o valor para R$1,5mil?
Alguns mais audaciosos podem preferir a opção 1. Mas, na maioria das vezes, a resposta se dará para a opção 2. Isso porque temos a preferência por não perder. E está tudo bem até aí.
Isto mostra como é normal as pessoas ficarem com medo — principalmente em crises e momentos econômicos desfavoráveis — de investir em ativos de bolsas de valores. É o pensamento do: “e se cair mais?”.
A mentalidade de grandes investidores
Contudo, quando se estuda os maiores investidores de todos os tempos, é regra geral de que, o comportamento deveria ser completamente o contrário. Como bem diz Warren Buffet: seja ganancioso quando os outros forem medrosos e seja medroso quando os outros forem gananciosos.
Outro fator que favorece os grandes investidores é o pensamento de longo prazo. Nenhum deles investe em bolsa para obter retorno em 6 meses. Suas riquezas foram construídas durante décadas de investimentos.
Para melhor exemplificar, vejamos alguns gráficos.
A visão de curtíssimo prazo
A grande maioria das pessoas que acreditam na riqueza rápida na bolsa — o que não existe — imagina um gráfico assim.

Esse é o gráfico do índice Ibovespa que representa a performance da nossa Bolsa durante os últimos 6 meses.
Nesse minúsculo espaço de tempo é aonde se encontra a maioria dos investidores de bolsa. Guerreando-se entre si à procura de um retorno financeiro rápido.
A visão de curto prazo
Aqueles que superaram os seus primeiros 6 meses buscam acreditar que a bolsa pode ser uma ótima opção de investimento.
Contudo, o mercado é implacável. Para estes investidores a visão é como a mostrada a seguir.

Essa é a visão de 1 ano. Para boa parte destes investidores fica o sentimento: “poderia ter alocado esse capital em um lugar melhor”.
A visão de médio prazo
Aqueles que, pelo motivo que for, foram perseverantes e não sucumbiram ao primeiro ano — como a maioria dos novos investidores —, começam a ver um gráfico um pouco mais motivador.

Este é o gráfico de 5 anos. Vejamos que, apesar da grande queda de 2020 — devido à crise do Covid —, ainda assim é um cenário muito mais interessante, principalmente para quem começou em 2017.
Neste ponto, para estes investidores, investir em Bolsa começa a fazer mais sentido, apesar dos momentos econômicos.
A visão de longo prazo
Com o passar do tempo, o cenário vai se mostrando cada vez mais promissor. Vejamos o gráfico abaixo.

Este é o mesmo índice Ibovespa dos gráficos anteriores. Contudo, o tempo ameniza momentos conturbados. A que se transformou a crise de 2020 frente a quem já vem investindo desde 15 anos atrás? Apenas um momento qualquer no gráfico.
Mas isso ainda pode melhorar…
A visão de longuíssimo prazo
A visão de longuíssimo prazo. Assim como os maiores investidores de todos os tempos que deixaram seu capital maturar por longos períodos, vejamos como foi nosso mercado em um intervalo de 26 anos.

Será que aqueles que começaram a investir desde muito cedo, estão preocupados com as crises — que não foram poucas — que tivemos durante esse período? Tenho certeza que não.
Para que você tenha ideia das crises nacionais e internacionais a que fomos expostos:
- Crise dos Tigres Asiáticos – 1997
- Crise Russa – 1998
- Bolha da Internet – 2000
- Crise do Subprime – 2008
- Impeachment Dilma Rousseff – 2016
- Greve dos caminhoneiros – 2018
- Coronavírus – 2020

Foram as únicas crises? Não. Serão as últimas? Tampouco.
A questão é que: quanto mais no curto prazo se pensar, maior será a volatilidade e menores os retornos; quanto mais no longo prazo se submeter, menor será a volatilidade e maiores os retornos.
Empresas lucrativas
E se tudo isso não foi suficiente para você, peço que reflita: estamos em um momento bastante delicado economicamente — muito decorrente de má gestão governamental. Mas, ainda assim, com todos os problemas que estamos vivenciando:
- A companhia de energia da sua região, parou de fornecer seus serviços? Ela reduziu tarifas? Ou ela continua faturando — algumas vezes até mais — mesmo com inflação, escassez de água e outros problemas?
- O banco ao qual você é cliente, parou de fornecer crédito por meio de cartões, cheque especial e empréstimos? Foi complacente e reduziu os juros para você? Ou ele continua faturando, até mais?
- As empresas alimentícias, elas reduziram os preços da carne e do trigo? Ou elas repassaram toda esta inflação ao consumidor?
Esses foram somente alguns exemplos. Outros setores certamente, como varejo e construção, podem ser mais afetados devido a perda de poder de consumo do cidadão.
Mas, em linhas gerais, grandes empresas de grandes setores tendem a não absorver a totalidade do problema econômico, mas se adaptar e, muitas vezes, repassar isso aos clientes que, por vezes, não têm como evitar seus produtos e serviços.
E se, estas empresas que eram lucrativas e que continuam lucrativas, passam a ter suas ações negociadas a valores mais baixos do que antes da crise, significa que ficou melhor ou pior para se tornar sócio destas gigantes por meio da compra de suas ações?
Bom, para os maiores investidores de todos os tempos, é na crise que surgem as melhores oportunidades.
Saiba em que se está investindo
Por isso é tão importante saber em que se está investindo. Quando se investe em uma companhia que conhece, que sabe como ela gera receita e, principalmente, como ela se comporta em crises, fica muito mais simples enfrentar o curtíssimo, o curto e o médio para alcançar o longo e o longuíssimo prazos.
Então, respondendo: ainda vale a pena investir em ações na Bolsa de Valores? Sempre valerá.
Obviamente que não estou dizendo para que você venda todos seus bens, pegue todas suas economias e coloque tudo na Bolsa. Ações, é apenas uma das classes de ativos que devem compor uma boa carteira de investimentos.
Neste sentido, convido você a assistir a série da carteira pública.
Foque em boas companhias, foque no longo prazo e o resultado virá, com o tempo.
Espero ter agregado conhecimento.
Como sempre, lhe desejo todo sucesso e prosperidade que sei que você merece.