A magia do pagar-se primeiro, antes do pagar os outros

Hoje quero falar com você sobre algo bastante especial, caso queira enriquecer. E, diferente do que muitos acreditam, não está ligado necessariamente a onde ou como investir melhor.

Você já ouviu dizer que, para enriquecer, uma das maiores regras — talvez a maior delas — é pagar-se primeiro?  

De forma sintética é você separar parte das suas receitas para si próprio antes de pagar aos outros (credores e suas dívidas). Receba e se pague, depois pague aos outros.

Você pode estar se perguntando: “Como assim? Estou completamente ‘apertado’, o que farei com minhas dívidas?”. É sobre isso que vamos falar hoje.

De onde vem o conceito do pague-se primeiro

Obras clássicas como, Pai Rico, Pai Pobre de Robert T. Kiyosaki, Os segredos da mente milionária de T. Harv Eker e O homem mais rico da Babilônia de George S Clason citam exaustivamente esse conceito: pague-se primeiro. Recomendo a leitura de todos eles.

A ideia é bastante simples: separar um % de suas receitas; guardar esse montante em um local seguro — inclusive livre de sua vontade de gastá-lo — para que, gradativamente, seja possível compor uma riqueza significativa.

Enquanto você não aprender que o credor mais importante é você mesmo, dificilmente enriquecerá.

Mas, se é uma ideia tão simples, por quê nem todo mundo é capaz de respeitá-la? Primeiro é questão humana, segundo é o desconhecimento de seus benefícios. Fatos esses que aprofundaremos agora.

Sobrevivência vs crescimento

Desde que a raça humana existe, a prioridade se dá sempre pela sobrevivência. Fato naturalmente compreendido. Éramos — e somos — obrigados a estar 100% alertas para simplesmente não morrer.

Uma simples pergunta poderia comprovar esse fato: o que é melhor, um alimento menos saudável, mas disponível, ou alimentos mais saudáveis e não os ter para comer?

Apesar de sabermos que alimentos saudáveis são melhores, a preferência sempre será pela sobrevivência. É algo um tanto óbvio. Instinto natural.

Agora, se a sobrevivência estiver garantida, poderemos então pensar em outras opções melhores e que nos possibilitem o crescimento: físico, financeiro ou de qualquer outra área.

É nesse sentido que, quando falamos em pagar-nos primeiro, a maior parte da população preza pela sobrevivência em detrimento ao crescimento. Optam por pagar aos outros antes (sobrevivência) ao invés de pagarem a si próprios (crescimento).

Em suma, fazemos as coisas por dois principais motivos: porque queremos sobreviver ou porque queremos crescer. É funcionamento básico da natureza: sobrevivência antes do crescimento. Simples assim.

Mas agora preste atenção, o hack está em usarmos nossa garra da sobrevivência em prol de possibilitar nosso crescimento. Como fazer isso? Explicarei melhor no decorrer do texto.

Precisamos falar de benefícios

É preciso compreender alguns dos benefícios de se pagar primeiro. Os chamarei de 3Ss.

  • Segurança: pagar-se primeiro lhe possibilitará criar um colchão de segurança. Mais do que uma simples reserva financeira, isso lhe dará a possibilidade de viver ao invés de simplesmente sobreviver. Seja o comandante do navio chamado “vida”, não o passageiro.  
  • Satisfação: em um processo de 1 ano, você notará que aquele seu patrimônio, inicialmente pequeno, começará a tomar corpo. Você sentir uma valorização pessoal, uma verdadeira satisfação de empoderamento.
  • Superação: irá tirá-lo da zona de conforto. Possivelmente pagar-se primeiro lhe “forçará” correr atrás para cumprir seus compromissos (dívidas) com os outros. Aqui entra verdadeiro hack. E aonde muitos desistem antes mesmo de começar.

No processo de crescimento, a sobrevivência vem naturalmente depois

Nesse processo de mudança, inevitavelmente surgirão desafios. Você pode estar pensando, o que fazer se 100% da renda já está comprometida?

Se a vida já é difícil para manter todas as contas em dia, como é possível pagar-se primeiro? Por que procurar mais problemas do que já temos?

Se você se identificou com algum desses questionamentos, imagino que queira enriquecer. Portanto, preste atenção, como sempre gosto de dizer, só depende de você.

Nesse sentido, você tem três principais caminhos: reduzir custos; aumentar suas receitas; ou, renegociar suas dívidas.

  • Pode cortar supérfluos. Que hábitos podem ser revistos?
  • Pode fazer um raio X de seus principais gastos. Geralmente há como otimizá-los;
  • Pode buscar por fontes de receitas alternativas. O que você sabe mais que a média das pessoas com quem mais convive? Todo mundo tem algo que conhece mais do que os outros. Como pode tornar isso algo que lhe gere uma renda extra?

Se tudo isso foi feito, e ainda assim suas dívidas estão consumindo todo ou até mais do seu patrimônio, assim mesmo você precisa se pagar primeiro.

Mas o que fazer se tudo já foi ajustado, toda gordura já foi eliminada, as contas estão na “carne” e ainda sobram inúmeras dívidas difíceis de serem pagas? Negocie-as.

Pegue sua receita e pague-se primeiro. Do que sobrar, jogue francamente com seus credores, exponha sua capacidade de honrar as dívidas e assim as honre. Isso é importante, ninguém está dizendo para que sejam dados calotes, mas que sejam feitos acordos. Os outros querem receber, você quer pagar, mas, dentro de suas possibilidades.

A questão principal é, nunca deixe de se pagar primeiro. Entenda, você é seu principal e mais especial credor. A regra é clara: você antes, os outros depois. Use a força de sobreviver a seu favor: crescimento antes; e sobrevivência, corra atrás.

Quanto se pagar?

Não importa o quanto, o que importa é: pague-se. Pague-se e guarde esse montante em um lugar intocável, e corra atrás do restante.

Também, não se preocupe com a rentabilidade nesse momento. Preocupe-se em criar o hábito de se pagar. Isso é o mais importante.

Com o hábito enraizado, naturalmente você buscará por investimentos que possam lhe brindar com retornos ainda mais interessantes. Assim como a playlist de vídeos que disponibilizo gratuitamente no canal. Um passo de cada vez.

Conclusão

Se tantos clássicos afirmam o poder do pagar-se primeiro, se tantos milionários se pagam primeiro, por que não simplesmente tentar?

A decisão por crescer é menos natural e envolverá diferentes sacrifícios do que simplesmente sobrevier. Assim também acontecerá com a opção de enriquecer. O sacrifício em prol da segurança, satisfação e superação.

Agora é com você. Quanto antes essa decisão for tomada, maior será o potencial de crescimento. Do outro lado, quanto mais for postergada, maiores serão as chances de um dia você não ter condições se quer de sobreviver.

Pode começar agora mesmo. Defina quanto irá se pagar sobre suas receitas: 5%, 10%, 20%. Do que sobrar, veja como consegue encaixar seus custos familiares. Se tiver que cortar algo, corte. Se precisar encontrar nova fonte de renda, encontre-a. Se precisar negociar dívidas, assim o faço.

Inevitavelmente a escolha é sua. Mas, independentemente de qual seja, lhe desejarei sempre o melhor com um futuro extremamente próspero.

Espero ter agregado conhecimento. Por fim sou Paulo Boniatti, um forte abraço e tchau!

Escritor, autor do livro Montando uma Carteira de Investimentos Inteligente. Paulo Boniatti é pós-graduado em Gestão em Mercado Financeiro pela FAE Business School. Especialista em investimentos e adepto da filosofia do antifrágil, tem como principal característica a maneira simples e descomplicada de explicar o mercado financeiro. Além de youtuber e criador do canal SaldoZero, é também gestor do Clube de Investimentos Opportuna CI.

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