Frequentemente sou questionado sobre qual a minha opinião referente ao setor — ou empresa — A, B e C.
Pensando nisso, e com a ajuda do Sabbius, quero mostrar os motivos pelos quais, o setor de aviação é, para mim, um dos piores setores para se investir.
Se este tema lhe interessa, confia e vem comigo. Espero conseguir agregar um pouco mais de conhecimento a você.
Conhecendo um pouco do setor
Imagino que seja possível dispensarmos qualquer grande apresentação sobre o setor de aviação, uma vez que, quem não conhece as operadoras tradicionais, como é o caso da GOL e Azul?
De todo modo, acho válido fazermos um breve apanhado do que foi, e do que é este setor.
Segundo dados da Wikipédia, a primeira empresa de aviação de passageiros no Brasil, se deu por meio da Condor Syndikat, em 1927. No mesmo ano, dava-se início a primeira linha regular, entre Porto Alegre e Pelotas.
Um pouco mais leve a nossa memória, em 1933 era fundada a Viação Aérea São Paulo — Vasp.
O crescimento do setor era excepcional. Na década de 1950, operavam cerca de 16 companhias. E, em 1960, o Brasil possuía a maior rede comercial do mundo em volume de tráfego, após os Estados Unidos.
Após idas e vindas e algumas crises, este número de companhias logo se reduziu a apenas quatro empresas comerciais: Varig, Vasp, Transbrasil e Cruzeiro. Imagino que algumas destas podem pairar na sua memória — senão, de seus pais.
A Varig, absorvendo a Cruzeiro, se transformou na TAM. A Transbrasil e a Varig encerraram suas atividades por problemas financeiros.
Atualmente, dentre as grandes empresas em operação no Brasil, podemos citar as principais ligadas ao transporte de passageiros sendo: LATAM (ex TAM), Gol e Azul.
Sem dúvidas é um setor que encurtou grandes distâncias. Por outro lado, contudo, não consegue se desvincular do alto custo, seja com investimentos em novas aeronaves e tecnologias, assim como manutenção do seu portfólio atual.
Crise na aviação, pela pandemia?
Não seria um exagero dizer que crise é um termo próximo a aviação. Não seria diferente durante a Covid-19.
Segundo estudos, as aéreas tiveram um prejuízo de pelo menos R$21,4 bilhões no primeiro ano de pandemia. O que é facilmente observado no histórico de lucro de Gol e Azul, respectivamente.


Mas, será que esta “crise” é decorrente somente pela pandemia? Veremos mais à frente.
A recuperação do setor
Muita gente cita a possível recuperação do setor, decorrente principalmente do fim da pandemia. Isso pode ser algo positivo? Sem dúvidas.
Mas, considero esta recuperação como um time que tenta fugir do rebaixamento, pode até se livrar da queda, mas dificilmente será um grande campeão — ao menos não no curto e médio prazo.
Os números
Recorde o que sempre digo: preço de ação tende a seguir lucro a patrimônio líquidos no longo prazo. Se você internalizar esta afirmação, não tenha dúvidas, evitará grandes micos no mercado aberto.
Com a ajuda do Sabbius, vejamos os números de Gol e Azul — TAM não é mais listada em Bolsa.
O que podemos observar? Ambas com ROE negativo. Se lembrarmos que este indicador revela a capacidade da empresa remunerar o capital investido de seus donos, como você se sentiria ao ver sua empresa corroendo seu capital a -27% (GOL) e -13% (Azul)?
E não é exclusividade do ROE, o mesmo acontece com Margem Líquida, Margem Ebit, Margem Ebitda e afins. Um verdadeiro “mar vermelho” pairando sobre seus indicadores.


Sem dizer ainda que, quando falamos em liquidez corrente, podemos observar que são empresas com baixa capacidade de pagar suas dívidas de curto prazo, o que pode acabar carecendo de financiamentos para honrá-las.
E, rebatendo que a crise no setor é decorrente da pandemia. Sem dúvidas que ajudou ainda mais, mas não podemos afirmar que é algo apenas deste fatídico evento.
Se olharmos, como exemplo a Gol, dos últimos 10 anos, apenas 3 foram de lucro, do restante, é prejuízo atrás de prejuízo:


E a Azul é diferente? Eu não ousaria a dizer isso. Apenas 1 ano de lucro, dos últimos 8.


Você, como dono, estima comprar uma empresa que dá lucro, ou que amarga prejuízos? Eu, prezo pelos lucros.
A consequência de uma performance imprevisível
O resultado destas performances extremamente imprevisíveis é o que sempre, e novamente digo: cotação vai seguir lucro e patrimônio no longo prazo. Não tem segredo!
Se você quer que suas ações se valorizem, precisa entender que isso, no longo prazo, acontecerá se, a empresa gerar e crescer seus lucros, o que não é o caso aqui. Observe a linha preta (cotação da ação) em decorrência da linha azul clara (lucro líquido).


Não por menos que, temos um vasto histórico de empresas de aviação que não conseguem se manter vivas por um longo tempo e acabam quebrando.
Considerações
Apesar de sermos gratos a aviação pela contribuição que deu ao desenvolvimento do país, principalmente por agilizar e encurtar distâncias, como empresas para se investir, estão longe de serem portos seguros.
Suas inconstâncias, baixa liquidez, prejuízos recorrentes, dependência de grandes investimentos, frágeis a diversos tipos de crises econômicas e históricos de quebras recorrentes de empresas são, o que me mantém bem distante deste tipo de empresa.
Sem dúvida alguma que, para quem busca apenas especular, acertar o momento certo de entrada e saída possa trazer algum retorno interessante. A questão é: como acertar estes timings recorrentemente?
Agora, para quem busca paz de longo prazo, outros setores podem ser mais interessantes — assunto para outros artigos.
Espero ter agregado mais um pouco de conhecimento.
Sucesso e prosperidade sempre,