Como os GRANDES podem influenciar o mercado

Os grandes. Você já parou para imaginar a força que grandes pessoas podem ter em nossa vida? No social, no profissional e, neste caso, no financeiro, somos rotineiramente bombardeados por influências.

Hoje, quero lhe mostrar que, ou você se torna definitivamente seu próprio comandante, ou será levado a lugares que os outros querem que você vá. Lugares estes que, nem sempre são o melhor para você, mas na grande parte das vezes, são melhores para “eles”.

Portanto, convido você e pensar fora da caixa. Se este tema lhe interessa — que sei que irá interessar — confia e vem comigo.

O porquê deste tema

O SaldoZero tem uma maneira viva de trazer informação. Mas não simplesmente sobre temas clichês, e sim, sobre questões que nem sempre são abordadas.

Uma questão me fez parar e refletir sobre a importância de, novamente, fazermo-nos pensar.

Em uma troca de mensagens na comunidade do SaldoZero, membros discutiam sobre a recomendação de um grande investidor. Esta “recomendação” se fazia sobre ações de uma determinada empresa.

Sem entrar nos por menores, tampouco citar nomes, a conversa se resumiu a uma questão central: até que ponto posso abrir mão de algumas convicções e assumir uma postura diferente baseado em argumentos de terceiros?

Devo confessar que esta questão ganhou um peso relativamente maior devido a notoriedade daqueles que estariam sendo os porta-vozes da mensagem. De um lado um dos maiores investidores brasileiros, com mais de 55 anos de Bolsa, do outro, um grande influenciador, com mais de 10 milhões de seguidores entre diferentes redes sociais.

Aviso aos navegantes

Antes de mais nada, quero deixar muito claro: não estou criticando qualquer uma das pessoas indiretamente mencionadas. Devo todo meu respeito e admiração aos seus trabalhos. São referências no que fazem justamente por serem profissionais de altíssimo gabarito, e não o contrário.

Além disso, não citarei nomes. Não vem ao caso. O principal é refletirmos o poder concentrado em algumas pessoas e, como nós precisamos deixar de simplesmente criticar, mas aprender a respeitar, tanto eles, quanto a nós mesmos.

Décio Bazin já nos contava

Imagino que você deva conhecer ou, ter escutado, sobre Décio Bazin. Se não, este cidadão, já falecido, foi um dos principais investidores brasileiros de sua época. Trabalhou por muito tempo em bolsa de valores até se tornar investidor individual e publicar seu famoso livro Faça Fortuna com Ações, Antes que seja Tarde.

Neste livro, que abrindo um parêntese, recomendo, ele cita sobre alguns atores de mercado, dentre os quais, os manipuladores. Manipuladores são pessoas que possuem a capacidade, devido sua grande envergadura, de mover o mercado e puxar consigo a manada.

Em tese, precisaríamos ter medo deles? De forma alguma. Temos apenas que reconhecer que existem e, saber sobreviver, apesar deles.

Os manipuladores do hoje

Não me agrada intitular grandes personalidades como manipuladores. Tampouco é meu objetivo. Mas, certos resultados podem assemelhar os atuais influenciadores dos antigos atores de mercado citados por Bazin.

Vejamos um exemplo. Na conversa discorrida na comunidade do SaldoZero, surgiu a mensagem de uma recomendação de compra de ações da Braskem.

Esta empresa, e sem entrar no mérito se vale ou não a compra, tem cerca de R$ 85 milhões de negociação média diária — considerando suas ações 3, 5 e 6.

No dia em que escrevo este artigo, as ações da BRKM5 — principal ticker da empresa — estão ao custo de R$ 34. Vamos supor que, apenas 10% dos seguidores daquelas grandes personalidades venham a comprar uma única ação. Teríamos o seguinte cálculo:

  • 10 milhões de seguidores — este número pode ser ainda maior.
  • 10% de seguidores totalizam 1 milhão de pessoas.
  • 1 milhão de pessoas comprando apenas uma única ação, totalizaria um montante de R$34 milhões a mais na movimentação diária de 1 dia.

No que isso resultaria? Em um aumento na demanda de 40%. Podemos entender que, a depender, facilmente uma grande personalidade poderia, com uma simples frase solta, ao estilo “estou comprando” ou, “acredito no case”, puxar uma alta expressiva, seja em um dia ou em intervalo mais prolongado, de uma ação.

E, facilmente, após um evento como este, estes grandes se voltam para o povo geral e dizem: “eu avisei que subiria, e subiu.” Mas, raramente, este mesmo povo pondera que, parte — ou grande parte — deste efeito é simplesmente decorrente de uma grande influência.

O mesmo pode ocorrer com uma informação de venda. “Veja só, ele está se desfazendo daquele papel”, alguns dizem. Mas pouco se atentam que, a depender, aquele que puxou a manada, muito em breve estará comprando todas aquelas ações, agora mais descontadas.

Entenda como for, mas tenha claro que, cada um joga com as armas que tem. E você não precisa ser um influenciado ou, em outras palavras, um manipulado.

Os exemplos são muitos

Os exemplos de casos recentes de manobras que inflaram rapidamente o preço de um ativo são vastos. Não quero tornar este artigo maçante, mas, cito apenas um caso marcante como exemplo.

Novamente sem criticar o autor, e sim fazer você entender aonde está pisando, é o caso de algumas criptomoedas. Faça uma busca por Shiba Inu e Twitter e verá um caso clássico de uma manobra “impensada digamos assim” que inflou, rapidamente este ativo, após uma simples postagem. Ops…

Convicções fortes vêm atreladas a filosofia forte

Quando me deparo com situações aonde ficamos nos questionando, questionando nossas convicções, questionando até que ponto as convicções dos outros são melhores que as nossas, é um sinal de que, as nossas não são fortes o suficiente.

Nossa convicção não estar forte é um problema? Sim, é um problema, mas extremamente comum. Como todo problema, temos apenas que resolver.

Geralmente quando nossa convicção é posta em check significa que: (1) pode simplesmente não estar madura o suficiente — muito comum na fase de aprendizado quando estamos criando uma filosofia; (2) falta de conhecimento — comum àqueles que não buscam conhecimento e se baseiam pelas opiniões dos outros.

Para o primeiro ponto, está tudo certo, é apenas questão de tempo enquanto o conhecimento é adquirido e uma filosofia é firmada.

Mas, para o segundo ponto, se você não busca conhecimento, é o que disse no início deste artigo: “ou você se torna definitivamente seu próprio comandante, ou será levado a lugares que os outros querem que você vá. Lugares estes que, nem sempre são o melhor para você”.

Pondere sempre

Não podemos afirmar que toda frase tem como objetivo uma manipulação. Estaria sendo extremamente insensato se afirmasse isso. Tampouco podemos afirmar que o resultado sempre beneficiará o autor. Muitas vezes realmente não ocorrem.

Mas precisamos sempre estar atentos aos sinais: por qual motivo uma pessoa, nestes casos, bilionárias, externalizam ao público em geral o que estão comprando ou vendendo? Será simplesmente por quererem compartilhar o ouro? Nem sempre. Por vezes pode ter um “q” de interesse pessoa.

Devemos respeito aos que se tornaram grandes. Se chegaram aonde muita gente quer chegar e se mantiveram por anos no topo, muito mérito a eles.

No entanto, não podemos simplesmente trocar nossas convicções pelas deles, salvo se, realmente a nossa for falha.

Por isso, o mais importante é o estudo constante. Estude para que, antes de pensar na dica quente, você tenha condições de refletir e dizer: isto não é para mim.

Espero ter agregado mais um pouco de conhecimento.

Sucesso e prosperidade sempre.

Paulo Boniatti

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